terça-feira, 31 de agosto de 2010

ALUNOS FAZEM PEGADINHA COM IMPERADOR BRASILEIRO

Medeiros e Albuquerque é o autor da letra do Hino da República. Foi aluno do Colégio Pedro II e testemunhou um fato cômico envolvendo a maior autoridade do país.

O imperador D. Pedro II - como é de conhecimento de muitos - era um amante da leitura e de fato foi um incentivador da busca pelo conhecimento.

Acompanhava de perto não só a admissão dos alunos que passavam a estudar no famoso colégio, mas também a aplicação das provas e a seleção dos funcionários. Fazia questão ainda de acompanhar de perto a produção intelectual dos professores e ex-alunos.

Frequentemente visitava o colégio, em cujas oportunidades vistoriava todos os departamentos da escola. Nem os dormitórios nem a cozinha ficavam de fora.

Certa vez quando visitava o colégio, os alunos decidiram preparar uma peça no imperador. Só havia um local da área que pertencia ao colégio que não era conhecido por D. Pedro II: um chiqueiro que ficava nos fundos da escola.

Quando caminhava no corredor de bambus, que ficava nos fundos da referida escola, um dos alunos abriu a porta do chiqueiro e liberou todos os porcos. Ocorre que o monarca estava usando uma calça branca, costumeiramente selecionada quando visitava o colégio.

Surpreendido com a fuga em massa dos suínos, D. Pedro II não viu outra alternativa senão abrir as pernas, por onde passaram todos os porcos.

Além do susto, o imperador teve a calça manchada pelos animais. Enfurecido, mandou destruir o chiqueiro, que deu lugar a um espaço para recreios e para plantação de flores e legumes.

O velho imperador era mesmo um apaixonado pelo colégio que levava seu nome. Em carta a José Bonifácio escreveu: "Eu só governo duas coisas no Brasil, a minha casa e o Colégio Pedro II."

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segunda-feira, 30 de agosto de 2010

CONHEÇA A DOUTRINA FILOSÓFICA QUE LEVOU O HOMEM A NÃO FAZER SEXO COM SUA ESPOSA

Já vimos que a religião foi capaz de sufocar o sexo entre marido e mulher. Mas creditar à filosofia tal postura deve ser algo estranho para muitos. Abaixo veremos alguns exemplos. Vamos à história então.

Estoicismo é o nome dessa doutrina filosófica. Nasceu na Grécia e se expandiu com o Helenismo.

No período em que durou o Império Romano a referida doutrina estava bastante em voga, tendo, inclusive, influenciado homens de grande reputação no mundo romano.

Um dos pilares do estoicismo sustenta que o ser humano deve ser indiferente aos apelos e paixões externos. Resignação e perenidade ante os desafios da vida são grandes objetivos a serem alcançados pelo estoico.

Assim, o homem sábio é aquele que consegue aceitar a lei natural da vida, ainda que para isto tenha que se desfazer do que é comumente aceito como algo bom e prazeroso para o ser humano.

O estoico passou a encarar o casamento com o fim de procriar e somente procriar. O prazer deveria ser colocado em segundo plano. Aliás, ceder às tentações sexuais era uma forma de furtar o homem da sabedoria, da racionalidade.

Catão, um famoso político romano que viveu no período republicano, evitou fazer amor com sua esposa antes de partir para a guerra. Curiosamente, ele havia emprestado a esposa temporariamente a um amigo.

Pompeu, famoso membro do Primeiro Triunvirato, embora não fosse oficialmente estoico, deixou-se influenciar pela doutrina e se negou a ter relações com a esposa antes de partir para a guerra.

Mas por que tal abstinência? Porque o homem de bem, segundo o estoicismo, deve vigiar nos menores gestos. Ceder aos desejos da carne seria uma atitude imoral.

Se um estranho perguntasse a um estoico o porquê de não fazer sexo em tais condições (antes de partir para a guerra), o estoico responderia com uma pergunta: "Mas por que fazer?"

O estoicismo chegou a mexer com a cabeça de alguns dos Pais da Igreja. O famoso Clemente de Alexandria chegou ao ponto de recopiar prescrições conjugais de um estoico chamado Musônio. O interessante é que dissimuladamente não mencionou o nome do autor, dando a entender, assim, que se tratava de uma prescrição sua.

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domingo, 29 de agosto de 2010

NARIZ DE CHARLES DARWIN QUASE O IMPEDIU DE VIAJAR À AMÉRICA DO SUL

Charles Darwin, o pai da Teoria da Evolução, por muito pouco não deixou de embarcar no navio Beagle, que circundou a América do Sul, cuja viagem fora fundamental para o naturalista escrever sua maior obra, A Origem das Espécies.

No dia 29 de agosto de 1831, Darwin soube, através de uma carta, que o capitão do navio Beagle, FitzRoy, estava em busca de um companheiro de viagem instruído para auxiliar o naturalista da expedição a cartografar as costas da América do Sul.

Assim que soube, Darwin ficou empolgado. Pediu permissão ao pai, mas este discordou da pretensão do filho. Ante a insistência deste, impôs uma condição: se algum homem de bom senso recomendasse a viagem, Charles estaria liberado para seguir seu desejo.

O naturalista viajou 30 quilômetros a fim de conversar com um dos tios, na tentativa de convencê-lo a justificar para seu pai (de Darwin) as vantagens da expedição à América do Sul. O jovem levou um longo questionário de objeções feitas pelo pai, as quais foram uma a uma respondidas pelo tio.

Enfim, o pai autorizou a viagem. Restava convencer o capitão FitzRoy, que era politicamente adversário de Darwin.

Charles teria impressionado o capitão logo no primeiro encontro. Ainda assim Darwin não se sentiu seguro. Leiamos o que o naturalista relatou em sua Autobiografia:

"Mais tarde, soube que quase não fora incluído por causa do formato de meu nariz! Fiel discípulo de Lavater, [FitzRoy] pensava poder avaliar o caráter de um homem a partir de suas características morfológicas. Dessa forma, ele duvidava que alguém que tivesse um nariz como o meu possuísse energia e determinação suficientes para a viagem."

Darwin acabou ficando no lugar do naturalista oficial do Beagle. Durante os cinco anos da expedição dormiu em rede, que ficava pendurada sobre a mesa. Caiu muitas vezes. Tinha dificuldades para dormir. Ainda assim repultou a viagem como indispensável para escrever a obra que dividiu e mexeu com todo o mundo.

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sexta-feira, 27 de agosto de 2010

BRASILEIROS FORAM ROTULADOS DE PREGUIÇOSOS E IGNORANTES

Estima-se que, até meados do século passado, centenas de estrangeiros haviam escrito algo sobre o Brasil, cujas narrativas abordavam a sociedade, a cultura, as paisagens, a geografia, a riqueza, a pobreza . . .

Grande parte deles registraram seus feitos nas primeiras décadas após a chegada da corte portuguesa ao Brasil. Abaixo leremos duas transcrições sobre como o país foi visto aos olhos desses estrangeiros nas primeiras décadas do século 19.

"O Brasil não é um lugar de literatura. Na verdade, a sua total ausência é marca pela proibição geral de livros e a falta dos mais elementares meios pelos quais seus habitantes possam tomar conhecimento do mundo e do que se passa nele. Os habitantes estão mergulhados em grande ignorância e sua consequência natural: orgulho."

Outro, por sua vez, assim retratou sua impressão sobre nós:

"Neste país de analfabetismo, não se encontra ninguém que tenha intimidade com a noção de ciência. Aqui, a natureza tem feito muita coisa - o homem, nada. Aqui, a natureza nos oferece inumeráveis temas de estudo e admiração, enquanto os homens continuam a vegetar na escuridão da ignorância e na extrema pobreza, consequência apenas da preguiça."

Enquanto o Brasil ainda estava entregue à falta de leitura, a Europa já dispunha de vasta literatura, não somente de grandes nomes ligados àquele passado como de autores gregos e romanos.

Tanto na Europa como nos Estados Unidos já havia a cultura de que a leitura pode mudar os destinos de uma sociedade.

Somente de forma gradativa é que o Brasil foi se conscientizando da necessidade de promover a leitura, bem como de obter uma própria identidade, a exemplo da fundação do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, em 1838.

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quarta-feira, 25 de agosto de 2010

A GULA E A BARRIGA GRANDE JÁ FORAM ASSOCIADAS À NOBREZA E À PROSPERIDADE

A fotografia foi inventada e se desenvolveu no século 19. E virou moda. Todo mundo queria ser fotografado e o jeito era se embelezar da maneira que podia.

Os homens, no entanto, já sabiam o que eles consideravam ser o mais atrativo: a barriga.

Era comum os homens serem fotografados esticando a barriga para frente, uma vez que o desejo era passar a impressão de que estava gordo, muito gordo. Alguns, até, faziam questão de ser fotografados de perfil, porque só assim a barriga parecia maior.

A explicação estava no fato de a gordura ter sido associada à fartura, à prosperidade, à riqueza. E os empresários mandavam ver mesmo!

Um dos empresários que não tinha cerimônia na hora de comer era Diamond Jim, atuante na rede de ferrovias. Além de crescer rápido financeiramente, defendia que uma boa refeição era aquela que somente deveria terminar quando sua barriga encostasse na parede.

Luís XIV, da França, considerava a si próprio o inventor da culinária francesa. Seus banquetes duravam muitos dias, cuja variedade de pratos chegava a mais de vinte por refeição.

Mas num passado mais distante a gula estava associada a muitas coisas ruins. Ainda no primeiro milênio de nossa era surgiu uma lenda que associava a gula ao capeta.

Eis a lenda: depois do acordo com o diabo, um homem deve optar entre cometer estupro, se tornar assassino ou ser guloso, cuja bebida preferida deve ser o álcool.

Depois de algum instante de muita comida e bebida, um homem matou o pai e estuprou a mãe.

Ou seja: deveria fazer apenas uma das três opções, mas acabou comendo muito, matando e estuprando. Moral da história: a gula é a porta de entrada para muitos pecados.

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segunda-feira, 23 de agosto de 2010

DIÁRIO OFICIAL: OS MOTIVOS HISTÓRICOS DA ORIGEM DA PUBLICAÇÃO DOS ATOS PÚBLICOS

Um dos princípios constitucionais que regem a administração pública brasileira diz respeito à publicidade dos atos públicos. Ou seja: o prefeito, o governador, o presidente da República, o presidente de tribunal e o presidente do legislativo têm o dever constitucional de publicar seus atos públicos.

A origem é romana, de onde herdamos muita coisa em relação ao Direito.

Suetônio, historiador romano, nos diz que Júlio César (100 a 44 a.C.) “ao investir-se nas funções do seu cargo, estabeleceu, antes de mais nada, que se desse publicidade tanto dos atos do Senado quanto dos atos do povo.”

Mas qual a raiz histórica dessa decisão do general Júlio César? Quando compunha o Primeiro Triunvirato, e depois que venceu a Crasso e a Pompeu, César passou a governar sozinho a velha Roma.

Os governadores das províncias tinham grande liberdade governamental, cuja liberdade proporcionava constantes atos de crueldade, perseguições e roubos aos cofres públicos. A situação chegou ao extremo, a ponto de Júlio César intervir, diretamente, na administração local.

Uma das medidas foi a obrigatoriedade do governador publicar minuciosamente todos os seus atos governamentais. Desta forma César entendeu que não somente o povo local como ele próprio teriam condições de acompanhar o que ocorria nas províncias.

A decisão valeu, inclusive, para a sede do Império (na verdade fim da República e início do Império), envolvendo, ainda, o próprio Senado. Daí teria surgido o Diário Oficial do Senado, com o título de Atos do Senado (segundo Suetônio) ou Comentários do Senado (segundo Tácito).

Havia, ainda, o Acta Diurna Populi Romani, Diário Oficial, manuscrito e publicado em Roma desde os tempos de Júlio César. Era o Diário Oficial do Império. Tácito faz alusão a ele como sendo o Diário do Povo Romano e o Diário da Cidade.

As cópias - todas manuscritas -, eram afixadas em locais de fácil visualização, como no Fórum e demais repartições públicas, assim como ocorre hoje nos municípios brasileiros (por sinal, é inadmissível, em pleno século XXI, que os prefeitos não tenham instituído Diários Oficiais próprios).

A medida pegou para valer. Todos os atos governamentais eram minuciosamente publicados, até mesmo a decisão do imperador Cláudio de criar três novas letras para o alfabeto romano (que não vingou).

As cerimônias oficiais eram divulgadas nos diários oficiais. De praxe o povo sabia quando o imperador iria se reunir com alguma autoridade, graças à publicação. Uma autoridade consular, por sua vez, deveria registrar seus feitos nos Anais.

Virou moda mesmo (se por medo, se por modismo) o registro na velha Roma. Até os oficiais dos palácios estavam obrigados a fazer relatório do que ocorria no decorrer do dia. Tais relatórios eram os únicos registros não publicados nos diários, pois serviam apenas para o imperador se inteirar do dia a dia palaciano.
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domingo, 22 de agosto de 2010

UM DOS PENSAMENTOS CONSAGRADOS DE DESCARTES SURGIU A PARTIR DE UM PEDIDO FEITO POR UMA PRINCESA RECONHECIDAMENTE ERUDITA E BELA

Assim como Voltaire, Tycho Bahe, Spinoza e muitos outros, Descartes despertou o interesse e a curiosidade de reis, rainhas . . . e de princesas.

O filósofo manteve com a princesa da Boêmia intensa e duradoura correspondência, de modo que havia especulação sobre evental romance entre os dois.

Descartes dizia que a princesa Elisabete tinha um saber variado e perfeito. Contemporânea de Spinoza e Leibniz, ela se antecipou a eles e conseguiu compreender com mais afinco os problemas conceituais de René.

Possuidora de grande conhecimento de história e de filosofia, Elisabete debatia com Descartes sobre grandes pensadores. As obras e pensamentos de Sêneca e Maquiavel eram os temas favoritos da princesa. Sobre este último, o casal o estudou a partir da obra original (em italiano), pois os dois dominavam várias línguas.

O filósofo dizia que a princesa era detentora de um conhecimento superior ao de muitos dos velhos homens de letras, cuja erudição era somada à beleza da monarca.

A pedido dela, ele passou a estudar sobre as paixões humanas. Em 13 de setembro de 1645 ela lhe escreveria nestes termos:

"Gostaria que estudasse as paixões para melhor conhecê-las: os que as chamam de perturbações da alma me convenceriam de que a força delas consiste apenas em cegar e submeter a razão, se a experiência não me mostrasse que são elas que nos conduzem a ações razoáveis."

Foi a partir desse estudo que Descartes chegou à afirmação de que a paixão é um fenômeno puramente natural, o que terminou por introduzir, assim, uma concepção laica e naturalista dos fenômenos ligados à psiquê humana.

Quando o filósofo foi morar na Suécia - a convite da rainha -, ele descreveu a dita rainha com muitos elogios. A princesa boêmia, por sua vez, mostrou seu profundo respeito e maturidade, ao se dirigir ao filósofo assim:

"Não penses que essa descrição me dê motivo para ciúme: ao contrário, essa imagem de uma pessoa tão próxima da perfeição, que livra o nosso sexo da imbecilidade e da fraqueza que os pedantes pretendem atribuir-lhe faz com que eu me estime ainda mais."

Em outros termos, a culta princesa Elisabete sentiu-se honrada por saber que outras mulheres ajudavam a silenciar os argumentos machistas de que elas são o sexo frágil.

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sexta-feira, 20 de agosto de 2010

RAPIDINHAS SOBRE FAMOSOS DITOS INTELECTUAIS

O filósofo Hegel, certa vez, teria chegado à sala de aula com apenas um sapato. O outro? Ficou submerso em um poço de lama, enquanto ele se dirigia à faculdade. O curioso é que ele não teria percebido a ausência do sapato fujão: é que o filósofo estava tão distraído em seus pensamentos que não notou o ocorrido.

Einstein, o famoso cientista do século XX, adorava andar de bicicleta. Teve que se render aos conhecimentos de sua esposa, que era uma excelente matemática. Especula-se que ela teria dado uma mãozinha ao cientista em seus cálculos sobre a Teoria da Relatividade. Eistein foi um amante do mundo feminino: era chegado a um rabo de saia

Kant era altamente formal, ritualista. Dizia-se que, aquele que pudesse observar o cotidiano do filósofo não necessitaria de relógio, pois ele fazia tudo no mesmo horário. Era metódico em tudo, sem falar que, ao contrário do pensamento corrente na época, não viajou, limitou-se a sua região.

Descartes, por sua vez, foi um caixeiro-viajante. Viajou muito, residiu em muitos lugares diferentes. Aproveitou para estudar a cultura de cada local. Quando percebia que o ambiente não lhe era favorável, tratava de mudar de cidade, inclusive de país (se preciso fosse).

Nietzsche, quando já estava louco, teria flagrado sua irmã chorando e olhando para ele. O filósofo teria indagado a irmã sobre o porquê do choro e concluído com uma pergunta: "Não somos felizes?"

Sócrates não gostava de trabalhar: vivia à custa dos amigos. Parece não ter ligado muito para a esposa, o que não a impediu de chorar copiosamente quando ele foi condenado. O filósofo tinha, também, o hábito de colocar as mãos no nariz. Não era dado à higiene.

Platão gostava de uma festinha. Mesmo sendo rico, não se incomodava e sempre que podia marcava presença nos aniversários dos discípulos e amigos. Certa vez fora convidado a uma dessas festanças. Participou ativamente e entrou pela madrugada. Sentiu-se cansado e se retirou um pouco a um lugar mais privado, onde acabou dormindo sobre uma cadeira. Quando foram acordá-lo, pela manhã, o filósofo não respondeu: estava morto.

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quinta-feira, 19 de agosto de 2010

INSCRIÇÃO REVELA O DIA A DIA DE UM TÍPICO BORDEL ROMANO

Leiamos a inscrição, que trata de uma conta de motel (asse era uma moeda romana).

" - Estalajadeiro, façamos as contas.
- Tu tomaste uma dose de vinho: um asse; uma refeição: dois asses.
- Certo.
- Pela rapariga: oito asses.
- Confere.
- A planta da mula: dois asses.
- Essa mula ainda vai me levar à ruína."

O típico cabaré romano era composto pelo térreo e pelo 1º andar. A parte de baixo era o local onde os clientes bebiam, se alimentavam e jogavam dados.

O dono do prostíbulo geralmente buscava dançarinas novas e atraentes, a fim de que pudessem distrair os fregueses, enquanto estes consumiam e aumentavam suas despesas no motel. Como vimos na inscrição acima, havia gastos até com a mula.

Quando um freguês se animava, pedia uma prostituta e se dirigia ao quarto, que ficava no cômodo superior.

Propagou-se entre os frequentadores de bordéis o hábito de registrar e de avaliar o desempenho das prostitutas. O registro acontecia, de praxe, nas paredes dos quartos. Pela inscrição transcrita acima é de se imaginar que a noite lhe trouxe algo de negativo: a despesa com a mula, o que pode ser uma forma de dizer que no fundo não valeu a pena.

Os prostíbulos situavam-se, em sua grande maioria, em ruelas da velha Roma. Nestes ambientes - considerados os mais devassos - era fácil de se ver mulheres nuas ou seminuas em frente aos ditos prostíbulos. Geralmente ficavam sobre bancos de madeira, à espera de fregueses que a analisassem.

Nos prostíbulos mais pobres, quando um casal entrava para o quarto, era comum um curioso ficar observando e ouvindo o que acontecia dentro desses quartos, que eram fechados com panos.

Todavia, um ramano considerado de bem, não deveria frequentar esses locais, além do quê eram frequentes as reclamações de doenças sexualmente transmissíveis.

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quarta-feira, 18 de agosto de 2010

ELE ENTROU PARA A POLÍTICA E PROMETEU DEIXÁ-LA EM 3 MESES, MAS AOS 67 ANOS, MORREU COM A ESPERANÇA DE SER PRESIDENTE DO BRASIL

Recentemente pesquisas apontaram o baixo índice de credibilidade dos políticos junto da população brasileira. Afinal, por que é tão vantajoso entrar para a política? Não tentaremos responder a esta pergunta aqui, mas apenas relatar a história de um fato curioso sobre um dos políticos mais conhecidos do Brasil.

Aos 33 anos Ademar de Barros fora convidado, por um tio, a se candidatar ao cargo de deputado estadual pelo Estado de São Paulo. Ele aceitou, mas impôs uma condição: se eleito, deixaria o cargo em três meses para voltar ao curso de medicina.

Foi eleito, e passados os três meses, seu tio se dirigiu a ele a fim de cobrar a promessa feita. Ouviu como resposta o seguinte:

"Cumprirei o mandato até o fim. Tomei gosto pela danada."

Foi interventor e depois governador pelo Estado de São Paulo e aspirou à Presidência da República.

Quando Vargas instalou o Estado Novo, as Assembleias Legislativas estaduais foram dissolvidas, e, juntamente com ela, seu cargo de deputado. Ainda assim conseguiu ganhar do presidente o cargo de interventor.

O motivo que o teria levado à referida nomeação está ligado ao fato de Ademar de Barros ter denunciado ao chefe da polícia do Estado Novo nomes de supostos conspiradores. Como se vê, seu gosto pela política foi longe mesmo!

Tornou-se símbolo dos políticos populistas. Em maio de 1938 a imprensa paulista publicou uma matéria dando conta que o interventor começava a trabalhar muito cedo do dia e somente deixava o serviço altas horas da madrugada.

A fim de comprovar a versão, um repórter teria ligado para a sede do governo às 2 horas da manhã. Surpresa: o próprio Ademar de Barros atendeu o telefonema, sob a alegativa de que ainda estava trabalhando, mesmo tendo entrado no serviço às 7 horas da manhã.

Fez grandes obras: Via Anchieta, Anhanguera, Hospital das Clínicas, Aeroporto de Congonhas.

Foi denunciado por peculato e enriquecimento ilícito. Teria comprado onze automóveis e vinte caminhões de uma grande multinacional e, uma vez efetuado o pagamento, pedido à montadora que refaturasse os veículos em nome de outras empresas.

Só assim os carros e caminhões teriam sido doados aos parentes e amigos.

O velho slogan "Rouba, mas faz", foi cunhada a partir de uma frase que Ademar teria pronunciado. Velho inimigo de Jânio Quadros, ajudou a derrubar o presidente Jango e a instalar a Ditadura no país. Decepcionado com os ditadores, se afastou deles antes de morrer, em 1969.

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terça-feira, 17 de agosto de 2010

BRASIL: A DÉCADA EM QUE O ESTADO MAIS DESEJOU QUE TODOS OS HABITANTES DE PELE NEGRA SE CASASSEM COM BRANCOS

O que você lerá abaixo é um trecho de um discurso de um ex-presidente da República quando ainda era candidato à Presidência do Brasil. Ei-lo:

"Durante muitos anos, encaramos a imigração exclusivamente sob os seus aspectos econômicos imediatos; é oportuno entrar a obedecer ao critério étnico, submetendo a solução do problema do povoamento às conveniências fundamentais da nacionalidade."

Atentemos, leitores, à expressão "conveniências fundamentais da nacionalidade". Durante muito tempo se defendeu, no Brasil, que, dos motivos que impediam o crescimento do país, um deles estava ligado à raça negra. Em outras palavras, o Brasil não crescia porque grande parte da população brasileira era composta por negros. A meta seria, portanto, aumentar o número de brancos no país.

O discurso acima fora proferido por Getúlio Vargas, em 1930. Seu governo foi um marco na tentativa de restringir a imigração de povos considerados inadequados para compor a sociedade brasileira.

Negros, judeus, japoneses, indígenas, orientais, doentes mentais e portadores de doenças físicas não eram bem-vindos ao país. Os judeus, por sua vez, eram considerados "inassimiláveis" pelas autoridades do Brasil. Segundo estes, aqueles eram indesejados pois acreditavam que os mesmos tinham tendência a não se miscigenar com a população negra do país.

Portugueses e suecos eram considerados os mais adequados, pois eram mais dados ao casamento com negros, principalmente os portugueses, estes analisados, ainda, como a matriz das raças que compõem o Brasil.

Outro motivo para o intenso desejo pela vinda dos portugueses diz respeito ao fato de se acreditar que os mesmos eram menos radicais do que outros europeus, como os alemães, franceses e austríacos, que, em pouco tempo no país, já haviam publicado artigos considerados perigosos aos interesses do governo.

Curioso é saber que no final do século anterior (XIX), propagou-se a ideia de que o branco que se casasse com negro não teria netos. A explicação era a seguinte: o mulato (filho de branco com negro) equivale à mula (filho de jumento com égua). Como a mula não gera filhos, da mesma forma o mulato também não geraria filhos.

Daí a associação da palavra mulato à palavra mula. Incrível, mas tudo isto aconteceu em nosso país!

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segunda-feira, 16 de agosto de 2010

A ORIGEM DA ASSOCIAÇÃO DOS MUSEUS À MEMÓRIA, À HISTÓRIA E AO PASSADO

Sempre que ouvimos falar em museus ou mesmo quando entramos em um deles, somos levados a associá-los ao passado, à história, à memória. Eis a interessante origem desta associação.

Os antigos romanos - que foram mestres na arte de valorizar a memória - gostavam de contar a lenda sobre um poeta grego chamado Simônides de Céos. Atentemos para cada detalhe desta lenda e seu desfecho final. Eis um breve resumo:

O poeta Simônides fora convidado pelo rei de Céos a compor um poema em sua homenagem. Ocorre que, na ocasião da leitura oficial, dedicou o dito poema ao rei e a dois deuses. Terminada a cerimônia, o poeta se dirigiu ao rei a fim de receber o pagamento pelo trabalho efetuado. O rei afirmou que somente pagaria a metade do combinado e que a outra metade fosse cobrada dos deuses, já que ele lhes havia dedicado o poema.

Antes mesmo de sair do palácio (onde acontecia a cerimônia), um mensageiro se aproximou do poeta e lhe transmitiu um recado: dois jovens o esperavam do lado de fora. Simônides, o poeta, se dirigiu aos jovens, fora do palácio (que veio a desmoronar, em seguida, matando a todos os presentes).

Os dois jovens que haviam convidado o poeta pagaram a outra metade e se apresentaram como sendo os deuses a quem lhes foi dedicado parte do poema.

Os familiares dos mortos, desesperados porque não conseguiam reconhecer seus parentes, procuraram Simônides, o único sobrevivente. Como o poeta tinha uma boa memória, passou a descrever minuciosamente as roupas de todos os convidados, bem como os lugares onde cada um estava no palácio.

Tal lembrança teria levado à criação da arte da memória como um palácio (depois museu) com lugares nos quais são colocadas as imagens correspondentes, assim como hoje os museus estão divididos em seções próprias, cada uma destinada a um tipo de memória.

A palavra museu está associada à palavra musa, por sua vez deusas gregas. Uma das musas, Clio, era a patrona da História, daí a associação da palavra museu ligada à história, ao passado.

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domingo, 15 de agosto de 2010

O POLÍTICO QUE DESEJOU CASTRAR SEU AMANTE PARA TRANSFORMÁ-LO EM MULHER

Até hoje ainda é difícil saber se foi Calígula ou Nero quem mais praticou atos libidinosos enquanto imperador. Nero, que governou por muito mais tempo, carrega em seu histórico muitos exemplos, alguns dos quais serão expostos abaixo.

O imperador chegou a tirar a virgindade de uma Vestal, considerada uma mulher bela e reservada exclusivamente para a religião, assim como as freiras.

Amou muitos homens. A um deles, Esporo, parece ter amado com mais intensidade. Queria transformá-lo em mulher, de modo que tentou, várias vezes, arrancar os testículos do rapaz.

Apaixonado, Nero se fez acompanhar do amante em muitos locais, inclusive em cerimônias oficiais. Fazia questão de desfilar com ele nas liteiras.

Nero o tratou como uma verdadeira mulher, de modo que o vestia com roupas femininas, tendo comparecido juntamente com ele às assembleias e aos mercados da Grécia.

Em todos os locais que compareciam juntos, o imperador fazia questão de beijar o amante, de modo que todos pudessem contemplar seus momentos íntimos.

Apaixonou-se, também, por um liberto chamado Dorífero, com quem Nero realizou muitas de suas fantasias sexuais, sendo o imperador a mulher na relação. Quando se relacionava com Dorífero, Nero imitava os gritos e gemidos das virgens quando estão perdendo a virgindade.

Insaciável, Nero ordenou a matança de animais ferozes somente para retirar sua pele, com a qual ele se cobria para simular uma relação sexual com o referido animal, cumprido Nero papel passivo na relação.

Outras vezes, desejando um amor sádico, o mesmo imperador se trancava em jaulas e ao sair, se atirava aos pés de homens e de mulheres, praticando com eles, na mesma hora, o sexo oral.

Quando um caso judicial lhe chegava, e se a acusação fosse sobre práticas obscenas, o imperador perdoava aos transgressores, afinal, para ele, o ser humano é hipócrita, hábil dissimulador de seus vícios sexuais, cujos hábitos o imperador não se esforçou em escondê-los.

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sexta-feira, 13 de agosto de 2010

O PRIMEIRO OBSERVATÓRIO FEITO SOB ENCOMENDA SERVIU DE MORADIA, DE BIBLIOTECA, DE ENCONTROS DE FAMOSOS E ENTRETENIMENTO À BASE DE CERVEJA

No dia 8 de agosto passado fez 434 anos que foi dado início à construção do primeiro observatório feito sob encomenda, a pedido do astrônomo Tycho Brahe (1546 - 1601 d.C.), professor de Kepler (responsável pela descoberta dos movimentos elípticos dos astros).

Tycho foi um astrônomo famoso e respeitado em seu tempo. Fiel à Bíblia (pois ele acreditava na versão do Velho Testamento, o qual afirmava que Deus havia parado o Sol, de cuja narrativa se deduziu que era a referida estrela que girava em torno da Terra), demonstrava-se cético em relação à teoria de Copérnico acerca do heliocentrismo, tendo ele optado pelas teorias de Ptolomeu, diferentemente de Kepler, que aderiu de corpo e alma à versão de Copérnico.

Dono de uma biblioteca particular de mais de três mil volumes, levou todo o material para o observatório, onde passou a residir, já que o edifício havia sido adaptado para esse fim, inclusive apto à acomodação de muitas pessoas. O Estado gastou uma fortuna para atender aos apelos do astrônomo.

Tycho Brahe e seus colegas astrônomos se levantavam às 4 da manhã. O dia era dedicado às pesquisas, à leitura e ao lazer. Um anão humorista fora convidado a residir no observatório a fim de entreter os moradores, de modo que ele passou a ser um atrativo para os visitantes. Cervejas e vinho não faltavam para os moradores e convidados

Frequentemente havia debates naquele ambiente de estudo. O principal deles girava mesmo em torno do heliocentrismo e do geocentrismo. Os observadores e visitantes se inquietavam com as frequentes dúvidas em torno dos enigmas que surgiam a todo instante, sem falar que debatiam sobre temas ligados ao dia a dia, como as disputas entre católicos e protestantes.

O observatório e o astrônomo atraíram a atenção de muitos europeus, tanto que homens considerados ilustres saíam de seus países somente para contemplar de perto o ambiente e alguns dos debates. Dois reis, por sinal, fizeram questão de marcar presença.

Aos poucos Brahe foi perdendo o financiamento do Estado e em 1597 abandonou o observatório, que foi destruído no início do século XVII. Ficava entre a Dinamarca e a Suécia.

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quinta-feira, 12 de agosto de 2010

A CRIANÇA DE COLO QUE SÓ PARAVA DE CHORAR QUANDO LHE ENTREGAVAM UM LIVRO

O feito extraordinário foi testemunhado pelo conhecido humanista Erasmo de Rotterdam (1466 a 1536 d.C.).

Erasmo atestou que conheceu uma criança de colo (ainda não falava) que tinha prazer em tocar e folhear livros. Sempre que estava com um livro em seu poder, a criança fazia de conta que o lia, e assim procedia por horas, sem demonstrar nenhum enfado.

Se por algum motivo a criança chorava, bastava alguém lhe entregar um livro e o choro cessava imediatamente.

Erasmo lamentou não saber qual o destino daquela criança, mas afirmou que seus pais (do bebê) se orgulhavam demasiadamente do filho que tinham, bem como se alegrou pelo fato de saber que o filho se chamava Jerônimo (pois Erasmo tinha respeito pelo dito estudioso cristão, tendo traduzido algumas de suas obras).

Erasmo de Rotterdam aproveitou para dissertar sobre a importância da educação, principalmente a dirigida aos pequenos.

Defendeu que elas aprendessem de forma espontânea (certamente o humanista se lembrou dos momentos de terror que ele mesmo testemunhou nos colégios franciscanos da época, habituados à tortura de crianças, cujo método os religiosos consideravam eficazes).

O educador era um ardente apologista do aprendizado interativo e permanente, pois estava convicto de que o estudo não é acidental. Segundo ele, a erudição não tem fim, mas se aperfeiçoa sempre, de modo que na pedagogia de Erasmo, a vida é o estudo e o estudo é a vida.

Defendeu ainda que os professores fossem cuidadosamente selecionados, atentando-se para a aptidão e para a frequência dos mestres em sala de aula. Na época era comum professores indisciplinados, poucos afeitos aos deveres que lhes eram próprios.

Erasmo chegou a escrever uma frase que se transformou numa bandeira da arte e da filosofia da educação:

"Mesmo aqueles que a natureza destinou que fossem plebeus, humildes de nascimento e até rústicos, todos aqueles deveriam compensar com o brilho dos hábitos as deficiências da sua categoria social. Ninguém pode escolher os próprios pais ou a própria pátria, mas cada qual pode modelar a sua personalidade pela educação."

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quarta-feira, 11 de agosto de 2010

MAGISTRADOS EUROPEUS NÃO QUERIAM MORAR NO BRASIL E, UMA VEZ NO PAÍS, ERAM OBRIGADOS A MORAR NOS SUBÚRBIOS DA CAPITAL

O primeiro tribunal instalado no Brasil se deu em Salvador, Bahia, então capital da colônia. Chamava-se Tribunal da Relação, o mesmo nome dos tribunais portugueses. Instalou-se no século XVII.

As primeiras tentativas de instalação do tribunal no país ocorreram por volta de 1587. No ano seguinte alguns desembargadores foram enviados ao Brasil, mas uma tempestade os obrigou a retornar a Portugal.

Mais difícil do que a tempestidade foi convencer os ditos desembargadores a residirem no Brasil. Acostumados a uma vida próspera e desfrutando de algumas regalias, os magistrados interpretaram que a transferência para um país da América do Sul seria um regresso, afinal, a visão que se tinha naquela época era a de que o Brasil estava repleto de doenças e de nativos violentos, indoutos. . . enfim, um povo sem cultura.

Outra dificuldade apontada pelos magistrados dizia respeito ao estudo do próprio direito em si. Enquanto na Europa havia um crescimento contínuo pelo estudo na área jurídica, os juízes sabiam que o Brasil era um país sem lei, sem tradição jurídica.

Para comporem o primeiro tribunal no Brasil, foram enviados 10 desembargadores. O presidente se chamava Chanceler. Um dos desembargadores deveria cuidar somente de causas que envolviam defuntos e desaparecidos. Estranho mesmo!

Havia claras recomendações para que os magistrados não fossem subornados. Na época se acreditava que residindo longe do centro da cidade as chances de corrupção seriam menores. Assim foi feito. Os juízes residiam nos arredores da cidade.

Mas há indícios de que o primeiro tribunal instalado no país se deixou corromper. Aliás, era uma prática comum, principalmente na Europa. No mesmo século havia um costume bastante sedimentado em alguns países do Velho Mundo relacionado à prática de se dar presentes aos juízes. Quem tinha uma causa na Justiça se sentia no dever de agradar aos magistrados com presentes.

O famoso filósofo Francis Bacon, por sinal, foi acusado por um dos litigantes de receber propina para julgar a causa em prol do autor da corrupção. Chegou a enviar ao rei inglês sua confissão e humilde submissão. Foi preso e depois perdoado pelo rei.

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terça-feira, 10 de agosto de 2010

O NASCIMENTO DE REVISTAS PORNOGRÁFICAS E SEUS PROPÓSITOS

O Século das Luzes (XVIII) bem que poderia ser aplicado à pornografia. No referido período o erotismo estava em alta na produção literária europeia, principalmente na França.

Um século antes (XVII), começaram a circular as primeiras revistas especializadas na produção de imagens (desenhos) e de contos eróticos. Inicialmente o projeto tinha por objetivo criticar o Estado e principalmente os princípios morais religiosos.

De princípio, algumas obras eram publicadas sem autoria, decerto por temor à eventual retaliação. Uma das primeiras obras - talvez a fundadora do estilo - foi publicada em 1655. Chamava-se A Escola das Meninas, em cuja matéria uma jovem, virgem e inocente, fora instruída na arte do sexo e do amor. Sua instrutora teria sido sua prima mais velha.

Outra, criticando diretamente a Igreja, narrava o diálogo entre duas freiras, uma de 19 e outra de 16 anos. As duas trocavam beijos e carícias, as quais eram excitadas por um abade e um monge, que teriam sido convidados pelas duas.

A partir da metade do século XVIII, a literatura pornográfica ganhou novos ares. Serviu de veículo para a divulgação da filosofia materialista. O famoso enciclopedista Diderot chegou a publicar uma revista na qual tratava de questões filosóficas em meio a cenas de sexo explícito.

Depois passou a misturar erotismo com política. As revistas eram utilizadas para a crítica direta a políticos indesejados por seus idealizadores. A rainha Maria Antonieta foi um desses alvos. Em uma das cenas, a monarca era retratada em seu quarto abrindo a porta para um de seus amantes: um padre. O autor atingia, na mesma cena, a rainha e a Igreja.

Às portas do século XIX, a pornografia tomava novo impulso. Foi ao extremo ao publicar cenas eróticas associadas à tortura e ao estupro. Houve retaliação em massa, começando pelo grande público.

O Estado passou a intervir mais diretamente na fiscalização, e a literatura produzida a partir do novo século (19) teve como público-alvo um grupo mais seleto, uma vez que a pornografia passou a ser um assunto privado, próprio a ser contemplado entre quatro paredes, diferentemente dos dois séculos anteriores, quando era comum a contemplação e os debates nos quatro cantos das ruas.

Perdeu alguns de seus intentos: a crítica e a divulgação de ideias. Seu único objetivo passou a ser a difusão do erotismo.

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segunda-feira, 9 de agosto de 2010

O SURGIMENTO DA TEORIA DAS VIAGENS E O CONTEXTO HISTÓRICO DO SURGIMENTO DAS ACADEMIAS FRANCESAS

Um século antes do Século das Luzes (XVIII), a França já desfrutava de sua aurora. Fundou academias e testemunhou seus patrícios com a sede e a fome por conhecimento necessárias para o desabrochar científico, poucas vezes vistas na história do ser humano.

A Paris do início do século XVII se viu envolta numa cultura em busca do saber e de descobertas científicas, cujos protagonistas eram principalmente nobres e burgueses.

O saber escolástico estava em descrédito, cuja essência não mais cativava o pensamento da época. Várias mentes estavam abertas às novas teorias, às novas descobertas; já não se acreditava na versão bíblica sobre a criação do homem e do Universo.

Cada vez mais essas mentes desejavam destronar as crenças populares, as versões difundidas pelos religiosos. As teorias de Copérnico e de Galileu eram verdadeiras fontes de inspiração. Os franceses perceberam ter chegado a hora de exorcizar, em definitivo, o pensamento que havia sido instituído havia séculos.

Foi neste contexto que criaram a Academia Francesa de Letras e a Academia de Ciências da França. Outras teriam surgido. O principal objetivo era difundir o saber e proporcionar debates acerca dos temas que estavam em voga na época.

A academia seria um espaço propício aos confrontos de ideias correntes e controvertidas. Os franceses estavam certos de que temas divergentes deveriam ser colocados em pauta, cujo debate deveria ocorrer de forma livre.

Foi neste contexto, ainda, que os franceses teriam criado a teoria de que as viagens seriam ricas fontes do saber da diversidade humana. Ou seja: para ser erudito, tinha que viajar, conhecer o mundo, principalmente locais históricos.

Os dois séculos seguintes aderiram irrestritamente a este novo pensamento: Goethe e Darwin são dois nomes que representam bem a herança da teoria francesa sobre as viagens. A América do Sul passou a ser um dos centros da atenção dos novos adeptos, tanto que muitas excursões foram direcionadas ao nosso continente.

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domingo, 8 de agosto de 2010

TORNOU-SE MODA E SINÔNIMO DE ELEGÂNCIA CRIAR MENINOS FISICAMENTE BONITOS A FIM DE AGRADAR AOS VISITANTES

Os romanos gostavam de criar em casa meninos fisicamente bonitos para que fossem apresentados aos visitantes durante os longos jantares. Era uma forma de embelezar o ambiente e agradar, assim, aos visitantes.

Geralmente eram meninos escravos ou meninos encontrados na rua, sem família, sem lar. A beleza era o principal motivo da adoção (não do ponto de vista jurídico, uma vez que não havia, nestes casos - salvo raríssimas situações -, a adoção judicial).

A criança tinha uma educação liberal, digna de um homem livre. Eram mimados e os adotantes suportavam, com certo respeito, as travessuras que alguns deles poderiam aprontar quando os donos da casa recebiam os amigos, embora eram educados para que fossem obedientes.

Os meninos deveriam obedecer irrestritamente a seu senhor. Serviam de mordomos, de moleques de recado. Enquanto durasse a cerimônia eles deveriam estar por perto, prontos à servidão. A presença dos tais arrancava, muitas vezes, elogios dos convidados, que ficavam embelezados com a presença dos meninos.

O marido tinha ciúme dos meninos? Não! As esposas, sim, estas tinham ciúme, porque costumeiramente os maridos os tratavam com muita proximidade, em alguns casos com beijinhos (natural para a época).

Bruto - aquele que ajudou a matar Júlio César - amava um desses meninos (considerado muito belo) e chegou a ordenar a confecção de uma escultura representando o adolescente, havendo reprodução da escultura por toda parte.

Poetas cortesãos louvaram, também, a beleza dos meninos criados pelos imperadores Domiciano e Adriano.

Mas nem tudo eram flores: quando os meninos começavam a ter bigodes, eram substituídos por outros garotos, de preferência mais jovens e se possível mais belos ainda.

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sexta-feira, 6 de agosto de 2010

VEJA O CENSO DEMOGRÁFICO DO RIO DE JANEIRO EM 1808, LOGO QUE A FAMÍLIA REAL PORTUGUESA CHEGOU AO BRASIL

As estatísticas sobre a população do Rio de Janeiro em 1808 foram feitas por um comerciante inglês, chamado Jonh Luccock, que chegou ao Brasil em junho do mesmo ano, poucos meses, portanto, depois que a corte portuguesa veio para a capital brasileira.

Em 1820, na Inglaterra, o pesquisador publicou um livro narrando o que ele testemunhou no Brasil. Foram 10 anos de experiência no país, em cujo período ele percorreu os estados de São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Bahia e Rio de Janeiro (onde morava).

Eis alguns dos dados estimados pelo inglês sobre a população do Rio de Janeiro em 1808:

  • 16.000 estrangeiros, 1.000 funcionários públicos, 700 padres, 500 advogados;
  • 200 profissionais praticantes da medicina;
  • 300 pescadores, 1.000 soldados de linha, 1.000 marinheiros do porto;
  • 4.000 caixeiros, aprendizes e criados de lojas;
  • 1.250 mecânicos, 12.000 escravos, 4.000 mulheres chefes de família;

Calculou ainda que o Rio de Janeiro tinha aproximadamente 4.000 residências, o que daria uma média de 15 pessoas por casa.

Outro dado interessante é o número de padres e de advogados. Geralmente uma cidade com 60.000 habitantes (nos dias atuais) tem 1 padre e algumas dezenas de advogados.

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quinta-feira, 5 de agosto de 2010

OS REAIS MOTIVOS QUE LEVARAM CHARLES DARWIN A DEIXAR O CURSO DE MEDICINA

Darwin, que nasceu em 1809, aos 16 anos de idade já entrara para o curso de Medicina, na Universidade de Edimburg, então considerada a melhor da Inglaterra.

Entrou para curso a fim de satisfazer o desejo do pai, que também era médico. Darwin passou apenas dois anos no curso, em cujo período ele faltou a diversas aulas, notadamente no verão.

Inicialmente se decepcionou com um professor de anatomia. Darwin passou a ter aversão ao dito professor, não somente pela indolência do mestre, mas porque este se apresentava na sala de aula sujo, muitas vezes manchado de sangue dos cadáveres. E Darwin não gostava de ver sangue!

Naquele período a Universidade de Edimburg passava por uma crise. Havia uma deterioração progressiva do nível dos professores, os quais eram acusados de favorecimentos políticos e eclesiásticos. Enfim, eles eram selecionados por influência dos políticos e dos religiosos ingleses.

Outro motivo que teria afastado Darwin do curso aponta para algumas experiências traumáticas que ele teve em duas intervenções cirúrgicas. Em uma delas, uma criança fora submetida a uma cirurgia sem a aplicação de anestesia, o que teria deixado o então aprendiz traumatizado ante a dor do paciente.

Darwin também passou a ter repugnância pelos corpos dos cadáveres. Não conseguia sequer olhá-los, quanto mais tocá-los. Os corpos não recebiam a conservação devida, pois não havia material adequado para esse fim. Na mesma época em que Darwin passou a ter estes traumas, muitos cidadãos ingleses eram assassinatos para terem seus corpos vendidos aos dissecadores.

O quarto motivo diz respeito ao contato que ele teve com naturalistas, quando estava no segundo ano do curso. Era membro de uma sociedade de História Natural, por quem foi recomendado a investir seus estudos em torno da história natural (que compreendia na época zoologia, meteorologia, geologia, botânica . . .).

A decisão de abandonar Medicina teria decepcionado o pai, que o aconselhou à carreira eclesiástica (seria pastor anglicano), de cujo projeto se apartou mais adiante.

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quarta-feira, 4 de agosto de 2010

NERO E O JUDICIÁRIO

Em outras postagens vimos como surgiu a Defesoria Pública, como foi criada a primeira Ordem dos advogados, como surgiu a obrigatoriedade da matrícula dos advogados nessa ordem, como surgiram os honorários advocatícios.

Nero, que chegou a inovar quando estava julgando (durante as audiências ouvia as partes de acordo com a ordem de chegada), depois que Cláudio havia criado os honorários advocatícios, sancionou leis que obrigavam os litigantes ao pagamento de um salário fixo e devidamente justo aos advogados atuantes na causa.

Transferiu as causas do Fisco ao Fórum. Antes eram julgadas administrativamente, pela Tesouraria.

Ordenou que os presos criminosos fossem transferidos, da prisão, para locais onde existissem trabalhos públicos (como construção de prédios). A diferença do Brasil atual é porque aqui é facultativo ao preso, ao passo que lá, obrigatório.

Mas o imperador não deixou de expor seu autoritarismo: por diversas vezes cogitou entregar presos a um canibal egípcio, dado ao hábito de comer carne crua.

O objetivo de Nero, no caso, era fazer com que os presos enviados ao canibal sofressem morte lenta e dolorosa, cuja condenação seria proporcional ao crime, segundo o imperador.

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terça-feira, 3 de agosto de 2010

CACHORRO É CONDENADO À PRISÃO PERPÉTUA POR ASSASSINAR UM GATO

História inusitada sobre o ser humano é o que não falta! E sobre o ser animal também!

Já vimos que houve leis que proibiram vacas de soltarem pum, leis que condenaram ao pagamento de tarifas quem construísse casas com janela. Rei que ordenou não ser tocado porque estava certo de que fosse feito de vidro.

Em 1924, ocorreu, na Pensilvânia (Estados Unidos), um dos acontecimentos mais inusitados envolvendo o bicho animal.

Havia um cachorro chamado Pep. Enlouqueceu no verão daquele ano.

Andando pela rua, deu de cara com um gato. Este, dócil, era o animal de estimação da esposa do governador do Estado.

O enlouquecido cachorro preto atacou o gatinho indefeso, cuja consequência imediata foi o esperado: o pobre felino não resistiu e acabou morrendo.

Inconformada, a primeira-dama entrou com um processo judicial contra o cachorro assassino.

Depois de todo o trâmite processual, o cão foi condenado à prisão perpétua, a ser cumprida num presídio estadual.

Acabou morrendo de velhice na prisão.

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segunda-feira, 2 de agosto de 2010

HOMEM QUE SE TORNOU O MAIS PODEROSO EM SEU TEMPO QUASE NÃO CONSEGUE LER SEU ENSAIO POR CAUSA DA OBESIDADE DO AUDITÓRIO

Na juventude um famoso escritor o aconselhou a escrever - o que de fato veio a acontecer, com a ajuda de um amigo.

Seu primeiro trabalho foi um ensaio. Achou por bem submeter sua obra a um numeroso público, que se encontrava em um auditório.

A primeira dificuldade em concluir a leitura se deu pelo fato dele ter contraído um resfriado, o que teria perturbado o sucesso da leitura (não se descarta certo nervosismo).

Se não bastasse o resfriado do autor-leitor, ainda houve novo contratempo: como o auditório era composto por pessoas muito gordas, de vez em quando um banco de madeira se quebrava com os gorduchos, de modo que a leitura tinha que ser interrompida.

Logo que a leitura era reiniciada, novos bancos se quebravam, levando alguns ouvintes ao chão, tamanho o peso sobre os assentos.

O público presente não se continha e começava a rir da situação. Quando se pensava que tudo estava sob controle, ante o silêncio da plateia, novo riso tomava conta do auditório, pois todos se lembravam da forma com os infelizes caíam dos bancos.

A cada riso e a cada novo banco que se quebrava havia a interrupção da leitura do texto. E assim se sucedeu até o fim da leitura. Dá para se ter uma ideia da cena.

O autor-leitor era o imperador romano Cláudio (41 a 54 d.C.). O escritor que o aconselhou foi o historiador Tito Lívio.

O fato acima narrado aconteceu antes dele assumir o trono. Quando assumiu o poder, porém, manteve o hábito de ler ou de mandar ler seus feitos para grandes auditórios.

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domingo, 1 de agosto de 2010

PROSTITUIÇÃO: OS ANTIGOS GREGOS TINHAM FANTASIAS SEXUAIS COM MULHERES DE PELE BRANCA

Quem já estudou história da Grécia Antiga certamente vai se recordar de Sólon (638 a 558 a.C.), um dos grandes legisladores gregos.

Teria sido ele quem institucionalizou a prostituição em seu país. Tanto que muitos prostíbulos eram conhecidos como "Casas Solonianas", uma referência ao legislador.

Os cabarés ficavam, geralmente, próximos às grandes muralhas da cidade. Eram cobradas tarifas, as quais eram fixadas pelo próprio Estado. Havia, inclusive, fiscais do governo, que tinham o dever de fiscalizar o cumprimento das leis que regiam a prostituição, uma das quais exigia que as meretrizes não poderiam ser mulheres livres. Antes, deveriam ser escravas, que eram compradas nos mercados de Atenas.

Na zona urbana havia os propagandistas, que anunciavam ao público as qualidades das meretrizes. Veja, abaixo, um dos discursos proferidos por um ator grego anunciando o aluguel de prostitutas:

"Todas elas ficam nuas, para não enganá-lo. Observe-as com atenção. Talvez você se sinta em forma, ou esteja preocupado. Vamos! A porta está bem aberta, o preço delas é uma ninharia. Vamos lá! Nada de cerimônias, nada de futilidades. Ela não se nega a nada, na hora certa fará o que você quiser e da maneira que você quiser. Você vai embora? Você pode mandá-la se enforcar, ela não significa nada para você!"

Os gregos preferiam as mulheres de cor branca, mas necessariamente não precisavam ser bonitas, desde que fossem completamente dadas ao sexo, prontas para satisfazerem as fantasias sexuais de seus clientes. Elas não deveriam reclamar de nada.

Era comum, ainda, ouvir gritos de anunciadores nos seguintes termos:

"Venha à minha casa! Lá tem uma bela moça. Tenho a mais bela moça e mais branca."

Nos prostíbulos havia, também, garotos de aluguel, que deveriam satisfazer todos os desejos sexuais de homens que preferiam manter relação com parceiros do mesmo sexo, algo comum na antiga Grécia.

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