quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

AS MAIS BIZARRAS PRECAUÇÕES PARA EVITAR O MAL E AS TENTAÇÕES DEMONÍACAS

Em outra ocasião, aqui mesmo no blog, tratamos de um caso ocorrido na Idade Média envolvendo uma mulher que se esqueceu de cumprir alguns rituais e acabou sendo cavalgada pelo diabo enquanto dormia. Já em outro momento vimos que a expressão "Deus te dê saúde", empregada logo que alguém espirra, também veio da Idade Média e tinha por finalidade expelir os demônios que haviam infectado o doente.

Rituais do tipo naquela época eram abundantes. A fiel crença de que o capeta estava por todo lado a importunar os viventes fez com que muitas fórmulas fossem utilizadas. Vejamos mais algumas delas.

Acreditavam que o diabo não poderia incomodar durante o dia quem fizesse o sinal da cruz pela manhã e lavasse as mãos antes de sair de casa. Por sua vez, quem não rezar antes do jantar, terá o diabo sentado, invisível, à mesa, e, juntamente com os demais presentes, comerá e beberá.

Havia, também, a crença de que, se caçarolas ferviam fora do fogo, era a prova de que não havia feiticeiras na casa.

A água-benta entregue na missa de domingo tinha o poder de proteger o agraciado (por toda a semana), das investidas dos demônios. O poder da referida água ia mais além: o capeta jamais poderia tocar na pessoa, pois ficaria a uma distância mínima de dois metros.

E por falar em água-benta, aquele que não a recebesse no domingo, teria o diabo sentado sobre seus ombros dia e noite, de forma invisível. Ela (a água), só teria eficácia se fosse entregue pelas mãos do padre. Caso contrário, não surtiria efeito.

Para espantar os lobos (comuns em um grande período medieval), bastava tirar o cinto que cingia o próprio corpo, arrastá-lo pelo chão, ao mesmo tempo que deveria recitar o seguinte texto: "Atenção, lobo, afaste-se para que a mãe de Deus não te chicoteie".

Para repreender tempestades, era suficiente atear fogo em quatro bastões cruzados de carvalho e fazer uma cruz por cima.

Sobre a tempestade, ainda é comum no Nordeste brasileiro fazer uma cruz com os dedos e proferir uma citação, a fim de que a ventania mude de rumo.

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quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

TESTAMENTO DE PADRE CÍCERO (PARTE 14)

Abaixo, a décima quarta parte do testamento de Padre Cícero. A transcrição é fiel ao documento original, o que explica os vários erros gramaticais. No trecho abaixo o padre continua a inventariar seus bens, um dos quais parece conter uma mina de cobre, bem como ratifica seu desejo em relação ao seu funeral. Acompanhe.

"Decima Primeira - Deixo a minha propriedade a fazenda Coxá encravada nos Municípios de Aurora e Milagres e comprehendendo na mesma área os sitios Coxá propriamente dito, Contendas, Escondido, Taveira e Bandeira com todas as bemfeitorias e com todos os meus direitos nas minas cobre que ditas terras possam conter bem como o sitio Lameiro sito mo municipio de Missão Velha para que sejam vendidos e com importancia adquirida pela venda dessas mesmas propriedades sejam pagas as dividas que eu possa deixar quando morrer, as despezas do meu enterramento e os sufragios de minh'alma.

E o que sobrar dessa mesma importancia seja entregue a Maria das Malvas, a Maria de Jesus (vulgo Babá), a Thereza Maria de Jesus (vulgo Therezinha do Padre), a Beata Jeronyma (vulgo Geluca), Maria Eudoxia da Assumpção e a cada uma das duas filhas de meu primo Francisco Belmiro Maia quinhentos mil reis (500$000) para cada uma e o que sobrar seja entregue a Congregação Salesiana que aqui se fundar para os seus respectivos Padres celebrarem missas por minh'alma e na intensão de Nossa Senhora das Dores e das almas do Purgatorio.

Decima Segunda - Deixo ainda para Maria das Malvas, Maria de Jesus (Babá), Therezinha do Padre, Beata Geluca e Maria Eudoxia de Assumpção, o sitio Barro Branco, neste Municipio, para desfructarem enquanto viverem, o qual por morte da ultima sobrevivente passará a pertencer aos Salesianos.

Decima Terceira - Desejo ser sepultado conforme já disse no começo deste testamento na Capella de Nossa Senhora do Perpetuo Socorro no Cemiterio desta cidade e que os meus funeraes sejam feitos com simplicidade, bem como que sejam rezadas pelo eterno repouso de minha alma dôze missas em cada anno durante cinco annos igualmente o mesmo numero de missas durante o mesmo tempo pelas almas do Purgatorio."

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terça-feira, 28 de dezembro de 2010

SEXO, PEDOFILIA, BEIJO NA BOCA ENTRE PROFESSOR E ALUNO, MASTURBAÇÃO... TUDO ERA NORMAL PARA ELES

As antigas culturas grega e romana representaram, por muitos séculos, um verdadeiro divisor de águas. Por um lado atraiu a atenção de filósofos, como Nietzsche (que condenou duramente o cristianismo por tentar destruí-las - além de outros motivos) e por outro lado fez com que a Igreja agisse de forma dura contra quem pretendesse viver segundo alguns princípios morais gregos e romanos, os quais foram vistos como imorais.

Já vimos que o imperador Tibério tinha o hábito de fazer sexo oral com meninos de pequena idade. Galeno, famoso médico romano do segundo século d.C., relatou que havia um gramático em Pérgamo que só ia ao banho se levasse um de seus escravos com ele, que tinha inclusive a tarefa de despi-lo e vesti-lo.

Marco Aurélio, imperador romano que fora conterrâneo de Galeno, era (quando adolescente), constantemente beijado na boca por seu professor particular. Na época o beijo na boca entre homens era interpretado como uma forma de obediência do servo em relação a seu senhor, do aluno em relação ao seu professor (e vice-versa). Até Sócrates era adepto da prática sexual com adolescentes. Ele, no caso, era o agente ativo.

O poeta italiano Estácio, que viveu no primeiro século d.C. e que na Idade Média inspirou homens como Dante Alighieri e Giovanni Boccaccio, deixou um poema que retrata bem a questão:

"Mal nascera, ele me dirigiu seu vagido, envolveu-me com isso, traspassou-me; ensinei-o a usar as palavras, acalmei-lhe as dores e as penas na idade em que engatinhava pelo chão e me abaixava para pegá-lo nos braços e beijá-lo; enquanto ele viveu, não desejei filhos".

A relação entre o "maior" e o "menor" era de completa obediência. Escravos tinham que dormir bem ao lado do quarto de seu senhor. Eram recomendados a observar atentamente o que acontecia ao seu redor. Sempre que fosse percebido algo em matéria de sexo, eles deveriam correr ao ouvido de seu senhor e lhe relatar o acontecido.

Heitor e Andrômaca, casal que teria participado da Guerra de Troia, foram vítimas dos olhares indiscretos de seus próprios escravos. Estes flagraram os dois "fazendo amor" justamente no momento em que a esposa cavalgava sobre o marido. Sem o menor pudor, todos passaram a se masturbar ali mesmo.

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segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

O MAIOR VEXAME NA TRANSIÇÃO PRESIDENCIAL BRASILEIRA

No próximo dia 1º de janeiro será empossada a primeira presidenta da história brasileira. Como é de se imaginar, o ato cerimonial é cheio de ritos, todos devidamente estudados para que nada dê errado. Há, no entanto, na história brasileira, uma transição presidencial que foi o maior vexame. Abaixo, os detalhes dos sucessivos dissabores.

Trata-se da transição do governo do presidente Floriano Peixoto para o de Prudente de Moraes, que aconteceu no dia 15 de novembro de 1894. Para começar, o presidente antecessor sequer apareceu. Floriano alegou que estava doente e não deu a mínima atenção.

O presidente eleito chegou ao Rio de Janeiro (então capital) de trem a fim de ser empossado na capital federal. Não havia ninguém o esperando, nenhuma autoridade estava lá para recepcioná-lo, muito menos um carro oficial. As flores murchas que enfeitavam a estação eram a prova de que dias antes um general uruguaio havia passado por lá. As flores não eram para homenagear Prudente de Moraes.

Como naquela época ainda não havia o governo de transição (como ocorre hoje), o presidente eleito mandou um telegrama para Floriano a fim de tratar de assuntos relacionados à administração, mas nada de resposta.

Chegou o dia de tomar posse no Senado. Como nenhum carro foi enviado para buscá-lo no hotel, ele pegou carona em uma carruagem, sem escolta oficial, como era de se imaginar.

Do Senado ao Palácio do Governo teve que alugar três carros, pois também não lhe foi dada nenhuma concessão nesse sentido.

Quando chegaram à sede do Governo, outra grande decepção: encontrou os móveis destruídos, muitos a facadas. Ao ver a cena, o recém-empossado presidente deu um "sorriso doloroso", como foi registrado na época.

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domingo, 26 de dezembro de 2010

OS PRIMEIROS MIJADOUROS PÚBLICOS NO BRASIL

A última metade do século 19 trouxe muitas inovações em várias cidades brasileiras, como a iluminação pública, água encanada, o carro, a construção de pontes, calçamento público e muitas outras benfeitorias.

A cidade do Rio de Janeiro, que se tornava cada vez mais vaidosa por ser a sede imperial, não deixou de olhar para a Europa e sempre que possível queria copiá-la.

Numa linguagem bem popular, todo mundo queria ser "chique".

Foi publicada, no governo da princesa Isabel, a primeira legislação sobre os mijadouros públicos no Brasil. Foi em tal administração que surgiu, também, um neologismo que acabou ficando na boca do povão. Trata-se do vocábulo "mictório".

Os legisladores fluminenses acharam feia a palavra "mijadouro", de modo que entenderam por bem substituí-la - literalmente.

O motivo da substituição não teria sido somente a feiura da palavra. Pretendiam evitar palavras populares (pois "mijar" era bastante difundida entre a grande população), de modo que criaram a palavra "mictório".

O citado vocábulo é, portanto, uma inovação do Rio de Janeiro do final do século 19.

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quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

JESUS NÃO NASCEU NO DIA 25 DE DEZEMBRO


Tradicionalmente é aceito que Jesus Cristo nasceu no dia 25 de dezembro, o que teria dado início às comemorações do Natal, cuja etimologia nos remete à palavra nascer. Historicamente falando, não é possível dizer qual o dia e o mês de nascimento desse personagem (alguns estudiosos dizem que ele nasceu em março; outros, em setembro), embora seja possível explicar a origem do Natal, que, por sinal, tem tudo a ver com uma tentativa da Igreja Católica de cristianizar o paganismo romano. Abaixo, os detalhes desse embuste.

A Igreja Católica Apostólica Romana nasceu, oficialmente, no século 4 d.C. Desde que o cristianismo surgiu (depois da morte de Jesus) o paganismo romano se viu fadado ao desaparecimento, principalmente a partir do século terceiro, mesmo sabendo que vários imperadores tentaram sufocar de vez o cristianismo e reerguer as crenças pagãs.

Havia, no Império Romano, por parte de muitos, a veneração ao Sol, então visto por muitos como um deus, como um elemento de valor espiritual.

No início do século 3, Heliogabalo, imperador de Roma, deu o título religioso de Deus Sol Invictus a um grupo de divindades romanas. Algumas décadas depois, através do imperador Aureliano (270 - 275), foi oficializado o culto ao Sol Invictus (sol invencível), que se tornou patrono de todo o Império, uma clara tentativa de reerguer o paganismo, que, naquele momento, vivia ameaçado pelo rápido aumento do cristianismo.

Ocorre que o dia 25 de dezembro foi a data escolhida para as comemorações do deus Sol, festa pagã que atraía a atenção dos não cristãos (e até dos cristãos, que se sentiam incomodados).

A transição do século 3 para o século 4 foi de grandes disputas entre cristianismo e paganismo. Diocleciano (284-305), imperador autoritário, empreendeu uma das maiores perseguições ao povo cristão de que se tem notícia. Fez questão de difundir ainda mais a festa do 25 de Dezembro, então uma comemoração pagã, como assinalamos acima.

Em 313, Constantino concedeu liberdade de culto em todo o Império. Em 325, Império e Igreja põem as alianças de noivado, cujo casamento vem ocorrer oficialmente em 381, com o Concílio de Constantinopla I.

Foi exatamente neste século que a Igreja Católica cria o Natal, e passa a afirmar que Jesus nasceu no dia 25 de dezembro, a mesma data em que era comemorada a festa do Sol Invictus.

Em outras palavras, o 25 de Dezembro foi uma tentativa da Igreja de afogar a festa pagã ao deus Sol, numa época em que estava ocorrendo a cristianização do paganismo. Ou seja, o Natal surgiu de um desejo de vingança, de destronação do paganismo. O Natal, portanto, não é a data do nascimento de Jesus Cristo.

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quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

TESTAMENTO DE PADRE CÍCERO (PARTE 13)

Abaixo, a décima terceira parte do testamento de Padre Cícero. A transcrição é fiel ao documento original, o que explica os vários erros gramaticais. No trecho abaixo o padre continua a inventariar seus bens. Acompanhe.

"Quinta - Deixo para Capellinha de São Miguel nesta cidade, construida no antigo Cemiterio dos variolosos pelo bom servo de Deus Manoel Cégo, sob os meus auspicios, o terreno cercado de arame que possuo no Arisco, conhecido por terreno do Seminário.

Sexta - Deixo para o meu amigo e compadre Conde Adolpho Van den Brule e seus legitimos herdeiros o sitio Veados, deste Municipio.

Setima - Deixo para a Capellinha de Nossa Senhora do Rosario, no antigo Cemitério desta cidade, sito á Avenida Doutor Floro, antiga Rua Nova, o sitio São José que pertenceu a Gonçallo e sua mulher Dona Anna Rodrigues.

Oitava - Deixo para as duas filhas do meu primo Francisco Belmiro Maia a casa onde residem nesta cidade, á rua Padre Cícero e o sitio Carité, neste Municipio, os quaes bens por morte da ultima passarão a pertencer a Congregação dos Salesianos, salvo se durante a vida quizerem entrar em accordo com os Padres Salesianos para com elles trocarem por outros bens com a mesma condição de por morte de ambas, passarem os bens trocados aos Padres Salesianos.

Nona - Deixo para o meu amigo José Ignacio Cordeiro, pelos bons serviços que me tem prestado, o sitio Arraial, no Municipio de Missão Velha.

Decima - Deixo a casa de Caridade do Crato o sobrado onde residio José Joaquim Telles Marrocos, sito á rua Grande, na cidade do Crato, e a pequena casa encravada nos fundos do mesmo sobrado, á rua da Laranjeira, na mesma cidade."

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terça-feira, 21 de dezembro de 2010

BRASIL: A COMPRA DE NAVIOS GEROU A PRIMEIRA MOBILIZAÇÃO NACIONAL EM TORNO DE UMA CAUSA COMUM

A primeira mobilização nacional de que se tem notícia no Brasil ocorreu em 1822-1823, quando o país estava na iminência de ser atacado por Portugal, então inconformado com a independência do Brasil.

A causa comum girava em torno da compra de um navio de guerra. Deu certo: várias doações foram enviadas dos mais diversificados locais do país.

O Brasil precisava urgentemente comprar navios de guerra, uma vez que os disponíveis na época estavam muito aquém da capacidade naval do então rival. Muitas listas percorreram o país com o fim de arrecadar fundos para a aquisição dos referidos navios, além de armas e munições.

O imperador e a imperatriz também fizeram doações públicas, pois precisavam dar exemplo e com isto estimular os brasileiros a fazerem o mesmo.

Não somente pessoas ricas doaram, como também brasileiros muito humildes "abriram mãos" de alguns pertences e participaram ativamente. Quem poderia doar dinheiro, assim procedia. Quem não dispunha de tal condição, fazia questão de doar bens, muitos dos quais bastante pessoais, como alianças e anéis de casamento.

No dia 12 de fevereiro de 1823, em sessão solene, o imperador entregou ao país o fruto da mobilização nacional: o navio Caboclo, com 18 canhões. Em março do mesmo ano, o país adquiriu um navio inglês, rebatizado de Guarani.

O período envolveu demasiadamente D. Pedro I, que costumava chegar muito cedo aos estaleiros do Rio de Janeiro e somente saía ao entardecer.

O Brasil vivia, na época, um caos em matéria de capacidade militar, pois faltavam navios, armas, munição e homens que estivessem dispostos a compor oficialmente o grupo militar do recém-fundado Império.

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O "AR" DA CIDADE LIBERTA?

Ainda hoje há quem prefira a vida no campo à vida na cidade, não importa se esta é grande ou pequena. Outros, pelo contrário, não suportam o silêncio da vida rural e se declaram amantes das grandes metrópoles. As opiniões divergentes em torno da cidade não são invenções da Modernidade, como veremos adiante. Antes, até mesmo concepções teológicas enriqueceram o debate em torno da vida urbana - que chegou inclusive a ser interpretada como uma personificação do inferno.

Uma era a cidade na Idade Antiga e outra era a cidade na época da transição da Idade Média para a Idade Moderna/Contemporânea. Inicialmente eram os muros o maior referencial de uma cidade. Quanto mais fortificada mais bem conceituada era pelos moradores e visitantes.

A Idade Média, no entanto, abraça uma concepção incorporada por Aristóteles e Cícero, grandes defensores de uma nova visão, pois defendiam que o maior referencial de uma cidade não é o muro e sim o ser humano que nela reside.

Alguns expoentes medievais, como Agostinho, Isidoro de Sevilha (téologo da Igreja) e Alberto Magno endossaram a nova visão, o que favoreceu ainda mais sua expansão a partir do início do século 13.

Alberto Magno, por exemplo, considerado o maior filósofo e teólogo alemão da Idade Média e considerado o primeiro a aplicar a filosofia aristotélica no cristianismo, divulgou, em muitos de seus sermões, que cidades com ruas estreitas e sombrias são comparadas ao inferno, ao passo que os grandes palácios, ao paraíso. Na verdade, o estudioso estava afirmando um modelo de urbanização, que deveria primar pelo espaço, pela liberdade.

E por falar em liberdade, é na própria Idade Média que surge um conhecido provérbio alemão: "O ar da cidade liberta". A explicação existia, sobretudo, pelo fato da cidade ter possibilitado uma maior liberdade - aliás, bem mais - do que a vida rural, então marcada pelo feudalismo, quando os servos estavam ligados à propriedade, de modo que não poderiam se mudar para outras localidades. Era comum gerações inteiras nascer e morrer numa mesma localidade rural. "Liberdade", aqui, também é uma referência à possibilidade de se conhecer algo novo, seja em relação à vida sexual, à vida material e a novas concepções de mundo.

Havia, no entanto, quem condenasse a vida na cidade. Uma das maiores personalidades do século 12, Bernardo de Claraval (São Bernardo), foi a Paris, então a maior cidade europeia, e afirmou: "Fugi do meio da Babilônia, fugi e salvai vossas almas, fugi todos juntos para as cidades de refúgio, ou seja, os mosteiros".

Em contrapartida, Filipe de Harvengt, escritor esclesiástico do século 12 e conhecedor da vida nos mosteiros, pregava: "Impelido pelo amor da ciência, eis que estás em Paris e encontraste essa Jerusalém que tanto desejam". Ou seja, o religioso estava dizendo que Paris é a cidade perfeita para se morar.

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domingo, 19 de dezembro de 2010

OS PRIMEIROS ANOS DA MEDICINA NO BRASIL

A primeira escola de medicina no Brasil foi criada em 1808, em Salvador (Bahia). A assinatura do ato se deu assim que D. João VI chegou de Portugal (vinha fugindo de Napoleão Bonaparte), em direção ao Rio de Janeiro. Embora criada no referido ano, somente sete anos depois é que passou de fato a funcionar. Em 1813, foi a vez do Rio de Janeiro ganhar a segunda escola de medicina do país.

No início do século 19 a Europa já revelava alguma preocupação em matéria de saúde pública, tanto que já praticava a vacinação coletiva.

No dia 6 de julho de 1829, o governo brasileiro apresentou à Câmara um projeto em que regulamentava o sistema de vacinação permanente em todo o Brasil. Abaixo, leiamos um trecho do projeto, cujo conteúdo é rico em informações históricas:

"A vital instituição vacínica veio da Europa para a Bahia em 1804, e passou dali no mesmo ano para esta Corte, aonde foi cuidadosamente conservada até que o alvará de 4 de abril de 1811 criando uma junta denominada de Instituição Vacínica, deu a este importante instituto forma regular; e pede a verdade que se confesse que tem resultado imenso benefício público dos seus trabalhos: quarenta e nove mil, quatrocentos e sessenta e um indivíduos vacinados, desde aquele ano até o fim de 1828 na casa de suas sessões, além de outros muitos em casas particulares."

Há registros de que, em São Paulo, já ocorrera vacinação no ano de 1805 (portanto 24 anos antes do projeto acima citado e, obviamente, antes do Brasil se tornar Império). Embora houvesse muitas mortes por epidemias, a população se mostrava relutante em relação à vacina. Confiava mais nas receitas caseiras, nos remédios caseiros, muitos dos quais eram ensinados pelos índios.

Havia inclusive médicos que optavam pela medicina popular. Um conhecido médico dos Estados Unidos publicou, em 1829, um livro defendendo o uso de medicamentos caseiros. Na referida obra sustentava que a criança deveria se alimentar de muito leite materno, usar roupas folgadas e limpas, comer pão, fazer muitos exercícios físicos e respirar ar puro. Dizia que a febre (doença mais comum no Brasil do início do século 19) "é somente um esforço da Natureza para se libertar de uma causa ofensiva".

Em 1826, José Bonifácio defendeu, em discurso feito na Câmara, que houvesse, "em cada capital das províncias, e nas vilas principais, um facultativo médico ou cirurgião pago pelos cofres das províncias quando as respectivas câmaras não tenham para isso, os quais serão obrigados a vacinar duas vezes por semana no palácio do governo, ou na sala da câmara a todos os indivíduos que se apresentarem em circunstâncias a serem vacinados...".

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quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

O JÚLIO CÉSAR QUE NÃO É DESCRITO NOS LIVROS CONVENCIONAIS

O famoso general romano certa vez viajou ao sul da Espanha e encontrou, num templo de Hércules, uma estátua de Alexandre, o Grande e, diante do ídolo, chegou a lamentar e confessou que sentia fraqueza pelo fato de nada ter ainda feito algo de memorável, numa idade em que Alexandre já havia dominado parte do mundo.

Em seguida pediu autorização para, em Roma, realizar as maiores façanhas no menor tempo possível. Na véspera havia sonhado que estuprava sua mãe. Consultou os áugures (os romanos eram altamente supersticiosos), que o informaram de que ele seria o árbitro do mundo, de modo que sua mãe - no sonho -, nada mais seria do que a Terra. Saiu de lá muito esperançoso.

Em outra ocasião já vimos que os romanos associavam a virtude aos grandes feitos, daí a preocupação em deixar para a posteridade algo memorável.

Preocupado com a diminuição da população italiana, determinou, por lei, que nenhum cidadão entre 20 e 40 anos de idade deveria sair da Itália por mais de 3 anos seguidos.

Nos últimos anos de vida costumava desmaiar e tinha terríveis pesadelos.

Vaidoso, mantinha os cabelos sempre curtos e raspava a barba constantemente (somente deixu a barba crescer uma voz, em cumprimento a um voto de vingança). Embora calvo - o que o tornava sujeito ao escárnio -, adquiriu o vício de puxar para a testa os poucos cabelos que lhe restavam.

Durante as expedições sempre levava consigo pavimentos de mosaico para enfeitar o chão de sua tenda. Gostava de homens e de mulheres. Não media esforços para comprar escravos bonitos.

Quando morreu, seu sucessor, Augusto - que em matéria de superstição nada tinha a dever a Júlior César -, viu em um fenômeno natural a prova de que o velho César fora recebido no Céu: a passagem de um cometa que brilhou no Cosmo por algum tempo, cujo fenônemo chamou a atenção de muitos.

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quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

TESTAMENTO DE PADRE CÍCERO (PARTE 12)

Abaixo, a décima segunda parte do testamento de Padre Cícero. A transcrição é fiel ao documento original, o que explica os vários erros gramaticais. No trecho abaixo o padre continua a inventariar seus bens, fala de uma moléstia grave que por pouco não lhe tirou a vida, bem como pede para ser enterrado junto à mãe e à irmã. Acompanhe.

"Terceira - Deixo para Maria de Jesus (vulgo Babá), para Thereza Maria de Jesus (vulgo Therezinha do Padre), para Beata Jeronyma Bezerra (vulgo Geluca) e Para Maria Eudoxia de Assumpção o predio onde residio e falleceu minha saudosa irmã Angélica Vicencia Romana, sito á rua Padre Cícero, para nelle residirem ou morarem em quanto viverem, sendo que por morte da ultima sobrevivente passará o dito predio a pertencer a Congregação dos Salesianos.

Entretanto poderão estas mesmas minhas herdeiras durante a vida passar o referido predio aos Padre Salesianos caso entendam e queiram ou entrem em accordo em trocar com os mesmos Padres este mesmo predio por outro onde possam morar, comtanto que por morte da ultima sobrevivente fique o mesmo predio trocado para os Padres Salesianos.

Quarta - Deixo para Nossa Senhora do Perpetuo Socorro d'aqui do Joazeiro, cuja Capella está construída no Cemiterio desta cidade, os seguintes bens: - o sitio Porteiras que pertenceu ao Velho Raymmundo Pinto, sito neste Municipio, á estrada do Crato, e uma importancia em dinheiro conforme vae declarado mais adiante.

Devo declarar que esta Capella de Nossa Senhora do Perpetuo Socorro, que por prohibição do meu superior ainda não foi benta para ser entregue ao culto dos fiéis, fiz construir no Cemiterio publico desta cidade, para cumprir um voto feito pela virtuosa e fallecida Herminia Marques de Gouveia, quando eu tive a morte de uma molestia muito grave.

Nesta Capella fiz sepultar o seu corpo, como ultima recompensa do seu grande esforço, e bem assim os corpos das bôas servas de Deus Maria Joaquina, Maria de Araujo, minha bôa mãe Joaquina Vicencia Romana e minha querida irmã Angelica Vicencia Romana. E desejo e peço que não sejam d'ali retiradas seus restos mortaes e supplico mais que nesta mesma Capella seja sepultado parasempre meu corpo."

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terça-feira, 14 de dezembro de 2010

A SEXUALIDADE NO BRASIL DE 200 ANOS ATRÁS

O modo como o sexo é tratado no século 21 é bem diferente daquele no início do século 19, embora alguns traços ainda têm resistido às inovações. Mexer com mulher alheia e com moça virgem era algo sério, muito sério mesmo.

No Brasil, país então profundamente católico e guardião dos "bons costumes", adultério dava processo, dava cadeia.

A palavra "virgem" era evitada, tinha conotação direta com a sexualidade. Até bem pouco tempo atrás, muitas mulheres brasileiras evitavam também usar o vocábulo "menstruação". Preferiam usar expressões do tipo "Fulana está naqueles dias", para enfim dizer que a mulher estava menstruada.

Em vez de "virgem", alguns achavam melhor dizer "três vinténs", uma referência ao hímen, à virgindade. Daí teria surgido a expressão "tirar os três vinténs" como uma forma de dizer que uma moça foi desvirginada.

O sogro de D. Pedro I ficou conhecido como "o quebra vintém". Há, até o momento, dúvidas quanto ao apelido em questão, se pelo fato dele ter sido um homem de força extraordinária (era capaz de quebrar uma moeda de cobre - também conhecida como 'vintém' - com os dedos) ou se pelo fato de ter o hábito de tirar a virgindade de várias moças brasileiras.

Outro fato curioso diz respeito aos homens que eram traídos. Assim como era praticado em Portugal desde o século 16, eles eram chamados de "corno" ou de "corno manso".

Felício Pinto perdeu a esposa, marquesa de Santos, para D. Pedro I. Antes, porém, havia tentado matá-la a facadas, uma vez que fora vítima de adultério. Chegou inclusive a processá-la judicialmente.

Os adultérios da marquesa se tornaram públicos. Em tais situações, era comum no Brasil daquela época, terceiros colocarem, na calada da noite, pequenos chifres pendurados na porta do traído, uma forma de tornar oficialmente público o que já era alvo de mexerico nas ruas.

Assim, não somente o pudor feminino como as zombarias em relação aos traídos tiveram suas peculiaridades no Brasil de duzentos anos atrás.

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segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

MULHER TEM O FILHO ARRANCADO DE SEU PRÓPRIO VENTRE POR LOBOS FAMINTOS

O fato que você lerá a seguir aconteceu perto de Paris, na França, já próximo ao final da Idade Média e retrata um período em que a Europa se viu arrasada por fome, doenças e muitas mortes.

Historicamente, o período (1347 a 1350 d.C.) foi marcado pela peste negra, que dizimou aproximadamente um terço da população europeia. Foi um tempo de agonia, de desespero, de temores sobrenaturais e sobretudo de muita fome e mortes.

Algumas décadas antes há registros do aparecimento de muitos lobos na região próxima a Paris, que se tornaram itinerantes em busca de comida. Geralmente atacavam em bando, de sorte que se tornou perigoso para o ser humano andar sozinho pelas estradas.

Um fato lamentável marcou a história da luta pela sobrevivência desses animais e envolve um bispo, um marido assassinato, uma viúva desconsolada e um feto totalmente indefeso.

Um homem havia sido enforcado em uma árvore. A viúva procurou o bispo a fim de reclamar o corpo de seu saudoso esposo e como recebeu um "não" do religioso, decidiu, por conta própria, passar a noite junto à arvore onde o mesmo havia sido enforcado.

O detalhe é que ela, a viúva, estava grávida. Para piorar, choveu intensamente naquela noite, de modo que a mulher decidiu continuar sob a árvore. O pior estava por vir: vários lobos famintos atacaram a pobre viúva, que teve seu ventre dilacerado e o bebê arrancado pelos algozes animais. Os dois foram mortos em poucos minutos.

Não somente Paris foi alvo desses temíveis felinos. Um século antes, um cronista italiano fez um registro do que ocorrera em seu país. Assim ele relatou:

"As aldeias foram incendiadas e o número de lobos vorazes aumentou. Eles não encontram cordeiros nem carneiros para comer, como de costume. Os lobos também se reuniam ao redor dos fossos exteriores das cidades e lançavam uivos por causa da fome que os atormentava. E, de noite, entravam nas cidades, devoravam os homens que dormiam sob os pórticos, assim como as mulheres e as crianças. Às vezes, abriam buracos nas paredes das casas e matavam os bebês nos berços."

Por muito tempo esses animais foram vistos como a própria encarnação do capeta e foram duramente perseguidos em várias cidades da Europa

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quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

CALVÍCIE, AFOGAMENTO E GRAVIDEZ: UM DELES INCOMODA VOCÊ? VEJA A SOLUÇÃO PROPOSTA POR NOSSOS ASCENDENTES

Até hoje o homem (sexo masculino) corre atrás da solução em definitivo para um problema que incomoda muita gente: a calvície. Tal preocupação não é uma novidade do século 20. Registros mostram que há muitos séculos existe o interesse em dizimar esse mal.

No século 18, no entanto, um missonário português tentou difundir entre os homens vaidosos de seu tempo a receita infalível para acabar com a calvície.

Para tanto, se o calvo realmente quisesse seus pelos de volta, deveria antes raspar completamente a cabeça por cinco vezes e aplicar, durante um mês inteiro, sebo retirado de um homem morto. Além de morto, este deveria ter sido esquartejado.

Receitas médicas que fogem ao senso da medicina convencional sempre estiveram presentes na história do ser humano. No Brasil, na época da mineração - que coincide com o tempo em que o missionário propôs a receita acima mencionada -, havia um médico que prometia a cura para os casos de afogamento.

Na verdade tratava-se da promessa de ressurreição. Caso alguém se afogasse, bastaria que a vítima fosse colocada de cabeça para baixo. Em seguida, ela deveria ser posta em uma cama quente. Por fim, receber, sobre seu peito (à altura do coração), um pombo ou frango escaldado vivo e borrifado com vinho.

Já para se saber se a mulher estava grávida, no Egito antigo ela deveria fazer xixi sobre sementes de trigo, por alguns dias seguidos. Uma vez germinadas, seria a prova da gravidez.

Na Idade Média, a Europa criou outro método para fazer o teste de gravidez usando a urina: esta deveria ser misturada ao vinho. Caso fosse apresentada alguma reação química - coloração esbranquiçada ou esverdeada -, a mulher estaria grávida.

Alguns séculos depois, africanas faziam xixi sobre sapos como forma de reconhecer a gravidez. Se a urina caísse sobre a fêmea da espécie, em poucas horas o animal ovularia demasiadamente. Se caísse sobre o macho, em poucas horas ele liberaria muitos espermatozoides.

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quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

TESTAMENTO DE PADRE CÍCERO (PARTE 11)

Abaixo, a décima primeira parte do testamento de Padre Cícero. A transcrição é fiel ao documento original, o que explica os vários erros gramaticais. No trecho abaixo o padre continua a inventariar seus bens, dentre os quais alguns situados no Rio Grande do Norte. Acompanhe.

"Segunda - Deixo para a Santissima Virgem das Dores desta Matriz de Joazeiro os seguintes bens: o sitio Porteiras onde mora meu encarregado José Ignacio Cordeiro, neste Municipio; o sobrado onde Manoel Salins tem a loja de santos, á rua Padre Cicero; o predio onde funcciona a cadeia publica desta cidade, sito á Avenida Doutor Floro, bem como os demais que se seguem contiguamente á mesma rua e na rua Padre Cicero; o predio onde mora Dona Rosa Esmeralda, á rua Padre Cicero, bem como os predios contiguos que foi o Oratorio do Senhor Morto e em que reside a Beata Solidade e mais ainda o terreno murado a este contiguo;

o predio onde morou a Beata Isabel da Luz; o predio onde funccionaram as redacções do "O Rebate" e da "Gazeta do Joazeiro", todos á rua Padre Cicero, e os commodos situados ao Consistorio da Matriz onde funcciona o Collegio do Doutor Diniz, e mais ainda o sitio Palmeira do Municipio do Ceará-Merim, Estado do Rio Grande do Norte, com vinte braças de largura, sem plantio mas com agua permanente cujo meu encarregado é Pedro Vasconcellos; o sitio Petitinga do Municipio de Touros, do Rio Grande do Norte, com vinte braças de largura, com agua permanente e cerca de duzentos e trinta coqueiros;

o sitio Sacco, do mesmo de Touros, com cento e vinte braças de largura, agua permanentemente e com cerca de dois mil pés de côcos entre velhos e novos, também no Rio Grandedo Norte, dos quaes é meu encarregado Alexrandre Mauricio de Macêdo.

Declaro mais que esses bens que deixo para Nossa Senhora das Dores, Padroeira desta Matriz, não poderão ser vendidos nem alienados sob que pretexto fôr. E no caso de quem quer que seja encarregado da direcção do Patrimonio de Nossa Senhora das Dores entender de vendel-os ou alienal-os passarão todos esses bens a pertencer a Congregação dos Salesianos."

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terça-feira, 7 de dezembro de 2010

JESUS CRISTO E SÃO PEDRO SÃO VISTOS DORMINDO EM ALPENDRE

Os séculos que se seguiram ao nascimento da Igreja possibilitaram que muitas historietas acerca dos personagens bíblicos surgissem e prosperassem, ganhando ramificações imprevisíveis. Uma delas chegou ao Nordeste brasileiro (ou foi gerada aqui mesmo) e envolve nada mais e nada menos do que Jesus Cristo e o apóstolo Pedro, mais conhecido por São Pedro.

Jesus e Pedro andavam pelo mundo, famintos e sem teto, até que chegaram a uma casa de um rico fazendeiro. Pediram comida e dormida. Depois de algumas perguntas feitas pelo fazendeiro, este aceitou que os dois comessem e dormissem em sua casa. Impôs, no entanto, duas condições: que eles dormissem no alpendre e não fizessem barulho durante o sono. Assim foi feito.

Acontece que Pedro roncava muito. Logo que se deitaram, o "santo" apóstolo começou a roncar alto e embora tenha sido advertido por Jesus, não parou de fazer barulho.

Não deu outra: o fazendeiro foi despertado de seu sono com o ronco de Pedro. Este e Jesus dormiam lado a lado em duas redes, de modo que a rede de Pedro ficava mais próxima da porta que dava para a entrada principal da casa.

Enfurecido, o fazendeiro pegou um chicote e partiu em direção ao alpendre. Sem saber qual dos dois roncava, meteu o chicote em quem estava dormindo na primeira rede - no caso, Pedro.

Satisfeito, o dono da casa voltou para dormir. Pedro, no entanto, continuou a roncar, mesmo depois da surra que levou. Temendo que Pedro fosse surrado novamente, Jesus sugeriu que os dois trocassem de rede. Assim foi feito.

Novamente o fazendeiro fora acordado com o ronco do apóstolo. Mais enfurecido ainda, pegou o mesmo chicote e partiu em direção aos dois. Chegando ao alpendre, raciocinou: "O da primeira rede já apanhou, agora vou bater naquele que está na segunda rede!".

Ocorre que era Pedro quem estava na segunda rede, pois Jesus havia mudado de lugar. Novamente Pedro foi surrado e Jesus terminou a noite ileso.

Ouvi muito dos mais velhos, pessoalmente, essa história. Quando perguntado o porquê de somente Pedro apanhar e não Jesus, me diziam que este não apanhava pelo fato dele ser Deus. Tal raciocínio parece não ter apoio bíblico, pois segundo os relatos da Bíblia, Jesus veio ao mundo e padeceu para que a humanidade fosse salva.

Pelo menos é assim que consta.

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segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

BARBA, CABELO, BIGODE E SOBRENOMES: A MODA MASCULINA NO BRASIL DAS PRIMEIRAS DÉCADAS DO SÉCULO 19

Já destacamos, em outra postagem neste blog, que em 1808 muitas mulheres do Rio de Janeiro rasparam a cabeça porque pretendiam imitar as mulheres portuguesas que faziam parte da comitiva da família real que fugia das investidas de Napoleão Bonaparte. Na verdade, não se tratava de uma moda europeia, mas uma praga de piolhos que atingiu as tripulantes, o que as obrigou a cortar o cabelo no "zero".

Duas décadas depois os homens brasileiros - desta vez não somente os cariocas - inovaram na aparência. Diferentemente das mulheres, os homens pretendiam fugir do modismo europeu - diga-se, o português -, tendo como motivo principal o sentimento patriota que tomou conta dos brasileiros depois do processo de independência ocorrido a partir de 1822.

Mais de uma década foi o tempo razoável para que os portugueses residentes no Brasil aceitassem a separação entre colônia e metrópole. Nesse intervalo, muito sangue rolou, assim como insultos e brigas de bar.

Surgiu, em poucos anos, um sentimento nacionalista que terminaria por gerar uma repugnância a tudo o que se relacionasse a Portugal. Desta feita, a aparência pessoal foi um dos itens a ser observado e urgentemente modificado.

Um deputado baiano, chamado Cipriano Barata, mudou o tipo de tecido da sua roupa. Passou a usar exclusivamente roupas de algodão e chapéu feito de palha da carnaúba. Rapidamente foi imitado.

Os nacionalistas mais declarados foram além: mudaram o penteado. Teria surgido no Brasil uma risca definida no meio da cabeça, dividindo em partes iguais os cabelos da cabeça. Batizaram tal risco de "estrada da liberdade".

Outra inovação foi o calvanhaque. Era uma tentativa de fugir da barba, típica dos europeus - e também, obviamente, dos portugueses.

As mudanças se prolongaram e atingiram inclusive os sobrenomes dos brasileiros, que, naquele momento, tentavam excluí-los, caso lembrassem algo português. Priorizaram nomes indígenas. Um famoso jornalista e advogado brasileiro, Francisco Gomes Brandão, passou a assinar Francisco Gê Acaiaba de Montezuma (uma homenagem aos astecas).

O esforço, no entanto, não foi unânime no país, nem surtiu o efeito desejado. Sobrenomes como Silva e como Costa sobreviveram e constituem os sobrenomes mais populares no Brasil. Embora os mesmos não sejam de origem portuguesa, foram estimulados por estes aqui no Brasil para associar aqueles que residiam na selva (Silva) e na costa marítima (Costa).

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domingo, 5 de dezembro de 2010

MULHER SE ESQUECE DE DORMIR COM AS PERNAS FECHADAS E É ATACADA PELO CAPETA

O que você lerá abaixo é o registro de um fato ligado à crendice popular da Idade Média, algumas das quais sobreviveram por longos séculos. As crendices ficam por conta de quem acredita, mas as precauções para evitar o capeta estão documentadas e fazem parte da história do ser humano.

Os medievais acreditavam que Satanás estava por toda parte, o qual atuava através de seus agentes (os demônios). Um dos mais famosos era o Íncubo - cuja raiz etimológica parece estar associada ao pesadelo -, que atacava as mulheres enquanto dormiam.

No caso, o objetivo do capeta era se relacionar sexualmente com a mulher enquanto ela dormia. Toda vez que a mulher tivesse sentindo prazer em seus sonhos era sinal de que estava mantendo sexo com ele. Após a relação, a energia feminina era sugada, o que explicava o cansaço sentido pela vítima no dia seguinte.

Para evitar que ela fosse seduzida pelo demônio, recomendava-se que a mesma dormisse com as pernas fechadas e praticasse um ritual antes de se deitar. Consistia em colocar uma cadeira feita de madeira com as pernas para cima, que deveria permanecer por toda a noite.

Antes de colocá-la em tal posição, a moça deveria pôr as pernas da referida cadeira diante do fogo. O objetivo era fazer com que o Diabo, ao se aproximar para observar sua vítima, se sentasse sobre as pernas da cadeira (que estariam quentes) e ficasse preso por toda a noite.

Na Idade Média, uma francesa registrou em detalhes o modo pelo qual foi assediada pelo capeta. Como se esqueceu de fazer o ritual da cadeira e dormiu com as pernas abertas, ela acabou sendo cavalgada pelo capeta.

Quando ela percebeu a presença dele já estava sem jeito, pois notou que o agente invasor já se aproveitava de seu corpo. Não tendo escapatória, abraçou o demônio e constatou que ele era peludo e macio e que sua presença só lhe trouxe muitos prazeres.

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quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

MAIS DE SEIS MIL SOLDADOS FORAM EXECUTADOS PORQUE SE NEGARAM A MATAR CRISTÃOS

Os fatos narrados abaixo estão entre os mais notáveis nos anais da Igreja. Trata-se da execução de seis mil seiscentos e sessenta e seis (6.666) soldados romanos porque os mesmos se negaram a cumprir ordens do imperador para sacrificar cristãos da Gália.

O feito se deu no ano de 286 d.C., quando Maximiniano era imperador. Curiosamente toda a legião era constituída por cristãos. A Legião Tebana (porque haviam sido recrutados em Tebas) recebeu ordens do imperador para que se dirigisse à Gália, para enfim receber as últimas determinações.

Sem saber do que se tratava, a legião seguiu firmemente até o local combinado. Ao chegarem, foram informados de que tinham uma missão muito especial: sacrificar os cristãos daquele lugar. Como todos os soldados eram também cristãos, unanimente disseram um sonoro "não" às ordens imperiais.

Enfurecido, o imperador ordenou que dez por cento dos soldados fossem selecionados e mortos à espada. Assim aconteceu. O plano de Maximiniano era fazer com que os outros noventa por cento refizessem a decisão tomada. Mas não surtiu efeito, uma vez que todos se mantiveram firmes em seus propósitos.

Novamente enfurecido, o imperador ordenou que dez por centos dos restantes fossem dizimados da mesma forma. Missão cumprida: outra legião providenciou a matança dos soldados cristãos.

O segundo castigo não mudou a opinião dos soldados sobreviventes, de modo que eles continuaram firmes em seus ideais, mas a pedido de seus superiores imediatos juraram fidelidade ao imperador.

Sabendo de tal juramento, Maximiniano deduziu que agora a ordem seria cumprida, ou seja, que os soldados matariam os cristãos da Gália, mas o efeito foi o inverso. A fidelidade ao imperador não incluiu o cumprimento da ordem de matar os cristãos, o que deixou o dirigente romano irado.

Vendo que os soldados restantes não mudariam de opinião, o imperador ordenou a outra legião (a mesma que matou à espada os soldados cristãos) que dizimasse todos os soldados cristãos. A ordem foi dada no dia 22 de setembro de 286 d.C., uma data para entrar para a história do cristianismo.

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quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

TESTAMENTO DE PADRE CÍCERO (PARTE 10)

Abaixo, a décima parte do testamento de Padre Cícero. A transcrição é fiel ao documento original, o que explica os vários erros gramaticais. No trecho abaixo o padre continua a inventariar seus bens e justifica a construção do Horto, onde está hoje sua estátua. Acompanhe.

"o terreno contiguo a este mesmo predio; o predio em construção junto a casa da Beata Mocinha onde resido á mesma rua São José; o sitio Fernandes no Municipio do Crato; o sitio Peripery, no pé de serra de São Pedro, no Municipio do mesmo nome, porem depois da morte da sua então proprietaria Dona Maria Souto, salvo se esta de accordo com os Padres Salesianos quizer morar em outro lugar;

os sitios Santa Rosa e Tabóca, no Municipio do Crato; o sitio Rangel, sito no Municipio de Santa-Anna do Cariry, que comprei a Dona Joanna de Araujo, e todas as propriedades com todas as suas bemfeitorias igualmente a estas por mim citadas que possúo ou venha a possuir e que não constam desde testamento, bem como todos gados que possúo por toda parte e que não pertençam a outras pessôas ou herdeiros estabelecidos nas clausulas deste testamento que ora faço, repito, deixo para os Benemeritos Padres Salesianos. Supplico aos mesmos Padres Salesianos que terminem a construcção da Capella do Horto.

Devo dizer para evitar conceitos inveridicos e suspeitos em torno do meu nome que comecei a construil-a para cumprir um voto que eu e os meus fallecidos collegas e amigos Padres Manoel Felix de Moura, Francisco Rodrigues Monteiro e Antonio Fernandes Tavora, então vigario do Crato, fizemos. Esse voto fizemos quando apavorados com resultados da secca de mil oitocentos e oitenta e nove (1889) receiamos, aliás, com razão justificada que o ano de mil oitocentos e noventa (1890) fosse tambem secco, com o povo desta terra ao Santissimo Coração de Jesus.

E como essa obra não pude terminar, muito a contra gosto, é verdade, tão somente para não desobedecer ás ordens prohibitorias do meu Diocesano, o então Bispo do Ceará, Dão Joaquim Vieira, peço aos Benemeritos Padres Salesianos que concluam esse templo de accordo com a planta que trouxe de Roma e a miniatura em fôlha de flandre que deixo depositada em logar seguro.

Deixo mais para os Padres Salesianos, a imagem em vulto grande do Senhor Morto que me veio de Lisbôa."

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terça-feira, 30 de novembro de 2010

O TEMPO EM QUE ERA PECADO TOMAR BANHO

Não estamos falando do período da Semana Santa, quando muitos fiéis católicos não tomavam banho na quarta-feira porque, segundo eles, poderiam ficar "entrevados". Estamos falando de um tempo de transição do paganismo romano para o cristianismo católico.

Os habitantes da velha Roma (Monarquia e começo da República) não eram dados ao asseio corporal. Por tradição tomavam banho completo a cada nove dias, em cujo período lavavam apenas os braços e as pernas. Os banhos quentes teriam sido introduzidos somente nos dois últimos séculos que antecederam o Império (27 a.C.).

Embora os romanos tivessem herdados muitos costumes dos gregos, no campo artístico e no campo educacional eles preferiram manter parte da velha tradição. Assim, eles nunca aceitaram plenamente a música e a dança. Para a antiga moral romana, os dois dons artísticos combinavam mais com o sexo feminino do que com o masculino. O homem que dançava muito precisava fazer muito exercício físico, uma forma de endurecer aquilo que seria amolecido com a dança (o corpo), pregava o romano.

Desta feita, a nudez grega fora, na antiga Roma, uma forma de escândalo, diferentemente da época do Império (principalmente nos três primeiros), quando os banhos nas Termas se tornaram uma clara opção de orgias coletivas.

Quando os romanos haviam perdido a timidez, entrou em cena o cristianismo, notadamente o catolicismo romano do século V em diante.

Com a nova religião - que praticamente sepultou o paganismo -, a utilização da água passou a ser questionada e interpretada como algo mais voltado ao sagrado do que ao prazer. Assim, ela deveria ser utilizada principalmente para beber e para o batismo, esta última uma das alternativas para salvar o cristão.

Adotando tal raciocínio, a higiene pessoal ficou em terceiro plano, de modo que o corpo bem asseado foi visto - imaginem - como uma vaidade pessoal, portanto algo desprezível. A consequência não foi outra senão o fim da tradição dos banhos coletivos e o repúdio à exposição do corpo, até então vistos como um sinônimo de liberdade.

O fim dessa e outras tradições levou, por exemplo, o filósofo Nietzsche a anatematizar o cristianismo no final século 19, fato este que tem gerado, até hoje acirrado debate entre os cristãos (católicos e protestantes) e os simpatizantes do referido filósofo.

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segunda-feira, 29 de novembro de 2010

CURIOSIDADES SOBRE O TRÂNSITO

O primeiro registro de atropelamento causado por um carro aconteceu em 1880, nos Estados Unidos. Dezessete anos depois o poeta Olavo Bilac bateu seu automóvel em uma árvore e acabou entrando para a história como sendo o primeiro a se acidentar no trânsito brasileiro.

Antes de tais acidentes, em 1769 um francês que conduzia um carro com três rodas (que viajava a uma velocidade máxima de 4 km por hora) bateu em uma árvore na primeira saída. Um ano depois o mesmo motorista causou outro acidente e foi, provavelmente, o primeiro a ser condenado por direção perigosa.

A Inglaterra determina, em 1865, que à frente dos automóveis fosse um homem correndo com uma bandeira vermelha, a fim de alertar os pedestres e cavaleiros que transitavam nas ruas e estradas. A lei teria sido abolida em 1896, depois que aquele país registrou a primeira morte de trânsito.

Em 1909 a Alemanha cria uma lei que autoriza os condutores de automóveis a abandonar o local do acidente sem prestar socorro à vítima, de modo que somente no dia seguinte o atropelador poderia avisar a polícia do acidente.

No Brasil, em 1910, o então presidente da República, Nilo Peçanha, assinou a primeira legislação nacional de trânsito no país, embora existissem poucos carros circulando nas cidades brasileiras. O objetivo principal, na verdade, era incentivar a construção de estradas.

Em 1910, os Estados Unidos passaram a exigir que os motoristas profissionais se submetessem a uma prova antes de receber autorização para dirigir. O feito ocorreu logo depois da produção dos veículos da marca Ford.

A partir de 1966 o Brasil ganha faixas de trânsito nas ruas e um ano depois os carros produzidos nos Estados Unidos ganham cinto de segurança.

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domingo, 28 de novembro de 2010

MULHERES BRASILEIRAS CORTAM O CABELO, SE VESTEM COMO HOMENS E VÃO À GUERRA

Em outra ocasião falamos do esforço empreendido por muitos jovens brasileiros do século 19 com o fim de não serem recrutados para o serviço militar. Diferentemente desses "machões", duas nordestinas fazem o inverso e conseguem chegar à cúpula do serviço militar brasileiro, ainda que por meio da camuflagem. Estamos falando de Maria Quitéria de Jesus e Jovita Feitosa.

A primeira, baiana de Feira de Santana, participou ativamente das batalhas que levaram à independência do Brasil em relação a Portugal no início da década de 20 do século 19.

Embora não fosse permitida a participação de mulheres no serviço militar do país, ela deu um jeitinho brasileiro: cortou os cabelos, vestiu-se como homem e amarrou os seios. Alistou-se com o nome de "Soldado Medeiros".

Descoberta pelo pai, este tentou a todo custo retirá-la das forças armadas, mas com muita insistência dos colegas acabou aceitando. O oficial-comandante aceitou que ela ficasse, mas determinou que a mesma usasse trajes femininos, o que acabou acontecendo.

Lutou e pegou em armas. Seu superior chegou a dizer que ela "apresentou feitos de grande heroísmo, avançando, de uma vez, por dentro de um rio, com água até os peitos, sobre uma barca que batia renhidamente nossas tropas".

O ápice da fama aconteceu quando foi condecorada pelo próprio imperador D. Pedro I, na presença das maiores autoridades do país. Uma inglesa, que testemunhou o evento, afirmou que ela era "iletrada, mas viva, de inteligência clara e percepção aguda ... nada se observa de masculino nos seus modos, antes os possui gentis e amáveis". Morreu no animato, depois que voltou para a Bahia e se casou com um ex-namorado, o agricultor Gabriel de Brito.

Outro nome é Jovita Feitosa, que nasceu na região dos Inhamuns, entre Ceará e Piauí, por volta de seis anos depois da morte de Maria Quitéria de Jesus. Jovita Feitosa - que dá o nome de uma conhecida rua de Fortaleza, CE - candidatou-se para lutar na Guerra do Paraguai.

Passou a faca no cabelo, trajou-se de homem (usou inclusive um chapéu de vaqueiro) e foi para Teresina, para em seguida partir para o Rio de Janeiro. Largou a costura e o desejo de estudar música em nome do sonho de ver o Brasil vencedor da guerra.

Foi descoberta em uma feira, depois que uma mulher viu suas orelhas furadas e acabou tocando os seios de Jovita. Sem saída, acabou confessando o embuste. Chegou a ser aplaudida pelo público e por altas autoridades do Rio de Janeiro, mas ainda assim teve seu pedido negado.

Decepcionada e triste por não ir à guerra, morreu depois que enfiou um punhal contra o próprio peito.

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quinta-feira, 25 de novembro de 2010

UM POUCO SOBRE CLÓVIS BEVILÁQUA, O AUTOR DO PRIMEIRO CÓDIGO CIVIL BRASILEIRO

Epitácio Pessoa foi ministro da Justiça no governo de Campos Sales e presidente da República de 1919 a 1922. Foi colega do então professor Clóvis Beviláqua, por quem nutria grande respeito.

Mais de meio século antes do primeiro código civil entrar em vigor, já havia mobilização no sentido de pôr em vigência um código civil no país. Durante quase duas décadas o Congresso Nacional discutiu seu teor, quando ficaram marcados os debates gramaticais, tendo à frente o notório jurista Rui Barbosa.

Convidado por Epitácio Pessoa, o cearense de Viçosa do Ceará, Clóvis Beviláqua, concluiu o projeto em menos de um ano. "Por mais d'um motivo lembrei-me do meu distinto collega. Quer pôr a sua competencia e patriotismo a serviço d'essa nobre causa? Quer ligar o seu nome a essa obra gloriosa? Si acceitar, como espero, o convite que ora lhe faço, melhor será que se resolva a vir para esta capital ...", escreveu Epitácio Pessoa ao cearense.

Membro da Academia Brasileira de Letras, Clóvis não nutriu por ela simpatia, cujo estopim se deu depois que sua esposa - escritora piauiense - sofreu preconceito social na própria Academia, que rejeitou a proposta da candidatura da mesma alegando que a ABL era somente para homens.

Aposentado compulsoriamente por idade, e após reconhecimento internacional, Clóvis Beviláqua dedicou-se a emitir pareceres jurídicos de caráter privado.

Certa vez fora procurado por um cliente, que desejava do eminente brasileiro um parecer jurídico. O cliente teria encontrado Clóvis Beviláqua com um felino (que se achava dormindo) sobre suas pernas. Ao ser questionado sobre o parecer, o jurista teria dito que somente entregaria a encomenda depois que o gatinho acordasse.

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quarta-feira, 24 de novembro de 2010

TESTAMENTO DE PADRE CÍCERO (PARTE 9)

Abaixo, a nona parte do testamento de Padre Cícero. A transcrição é fiel ao documento original, o que explica os vários erros gramaticais. No trecho abaixo o padre começa a inventariar seus quase incontáveis bens. Acompanhe.

"Não tenho ascendentes vivos nem tão pouco descendentes, e assim julgo poder dispôr dos meus bens, que se acham livres e desembaraçados, de accordo com as leis do meu paiz e dee modo por que desejo e como se segue e o faço na plenitude de minhas faculdades e da mais livre e espontanea vontade:

Primeira - Deixo para Ordem dos Padres Salesianos todas as terras que possúo nos sitios Logradouro, Salgadinho, Mochilla, Carás, Pau-Secco que pertenceu ao velho Antonio Felix, neste Municipio; o sitio Conceição na Serra Araripe, Municipio do Crato, onde reside o empregado Casimiro; os terrenos que possúo na serra Araripe e mais o sitio Brejinho ao sopé da mesma serra Araripe do Municipio do mesmo nome; os predios e a Capella em construção na serra do Horto, com todas as suas bemfeitorias; o predio onde funcciona o açougue publico desta cidade, sitio á Avenida Doutor Floro, antiga Rua-Nova; os predios contiguos a casa de residencia da religiosa Joana Tertulina de Jesus, conhecida por Beata Mocinha, onde tambem resido actualmente, sitios á rua São José; o sitio Faustino, sito no Municipio do Crato; o sitio Paul tambem no Municipio do Crato, porem depois do fallecimento da antiga proprietaria Dona Ermelinda Correia de Macedo, que ainda nelle reside, salvo se antes da sua morte quizer de accordo com os Padres Salesianos ficar morando em outro lugar; o sitio Baixa Dantas, no Municipui do Crato; as fazendas Lettras, Caldeirão e Monte Alto, no Municipio do Cobrobó, no Estado de Pernambuco, com todas as bemfeitorias e gados nellas existentes; o quarteirão de predios, sitos á rua de São Pedro, os quais comprei ao Doutor Floro Bartholomeu da Costa, nesta cidade, inclusive o predio em construcção na mesma rua, contiguo a casa de morada e de negocio do meu amigo Damião Pereira da Silva; a fazenda Juiz, sita no Municipio de Aurora que comprei aos Frades do Convento de São Bento de Quixadá; o predio onde funcciona o Orphanato Jesus Maria e José, sito á rua São José;"

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terça-feira, 23 de novembro de 2010

HERÓI BRASILEIRO DOS LIVROS DE HISTÓRIA PROVAVELMENTE MATOU A ESPOSA E UM FILHO NO VENTRE

Abaixo serão feitas três transcrições. A última delas, a mais reveladora, traz indícios de que D. Pedro I, retratado nos livros convencionais de história como um herói, foi o responsável direto pela morte de D. Leopoldina, sua esposa e de um feto totalmente indefeso.

Escrevemos, em outro momento, que no início o casal vivia muito feliz: "Estou vivendo uma felicidade perfeita, numa quietude que amo, cuidando da minha filha e vivendo somente para meu esposo e meus estudos", chegou a escrever Leopoldina.

A loira de olhos azuis aos poucos perdeu a formosura e ainda na casa dos vinte anos já parecia uma senhora de avançada idade. À proporção que ela engordava, seu esposo namorava outras mulheres. Aos poucos ela se decepcionou com o marido. Uma carta que endereçou ao esposo revela sua tristeza e último fio de esperança:

"Confesso-lhe que tenho já muito pouca vontade de escrever-lhe, não sendo merecedor de tantas finezas. Faz oito dias que me deixou e ainda não tenho nenhuma regra sua. Ordinariamente quando se ama com ternura uma pessoa, sempre se acha momentos e ocasiões de provar-lhe a sua amizade e amor."

D. Pedro se apaixonou perdidamente pela Marquesa de Santos. Antes de partir para o Rio Grande Sul, em novembro de 1826, ele promoveu um beijão-mão de despedidas. Leopoldina, entristecida com a presença da amante de seu marido, não quis se fazer presente.

D. Pedro foi ao quarto e a arrastou pelo braço. Assim como Nero, teria dado um chute na barriga da esposa, que estava grávida e veio a abortar poucos dias depois. Em sua última carta dirigida à família na Europa, poucos dias depois do chute que recebera e do aborto involuntário, ela confidenciou o seguinte:

"Reduzida ao mais deplorável estado de saúde e tendo chegado ao último ponto de minha vida em meio aos maiores sofrimentos ... Há quase quatro anos ... que por amor de um monstro sedutor me vejo reduzida ao estado da maior escravidão e totalmente esquecida do meu adorado Pedro. Ultimamente acabou de dar-me a última prova de seu total esquecimento a meu respeito, maltratando-me na presença daquela mesma que é a causa de todas as minhas desgraças. Faltam-me forças para me lembrar de tão horroroso atentado que será sem dúvida a causa da minha morte."

O monstro a que ela se refere é a amante de seu esposo e o atentado é muito provavelmente o chute que recebera do marido. Logo após a morte de Leopoldina. D. Pedro foi enxugar as lágrimas na cama da Marquesa de Santos.

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segunda-feira, 22 de novembro de 2010

AMANTE CONVENCE REI A NÃO DESTRUIR A MAIOR PRODUÇÃO LITERÁRIA DO SÉCULO DAS LUZES

Decerto o leitor já presenciou alguém com um ataque de fúria e ao mesmo tempo com os olhos arregalados, espantado, sedento por uma resposta que lhe seja favorável. Foi numa situação parecida em que esteve envolvido um bispo francês em 1752, quando buscava, a todo custo, uma audiência com o rei Luís XV. Motivo?

Em lágrimas e fazendo um verdadeiro teatro, o bispo de Paris advertiu o rei francês sobre uma obra literária que acabara de chegar ao conhecimento do grande público: tratava-se da Enciclopédia, de Diderot e D'Alembert.

A referida obra começou a ser editada em 1752 e foi concluída 21 anos depois. Escrita por mais de 140 escritores, foi uma tentativa de passar para o papel todo o conhecimento humano adquirido até então.

Tão logo chegou aos salões literários, a obra se tornou o assunto do cotidiano parisiense, o que não tardou a chegar aos ouvidos da Igreja. Advertido pelo bispo, o rei ficou com "a pulga atrás da orelhas" e decidiu reagir: a obra seria destruída.

Ocorre que a amante preferida de Luís XV era, também, amante dos livros e já sabia da existência da Enciclopédia. Convenceu o rei a não destruí-la, alegando que a França seria mundialmente conhecida por editar a maior enciclopédia até então produzida.

O rei cedeu, mas advertiu os produtores para que não confrontassem os ensinamentos papais. De posse da advertência, os enciclopedistas passaram a usar de todos os meios para confundir a inteligência eclesiástica. E assim o fizeram. Vejamos o que eles escreveram sobre autoridade política e direito natural:

"Nenhum homem recebeu da natureza o direito de mandar nos demais. A liberdade é um presente dos céus, e qualquer indivíduo da nossa espécie tem o direito de desfrutar dela da mesma maneira que desfruta da razão."

Observemos que os produtores escreveram a palavra "céus" como uma forma de ganhar a simpatia da Igreja, dando a entender que a liberdade é de vontade divina, de modo que ela deve ser buscada. Assim, os leitores eram estimulados à busca pela liberdade, no mesmo instante em que se reprovava o Absolutismo, então dominante naquele tempo.

Sete anos depois o papa incluiria a Enciclopédia na relação de livros proibidos para seus fiéis.

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domingo, 21 de novembro de 2010

OS PRIMEIROS RECRUTAMENTOS MILITARES NO BRASIL FORAM MARCADOS POR MEDO, CASTIGOS E FALSAS PROMESSAS

Quando nos separamos oficialmente de Portugal, em 1822, havia uma verdadeira aversão generalizada ao serviço militar aqui no Brasil. O país vivia sob o medo de não consumar, na prática, a completa libertação dos portugueses.

O começo da década de 20 daquele século foi marcado por uma verdadeira corrida a compras de navios de guerra e ao recrutamento de pessoas para atuarem militarmente em prol do país recém-fundado.

Os soldados eram recrutados de maneira arbitrária pelos capitães do mato e pelos grandes coronéis do sertão. Como havia uma generalizada rejeição ao serviço militar, houve falsas promessas a fim de se alcançar o maior número de recrutas possível.

Em Minas Gerais, por exemplo, houve verdadeiros embustes: a população das cidades era convocada a se fazer presente na praça central sob o pretexto de que haveria, no local, eventos religiosos ou comunicados importantes. Quando a população estava aglomerada, soldados imperiais cercavam a praça e capturavam, à força, os rapazes que se achavam no ambiente. Uns eram amarrados e outros acorretandados.

Depois de capturados eram conduzidos à capital federal - na época o Rio de Janeiro -, em cujo trajeto muitos morriam de sede e fome. Só no ano de 1826 o Ceará exportou 3.000 recrutas, dos quais quase 20% morreram no caminho.

Nos quartéis a disciplina era duríssima, e os mais rebeldes eram tratados com perversidade extrema, uns a pauladas, outros a chibatadas e outros ainda eram açoitados com a lâmina das espadas.

O temor era tanto que muitos mutilavam os dedos para não serem convocados. Como se tornou crescente o número de mutilações, o governo imperial baixou, em janeiro de 1824, uma portaria autorizando o recrutamento de qualquer jovem, mesmo nos casos de cegueira e mutilações.

No Paraná houve um caso digno de ficar para história, cujo fato retrata bem o medo do recrutamento: um francês que passou em uma cidade paranaense registrou que a encontrou deserta, pois todos os moradores haviam fugido com medo da triagem que ocorreria na referida cidade.

O Brasil chegou, inclusive, a recrutar alemães, que vieram para cá sob as falsas promessas de que aqui ganhariam terras, dinheiro e animais. Quando chegavam ao Rio de Janeiro eram recrutados à força.

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sexta-feira, 19 de novembro de 2010

"DEUS ME GUARDE DE FICAR SOZINHA COM UM HOMEM, POR MAIS SÁBIO QUE PAREÇA, NUM LUGAR SOLITÁRIO"

A frase acima não fora proferida por uma freira, nem por uma ermitã. É de autoria de uma princesa, prometida em casamento sem ao menos ter conhecido o noivo antes da cerimônia de núpcias (aliás, somente o conheceu depois de casada). Leia, agora, um breve histórico das confidências de uma jovem mulher que foi muito feliz no início do casamento e morreu triste e traída por seu marido, que era brasileiro.

Trata-se de D. Leopoldina (1797 - 1826), esposa de D. Pedro I. No ano de seu casamento - que se deu por procuração em 1817 -, deixou a Áustria para morar no Rio de Janeiro, onde residia seu noivo. Totalmente entregue ao casamento, chegou a escrever algumas autoinstruções que pretendia seguir depois que estivesse morando no Brasil e casada com o príncipe brasileiro. Eis o que escreveu:

"Eu me vestirei com toda a modéstia possível; meu coração será eternamente fechado ao espírito perverso do mundo; evitarei despesas inúteis, o luxo indecente, roupas mundanas e escandalosas; Deus me guarde de ficar sozinha com um homem, por mais sábio que pareça, num lugar solitário."

Quando embarcou para o Brasil, trouxe uma biblioteca, um grande enxoval e coleções de ciências naturais (era amante de tal ciência), além de três caixões, para eventual falecimento na viagem.

Segundo a própria, sempre teve vontade de conhecer a América. No início do casamento, escreveu:

"As noites são mágicas nos trópicos, cheias de ruídos, produzidos por seres que piam, batem asas, rastejam entre folhas secas ... frutos maduros que tombam das árvores, água que corre entre pedras e o coaxar dos sapos ... Não existe o silêncio, jamais, neste lado do mundo."

Sobre o marido e as noites de amor, confidenciou: "Faz dois dias que estou junto do meu esposo ... estou muito feliz ... O meu muito querido esposo não me deixou dormir".

Aos poucos se decepcionou com o Brasil e com o marido. Na próxima semana transcreveremos sua última carta à família, na qual faz revelações surpreendentes sobre o príncipe brasileiro, que provavelmente foi um assassino.

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quinta-feira, 18 de novembro de 2010

TESTAMENTO DE PADRE CÍCERO (PARTE 8)

Abaixo, a oitava parte do testamento de Padre Cícero. A transcrição é fiel ao documento original, o que explica os vários erros gramaticais. No trecho abaixo o padre faz pedidos aos romeiros, dentre os quais para que não abandonem Juazeiro do Norte depois de sua morte. Acompanhe.

"Aproveito o ensejo para pedir a todos os moradores desta nossa terra, o Joazeiro, muito especialmento aos romeiros, que depois da minha morte não se retirem daqui nem o abandonem; que continuem domiciliados aqui, no Joazeiro, venerando e amando sempre a Santissima Virgem Mãe de Deus, único remedio de todas as nossas afflicções, auxiliando a manutenção do seu culto e de todas as instituições religiosas que aqui se fundarem e com especial menção a dos Benemeritos Padres Salesianos que serão os meus continuadores nas obras de Caridade que aqui iniciei.

Insistindo, peço, como sempre aconselhei, que sejam bons e honestos, trabalhadores e crentes, amigos uns dos outros e obedientes e respeitadores ás leis e ás autoridades civis e da Santa Igreja Catholica Apostolica Romana, no seio da qual tão somente póde haver felicidade e salvação.

Torno extensivo este meu pedido tambem a todos os meus amigos, pessôas de outros Estados e Dioceses, romeiros tambem da Santa Virgem Mãe das Dores, isto é, que continuem a visitar o Joazeiro, em romarias a Santissima Virgem como sempre o fizeram, auxiliando a manutenção de seu culto e das instituições religiosas que aqui fôrem creados e com especial menção, repito, a dos Benemeritos Padres Salesianos que serão aqui no Joazeiro os meus continuadores na Obra de Caridade que emprhendi; e que sejam sempre bons e honestos, trabalhadores e crentes, amigos uns dos outros e obedientes e respeitadores as leis e as autoridades civis e da Santa Igreja Catholica Apostolica Romana, no seio da qual tão somente poderemos encontrar felicidades e salvação.

Estes conselhos, que sempre os dei em minha vida, não me canço de repetil-os aqui, para que depois da minha morte bem gravadas fiquem na lembrança deste povo, cuja felicidade e salvação sempre fôram objecto da minha maior preocupação."

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quarta-feira, 17 de novembro de 2010

ACUSADO DE ATEÍSMO, FAMOSO CIENTISTA INVOCA O NOME DE DEUS E PEDE PARA NUNCA MAIS VOLTAR A VISITAR O BRASIL

O apelido dele era "Gás". Estamos falando de Charles Darwin, o conhecido naturalista inglês, que é oficialmente aceito como o pai da Teoria da Evolução. Embora nunca tenha se declarado ateu (e de fato não era mesmo, pois simpatizava com o agnosticismo e apresentou crenças deístas), foi, por muito tempo, apontado como ateu, o que lhe causou grande ojeriza por parte de muitos cristãos.

Quando visitou a Ilha de Galápagos, no Equador, seu retorno à Europa lhe porporcionou uma parada na Argentina e no Brasil, em cujas oportunidades ele pôde testemunhar a atividade escravista nos dois países. Sobre o Brasil, declarou em 19 de agosto de 1836:

"Agradeço a Deus por não mais ter de visitar um país escravocrata."

Antes, havia passado na Argentina e não deixou de anotar a impressão que teve do tratamento dado aos índios naquele país:

"Aqui cada um está convencido de que conduz a mais justa das guerras, pois lutam contra selvagens. Quem poderia acreditar que, em nossa época, se cometam tantas atrocidades em um país cristão e civilizado?"

Tratando ainda sobre o problema da escravidão, Darwin, que era natural da Inglaterra, revelou a decepção e o orgulho de sua nacionalidade, quando afirmou:

"Meu sangue ferve quando penso que nós, ingleses, que nossos descendentes americanos, que todos nós, enfim, que nos orgulhamos tanto de nossas liberdades, iremos um dia nos sentir culpados por atos parecidos! Mas tenho, ao menos, a consolação de pensar que fizemos, para expiar nossos crimes, um sacrifício maior, que nenhuma nação fez até hoje."

O cientista falava, aqui, do fim da escravidão oficial na Inglaterra, ocorrida em 1833.

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terça-feira, 16 de novembro de 2010

RACISMO: GRANDE PERSONALIDADE BRASILEIRA SOFREU SÉRIOS PRECONCEITOS NOS ESTADOS UNIDOS

Preconceito só não é mais velho, talvez, do que o próprio nome. Os Estados Unidos, por exemplo, que embora tenham sido exemplo de democracia desde o final do século 18, é um péssimo exemplo quando o assunto é preconceito.

Abaixo, a história de um cidadão brasileiro do século 19, amigo da família real, que sofreu graves preconceitos em Nova Iorque, Estados Unidos.

André Rebouças (1838 - 1898) foi engenheiro, deputado, advogado, conselheiro de D. Pedro II e fervoroso abolicionista. Ganhou notoriedade depois que solucionou o problema de abastecimento d'água no Rio de Janeiro.

Em 1873 ele fez uma viagem a Nova Iorque.

Neto de escrava, era de cor negra, o que certamente motivou o racismo americano.

Depois que chegou à referida cidade, a personalidade brasileira teve o seu primeiro problema com os hotéis de lá, que se negaram a recebê-lo. A sorte é que um de seus amigos, depois de muita humilhação, conseguiu hospedar o brasileiro nos fundos de um pequeno hotel de Nova Iorque.

Sem falar da má acomodação e da proibição de poder entrar pela porta da frente, André Rebouças era obrigado a fazer as refeições dentro daquele ambiente nada agradável, uma vez que o refeitório do hotel era somente para brancos.

Passou fome na cidade, pois os restaurantes não serviam negros.

O engenheiro brasileiro sentiu na pele o peso do racismo e certamente o ocorrido contribuiu para que ele se tornasse um abolicionista convicto.

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segunda-feira, 15 de novembro de 2010

"MARCHA, SOLDADO, CABEÇA DE PAPEL, SE NÃO MARCHAR DIREITO VAI PRESO PRO QUARTEL"

Neste dia 15 de novembro está sendo comemorado, oficialmente, mais um aniversário da proclamação da República, ocorrida em 1889. O verso que compõe o título acima faz parte de uma música de cantiga de roda, feita especialmente para crianças. E por falar nelas, leia, agora, um breve histórico do serviço militar obrigatório no Brasil e sua relação com as crianças em idade escolar.

A emissão de carteiras de reservista no Brasil se deu no início do século 20 aos brasileiros do sexo masculino que não satisfizessem as condições mínimas necessárias para servirem nas forças armadas brasileiras.

Algumas décadas antes, Rui Barbosa (para surpresa e tristeza de seus fãs) criou um projeto para que o país tornasse obrigatória a marcha militar para crianças que frequentassem as escolas primárias. O projeto em questão fazia parte de um novo modelo de educação que o citado jurista pretendia implantar no país.

Com o advento da República (dez anos depois da proposta), os exercícios militares para crianças foram postos em prática, mas de início somente no Rio de Janeiro. Aos poucos outros estados foram contemplados também.

De acordo com as determinações, as crianças deveriam fazer, aos sete anos, diversos movimentos militares, e aos treze anos de idade, manejar armas de fogo. Isto mesmo: no Brasil, adolescentes eram estimulados, pelo próprio Estado, a pegar em arma, sob o pretexto de que todo jovem deveria estar pronto para se doar ao país, incondicionalmente.

Para variar, os professores ficaram com a incumbência legal de ensinar e liderar os movimentos militares, cuja determinação acabou se tornando um dos motivos do fracasso das marchas para crianças nos colégios brasileiros (por volta de 1950).

Outro fator que contribuiu para o referido fracasso foi o fato dos pais acharem que se as crianças estavam sendo treinadas desde cedo, era prova de que o Estado iria convocá-las prioritariamente em caso de guerra. O momento histórico facilitava esse medo: o mundo acabava de sair da Segunda Guerra Mundial.

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domingo, 14 de novembro de 2010

O DIABO NASCEU EM SÃO PAULO, NO ANO DE 1975

Até hoje não se sabe a idade da Terra, do Universo, da vida humana. Um estudioso modernista chegou a fazer um cálculo através do qual era conhecida a data provável em que Jesus retornaria para vir buscar a igreja, mas nenhum desses cálculos impressiona tanto como o noticiário que afirmou não somente o local de nascimento do Diabo, como também a data em que ele teria nascido.

A curiosa notícia sobre o indesejado nascimento fora publicada no dia 11 de maio de 1975 pelo jornal paulista Notícias Populares.

De acordo com a manchete - que durou em torno de um mês -, o capeta teria vindo ao mundo em forma de um bebê coberto de pelos, com rabo e chifre.

A reportagem dizia que o demônio havia nascido em São Paulo no mês de maio de 1975 e ainda publicou um diálogo que ele teve com um taxista da capital paulista. Ao pedir que um taxista parasse a fim de que ele usufruísse do serviço, e depois de ser perguntado para onde desejava ir, respondeu: "Toca pro inferno".

Ao que tudo indica, a reportagem era, na verdade, uma tentativa de gerar fama e mais vendas de exemplares. E não deu outra: o jornal, que nascera no ano do golpe militar, viu sua vendagem se multiplicar com a manchete, razão por que, provavelmente, continuou a publicar matéria ditas sensacionalistas.

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quinta-feira, 11 de novembro de 2010

"FEIOS E GROSSEIROS": POR ESSAS CARACTERÍSTICAS FÍSICAS OS POBRES EXPRESSAVAM SUA CONDIÇÃO DE PECADORES

Na Idade Média não faltavam textos que apontavam os servos como "feios e grosseiros". Ironicamente a própria igreja tratou de expandir essa ideia, cujo significado vigorou por longos e cansativos séculos.

Abaixo, a transcrição do mais famoso texto medieval que justificava as desigualdades sociais, cuja essência seria de origem da vontade de Deus. Em outras palavras, Deus quer a diferença de classes sociais e ainda faz uma clara preferência por uns e rejeição a outros. O texto em questão foi proferido entre 1025 e 1027 d.C. por um bispo católico:

"O domínio da fé é uno, mas há um triplo estatuto na Ordem. A lei humana impõe duas condições: o nobre e o servo não estão submetidos ao mesmo regime. Os guerreiros são protetores das igrejas. Eles defendem os poderosos e os fracos, protegem todo mundo, inclusive a si próprios. Os servos, por sua vez, têm outra condição. Esta raça de infelizes não tem nada sem sofrimento. Fornecer a todos alimentos e vestimenta: eis a função do servo. A casa de Deus, que parece una, é portanto tripla: uns rezam, outros combatem e outros trabalham. Todos os três formam um conjunto e não se separam: a obra de uns permite o trabalho dos outros e cada qual por sua vez presta seu apoio aos outros."

Como se vê, o autor do preconceituoso texto coloca o clero sujeito unicamente à lei divina. Depois, o mesmo autor aceita a lei terrena de segregação social para justificar, em harmonia com a lei divina (segundo o autor), a divisão de classes, cujas funções são claramente definidas.

É possível encontrar, bem antes da igreja surgir, posicionamentos parecidos, como é o caso de Platão, em um de seus mais conhecidos livros: A República.

Segundo o pensamento corrente da igreja medieval, a genética teria sido complacente com os nobres, pois estes eram os mais belos da raça humana, ao passo que os pobres (servos) eram, como dissemos acima, "feiros e grosseiros".

Outra observação diz respeito à forma como os servos poderiam se redimir de seus pecados: o árduo trabalho, através do qual - por vontade divina -, têm a obrigação de sustentar os demais membros das classes sociais.

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quarta-feira, 10 de novembro de 2010

TESTAMENTO DE PADRE CÍCERO (PARTE 7)

Abaixo, a sétima parte do testamento de Padre Cícero. A transcrição é fiel ao documento original, o que explica os vários erros gramaticais. No trecho abaixo o padre se diz com a consciência tranquila perante Deus e afirma não ter cometido um único ato desonesto em toda a sua vida. Acompanhe.

"E no período mais agudo da lucta, cujo curso de gravidade já para mim uma surpresa, podem garantir os que a testemunharam aqui, que a minha attitude era lastimar as desastrosas consequencias dos erros politicos e jamais deixei de ser no sentido de evitar violencias.

De maneira que posso affirmar, sem nenhum peso de consciencia, que não fiz revolução, nella não tomei parte, nem para ella concorri, nem tive nem tenho a menor parcella de responsabilidade directa ou indirectamente nos factos ocorridos.

Eleito no biennio do governo Benjamin Barroso primeiro Vice Presidente do Estado, apezar deste rompido politicamente com o Doutor Floro Bartholomeu, sempre elle mantive a maior cordialidade. Não tenho culpa é que por um despeito mal entendido e de ordem politica, houvesse e ainda exista quem me queira tornar por ella responsável.

Estou certo de que quando se fizer, sem paixão, a verdadeira luz sobre estes factos meu nome realçará limpo como sempre fei.

Faço estas declarações, neste documento, para que os que me sobreviverem fiquem scientes (por que perante Deus tenho a minha consciencia tranquila) que neste mundo, durante toda a minha vida, quer como homem, quer como Sacerdote nunca, graças a Deus, commeti um acto de deshonestidade, seja sob que ponto de vista se possa ou queira encarar, nem nunca commemeti, nem alimentei embuste de especie alguma."

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terça-feira, 9 de novembro de 2010

AS RAZÕES HISTÓRICAS PARA O USO DE INICIAIS MAIÚSCULAS EM NOMES PRÓPRIOS E EM FATOS E DATAS IMPORTANTES

Diz-nos Evanildo Bechara que "A língua portuguesa é a continuidade ininterrupta, no tempo e no espaço, do latim levado à Península Ibérica pela expansão do império romano, no início do séc. III a.C."; mas é somente no século XIII d.C. que temos os primeiros documentos históricos em língua portuguesa, daí o porquê de se afirmar que ela se originou no citado século.

No latim clássico não havia a distinção entre maiúsculas e minúsculas, porquanto somente aquelas eram utilizadas. As minúsculas, por sua vez, surgiram apenas entre os séculos IV e VI d.C. e eram vistas como uma opção à parte e não uma complementação das maiúsculas.

Desta feita, era comum ou se usar um texto completamente com as letras maiúsculas ou completamente com as minúsculas.

A ideia de mesclar os dois tipos de letras surgiu na Idade Média, principalmente quando os mosteiros passaram a ser responsáveis pela reprodução de obras literárias, em cujo período o livro passa a ser visto como uma obra de arte, de sorte que não somente o conteúdo seria observado, como também os aspectos gráficos.

Em outras palavras, a aparência do livro passou a merecer uma atenção redobrada. Foi exatamente aqui que surge a junção da inicial maiúscula com as demais letras minúsculas que formam uma palavra. Convencionou-se que um texto redigido com todas as letras maiúsculas se tornava mais difícil de ser lido (eis um fato), razão por que optaram pelas minúsculas.

Houve, no entanto, alguns saudosistas do velho latim (que adotava todas as letras maiúsculas) que reivindicaram uma volta ao passado. Embora tenham perdido a causa, ganharam em outro aspecto: teria surgido daí a explicação para a utilização das iniciais maiúsculas em fatos históricos importantes, bem como em nomes próprios.

É por esta razão que ainda hoje adotamos as iniciais maiúsculas em alguns casos, como em palavras que designam fatos importantes, visto que os medievais julgaram que os velhos tempos clássicos não deveriam ser esquecidos, assim como renascentitas idolatraram a Grécia e a Roma clássicas. Assim, escrevem-se Renascença e não renascença, Idade Média e não idade média, Dia de Finados e não dia de finados.

É depois de tais convenções que surge a pontuação na língua portuguesa. Aos poucos são incorporados alguns sinais vindos de outras línguas, como o asterisco - uma invenção alemã do século 19.

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segunda-feira, 8 de novembro de 2010

EM TEMPOS DE CRISE FINANCEIRA, CHEFE DE ESTADO BRASILEIRO DÁ SEU PRÓPRIO EXEMPLO

Cortar o galho onde se está sentado ou cortar a própria carne deve dar no mesmo. Há, na história do Brasil, um caso em que o chefe de estado cortou o próprio salário a fim de conter despesas e dá o bom exemplo. Estamos falando de D. Pedro I. Vamos aos fatos.

Quando seu pai, D. João VI, retornou a Portugal, o Brasil ficou economicamente falido, como era de se imaginar. O novo governo precisava tomar medidas urgentes e eficazes para sanar o problema.

D. Pedro aboliu impostos que inviabilizavam o comércio interno, cortou seu próprio salário, diminuiu o número de servidores - conseguindo, assim, concentrar as repartições públicas onde ele morava (Palácio Real).

Chegou a vender mais de noventa por cento dos animais das cavalariças reais, que foram apontadas por um cônsul inglês como uma das mais caras do mundo.

Na tentativa de reduzir despesas na compra com milho, o quintal do próprio palácio serviu para que os escravos da fazenda real de Santa Cruz ficassem incumbidos da plantação de capim. As roupas da família real também seriam lavadas nos arredores do palácio.

Em carta ao pai, que já se encontrava em Portugal, D. Pedro dizia "Comecei a fazer economias, principiando por mim". E completou: "Essas mudanças se fizeram quase que de graça, porque os escravos ... são os trabalhadores".

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domingo, 7 de novembro de 2010

O LENTO PROCESSO DE IMPLANTAÇÃO DO SISTEMA DE PESOS E MEDIDAS NO BRASIL

O século 19 trouxe muitas novidades para a sociedade da época. Uma delas foi o Sistema Métrico Decimal, que embora não tenha sido implantado no Brasil no mesmo século em que fora criado (final do século 18), acabou sendo, de forma lenta e tumultuada, adotado no país. Abaixo, os bastidores de alguns fatos dignos de nota, inclusive o quebra-quebra que houve no Nordeste por causa da lei brasileira que tratava sobre o caso.

Antes de ser implantado, havia uma verdadeira confusão por causa da falta da uniformização de medidas, tanto que na Europa muitos camponeses se levantaram contra os padrões adotados por seus senhores, que detinham o monopólio das medidas.

A década de 1830 foi um marco na luta pela implantação do Sistema no Brasil. Havia muita relutância porque o projeto para adotar o sistema de pesos e medidas trazia textualmente que ele seria importado da França. Naquela época havia, no Brasil, por parte de muitos, uma ferrenha rejeição ao francesismo.

Os dois primeiros artigos do projeto diziam que o governo estava autorizado a importar da França o sistema em questão, bem como a adotar todos os meios necessários para sua efetivação.

Mas o projeto não vingou. Aproximadamente 20 anos depois o ministro da Fazenda adotou, oficialmente - ao contrário do esperado -, a polegada, o palmo, a vara, o grão e a arroba como elementos de medidas no país. Somente no início da década de 1860 é que o país passaria a adotar, de vez, o padrão universal de pesos e medidas.

Mas o Nordeste brasileiro não se entregou facilmente, não! Há registros de que depois de uma década que a lei estava em vigor, em vários estados nordestinos a população promoveu um verdadeiro quebra-quebra de balanças e outros objetos que eram adotados nas feiras pelos simpatizantes da nova lei.

O governo foi enérgico e somente 30 anos depois da lei em vigor é que os revoltosos acataram a determinação legal.

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sábado, 6 de novembro de 2010

LUTADOR É VISTO CARREGANDO UM TOURO SOBRE SEUS OMBROS

Erasmo de Rotterdam, famoso humanista da época da Renascença, nos contou um fato realmente digno de nota, embora ele não tenha sido o primeiro a citá-lo. Ele nos trouxe o exemplo quando tratava sobre a aprendizagem gradual das crianças.

Contou Erasmo de Rotterdam que havia, na Antiguidade, uma cidade da Magna Grécia, chamada Crotona, na qual nascera um grande lutador, que teria vencido cinco competições consecutivas de luta-livre.

A sua maior notoriedade era a força, que se destacava consideravelmente em relação à dos demais competidores.

O escritor narra como ele obteve tanta força. A fim de se exercitar, Milo amarrava um pequeno bezerro sobre seus ombros e dava voltas em torno de um estádio.

Mas não termina por aí. O lutador Milo fazia o mesmo exercício todos os dias, usando sempre o mesmo bezerro, que crescia lentamente sem que o lutador percebesse diferença de um dia para o outro.

E o objetivo do atleta era exatamente este: suportar o maior peso possível e adquirir tal capacidade de forma gradual.

O resultado não deu outra: foi visto várias vezes carregando o mesmo touro sobre seus ombros, o mesmo animal que, outrora, foi aquele pequeno bezerro que o auxiliou nos primeiros passos em busca da capacidade muscular ideal, segundo se buscava na época.

Erasmo usou o exemplo para defender que o ensinamento dado à criança deve ser proporcional à sua capacidade de suportá-lo, em cujo momento o escritor afirmou que de forma lenta e imperceptível a criança chegará à condição de suportar ensinamentos mais sólidos.

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quinta-feira, 4 de novembro de 2010

SANTO CATÓLICO É CONDENADO JUDICIALMENTE E AINDA LEVA SURRA COM VARAS

Dizem que num país europeu um homem entrou com uma ação judicial por danos morais contra Deus alegando que este não cumpriu acordo firmado com aquele. O processo teria sido arquivado depois que os oficiais de justiça atestaram que o requerido (no caso Deus) não foi encontrado.

Na Idade Média, não somente pessoas eram processadas judicialmente, como também animais domésticos, como registramos em outros momentos aqui mesmo no blog.

No Brasil, início do século 19, um santo católico se deparou com uma situação parecida. O problema é que ele já era falecido e, ante o estado de surdez, permaneceu em silêncio e teve todos os seus bens confiscados e ainda sofreu grande humilhação.

Vamos aos detalhes:

Na ocasião, um juiz brasileiro entendeu que os donos de escravos deveriam responder pelos crimes praticados por seus subordinados - no caso os escravos.

Como um escravo criminoso estava registrado em nome de Santo Antônio, o juiz entendeu por bem processar o referido santo, que chegou a ser intimado pessoalmente - ou melhor, por meio de sua estátua.

Isto mesmo! E depois de intimado e não tendo respondido à demanda, o juiz ordenou que ele, ou melhor, a estátua, fosse arrancada à força do altar.

Foi o que aconteceu. A estátua fora conduzida ao recinto onde se processaria o julgamento sob vara e sobre os lombos de um burro.

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terça-feira, 2 de novembro de 2010

PADRE CÍCERO ESTARIA NO PURGATÓRIO, NO CÉU OU NO INFERNO?

Padre Cícero estaria no Purgatório, no Céu ou no Inferno? É claro que a pergunta é impossível de ser cientificamente respondida, mas o que você lerá no final é uma dedução a partir das próprias palavras do padre, que deixou escapar algo - talvez - nada agradável levando em conta a teologia de sua denominação religiosa, no caso a Igreja Católica.

O catolicismo romano vem aceitando, desde longos séculos, a crença de que, ao morrer uma pessoa, rezas ajudam a amenizar seu estado espiritual, uma vez que a alma poderá estar sofrendo ou à espera de ser transportado do Purgatório para o Céu.

Está sedimentado no seio da referida denominação religiosa a crença de que velas acesas ajudam a clarear possível estado de escuridão em que se encontra o falecido. Daí o porquê de velas e rezas serem - na crença católica - o socorro pós-morte mais eficaz para resgatar a alma do defunto de eventual estado de perdição e sofrimento. Isto explica a prática do acende-velas no Dia de Finados.

Padre Cícero deixou um testamento (que por sinal está sendo transcrito neste blog), no qual ele se reporta a sua futura morte e deixa textualmente expressos alguns pedidos a todos os católicos em relação a sua alma.

O referido padre pediu que, depois que ele morresse, fossem rezadas sessenta missas em prol de sua alma e sessenta em prol daquelas que estão no Purgatório, cujo tempo de rezas deveria durar cinco anos, sendo 24 em cada ano - no caso duas por mês, uma para ele e outra para todas as demais almas.

Para tanto, o padre deixou razoável quantidade em dinheiro de sua herança especialmente para esse fim.

Sabendo-se que as rezas em prol dos que já morreram são, do ponto de vista da crença católica (fortemente compartilhada por ele), uma inequívoca afirmação de que a alma precisa ser resgatada para não ser condenada, é razoavelmente seguro afirmar que o próprio Padre Cícero tinha dúvidas quanto a sua condição espiritual depois de sua morte.

Em outras palavras: o significado teológico do pedido em questão contradiz suas palavras no mesmo testamento, quando ele diz estar com a consciência tranquila em relação às acusações que lhe pesavam.

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segunda-feira, 1 de novembro de 2010

2 DE NOVEMBRO: O DIA DOS ESQUECIDOS

No dia 1º de novembro os católicos comemoram o Dia de Todos os Santos e no dia seguinte, o Dia de Finados. Mas, enfim, por que o dia 2 de novembro pode ser chamado de "O Dia dos Esquecidos"?

Em outra ocasião vimos que no tempo em que foi oficialmente criada a Igreja Católica - século 4 -, não era consenso entre seus sacerdotes a crença de que os mortos poderiam interceder pelos vivos, de modo que a corrida aos sepulcros dos "santos" foi inclusive desestimulada.

Mas ainda assim a Igreja sancionou o que se tornou uma tradição, no caso a reverência àqueles que eram considerados mártires, cujo registro inicial de um dia destinado aos tais aponta para o século 4.

Mas havia um "porém". Por que somente os mártires deveriam receber um dia comemorativo? E quanto aos demais mortos?

Assim como Augusto invejou a Júlio César e batizou o oitavo mês de agosto em homenagem ao seu nome - e ainda acrescentou um dia para não ficar com um dia a menos do que o mês de julho -, os defensores dos mortos anônimos reivindicaram o mesmo direito de que desfrutavam os grandes mártires cristãos.

E foi dessa inveja que nasceu o Dia de Finados.

Como o Dia de Todos os Santos era comemorado em 1º de novembro, a Igreja entendeu por bem - oficialmente a partir do século 13 - designar o dia seguinte (no caso 2 de novembro) para se comemorar o dia de todos os mortos.

Interessante é que os "aniversariantes" do dia 1º eram reconhecidamente heróis, ao passo que os "aniversariantes" do dia 2 poderiam ser, inclusive, perseguidores dos heróis.

Em outras palavras, poder-se-á interpretar também que o morto que é alvo das orações no Dia de Finados pode ter sido até mesmo um candidato à perdição eterna, porquanto a oração aos mortos tem por fim resgatá-lo do purgatório, segundo se depreende do significado da teologia católica.

Ou seja: orar pelos mortos no Dia de Finados é reconhecer que o parente provavelmente não está em um local agradável.

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domingo, 31 de outubro de 2010

O JEITINHO BRASILEIRO PARA CONQUISTAR O VOTO EM PERÍODO ELEITORAL

O Brasil acaba de eleger sua primeira presidenta da República. Pela primeira vez na história do país uma mulher chega à cúpula do Poder Executivo. Mas por muito tempo a mulher foi deixada de lado quando o tema era eleição.

Na década de 40 do século passado, quando as mulheres já usufruíam do direito ao voto, muitos machões fizeram de tudo para atrair a atenção feminina.

Um dos tais foi o brigadeiro Eduardo Gomes, na eleição presidencial de 1945. O candidato da UDN lançou um slogan bastante inovador, cuja pretensão era mesmo atrair a atenção das mulheres brasileiras. A frase do candidato era:

"Vote no brigadeiro. É bonito. É solteiro."

Todo o esforço foi em vão e o pretensioso candidato perdeu as eleições para o futuro suicida, Getúlio Vargas.

Na década de 60 do mesmo século aconteceu outro fato curioso e digno de entrar para o rol dos mais engraçados. Desta vez estavam envolvidos os então presidenciáveis Jânio Quadros e Adhemar de Barros.

Os dois marcaram um comício para a mesma cidade, sendo que um agendou para o dia imediatamente posterior ao do outro.

O primeiro foi o de Adhemar, que no calor das palavras de palanque fez menção a um novo hospício. E proferiu a seguinte frase:

"Infelizmente, não foi possível internar todos os loucos. Um escapou e fará comício amanhã."

No dia seguinte foi a vez de Jânio Quadros, que, sabendo das palavras de seu rival, não deixou barato. No palanque, falando das penitenciárias, alfinetou o adversário:

"Não foi possível trancafiar todos os ladrões. Um escapou e fez comício aqui ontem."

Jânio Quadros, que chegou a afirmar que se alguém o visse dançando com mulher feia é porque ele estava em campanha eleitoral, foi o vencedor da disputa.

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sexta-feira, 29 de outubro de 2010

A TRANSIÇÃO DO PENICO PARA O VASO SANITÁRIO

O penico, que é bem mais antigo do que o vaso sanitário, foi criado para as mulheres, embora fosse utilizado por homens também. Dizem, por sinal, que o penico chegou a ser usado inclusive durante as missas realizadas no século 17 por um famoso padre francês, pois seus sermões, de tão demorados, faziam com que as mulheres disfarçadamente se utilizassem do valioso objeto.

Na Roma Antiga já havia banheiros públicos, embora fossem a céu aberto e sem divisórias, cujas construções eram sempre próximas aos córregos, para que os usuários pudessem se lavar em seguida.

Somente na segunda metade do século 16 é que surge o vaso sanitário, invenção de um poeta e tradutor inglês, que construiu em sua casa um dos aparelhos.

O projeto ficou tão famoso - embora incialmente não aceito - que a rainha da Inglaterra (Isabel I, filha de Henrique VIII e Ana Bolena) se deslocou à casa do poeta para conferir de perto a promissora invenção. De início a rainha rejeitou veementemente o vaso sanitário, pois o considerava imoral demais, mas acabou cedendo e encomendou um para o palácio.

Mas a moda não pegou, mesmo tendo a rainha à frente.

Inglaterra, França e Portugal não aprovaram a invenção e até o século 19 o jeito era atirar pela janela os dejetos, daí a frase "lá vai água!", comum na época em Portugal.

Somente três séculos depois é que estes países passaram a adotar o vaso sanitário, quando finalmente privadas e banheiros passaram a ser instalados dentro das casas, cujas práticas acabaram gerando dois avanços em matéria de saneamento básico, no caso os esgotos e o uso do papel higiênico.

E por falar em papel higiênico, os primeiros rolos surgidos na segunda metade do século 19 continham impressa uma sugestiva propaganda: "Macio como linho antigo".

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quinta-feira, 28 de outubro de 2010

TESTAMENTO DE PADRE CÍCERO (PARTE 6)

Abaixo, a sexta parte do testamento de Padre Cícero. A transcrição é fiel ao documento original, o que explica os vários erros gramaticais. No trecho abaixo o padre fala de sua carta enviada secretamente a Franco Rabelo. Acompanhe.

"E o meu amor á ordem foi tão manifesto que a despeito da má vontade do partido dominante para commigo, não hesitei em attender o pedido da população desta terra e autorisar que meu nome fosse apresentado para voltar ao cargo de prefeito deste Municipio, naquelle mesmo governo que me era sobremaneira hostil.

Quando em Novembro de mil novecentos e treze (1913) o meu amigo Doutor Flóro Bartholomeu da Costa, actual Deputado Federal por este Estado, o director politico desta terra, de volta ao Rio de Janeiro me informou que os chefes do partido decahido haviam resolvido reunir a Assembléa Estadual aqui, por ser impossivel a reunião em Fortaleza, em virtude da pressão exercida pelo partido governante, e dar-lhe a direcção do movimento reacionario, com a máior lealdade ponderei em carta reservada ao Coronel Franco Rabello sobre a vantagem da sua renuncia.

E assim procedi porque, sem de nada de mais grave propriamente saber (a não ser da reunião da Assembléa) percebi, pelos precedentes de violencia, do então governo, a possibilidade de uma lucta.

Não sendo porem attendido pelo então Presidente Coronel Franco Rabello, e não podendo este evitar que á sombra do seu nome fôssem commettidos actos de desatinos, entre os quaes barbaros assassinatos e espancamentos, considerei finda a aminha ardua tarefa afastando-me do campo de acção politica, deixando ao mesmo tempo que o Doutor Floro agisse segundo as ordens recebidas, já que não me era possivel poupar esta população laboriosa da triste condição de victima indefesa."

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