quinta-feira, 31 de março de 2011

MENTIRAS NO DIA DA MENTIRA

Desde cedo aprendemos que 1º de abril é o Dia da Mentira, cuja data é, inclusive, esperada com ansiedade por muitos, principalmente por aqueles que costumeiramente são dados a brincadeiras do tipo. E por falar em brincalhões, veremos que dois conhecidos personagens da história do Brasil estão diretamente envolvidos com mentiras contadas no 1º de abril. Antes, um breve histórico sobre a provável origem desse dia.

Comumente se atribui à França a paternidade do Dia da Mentira, embora não o tenha feito oficialmente. Poucos antes de entrar em vigor o Calendário Gregoriano, Carlos IX, rei francês, determinou que o ano começasse a partir de 1º de janeiro e não mais no final de março.

A medida não agradou a todos, de modo que uns continuaram comemorando as festas de fim de ano a partir de 25 de março, cujas comemorações iam até o dia 1º de abril. Aqueles que aceitaram o novo calendário resolveram, então, brincar com os relutantes, enviando-lhes presentes estranhos e convites para festas que não existiam.

A brincadeira se tornou uma tradição e o dia 1º de abril acabou sendo a data mais significativa dessas brincadeiras, uma vez que os presentes e os falsos convites se davam na citada data. Posteriormente as brincadeiras invadiram outros países europeus, de modo que a data em questão passou a ser conhecida como um dia de se falar mentiras.

Célebres mentiras já foram pregadas, inclusive na imprensa. Foi o caso da notícia dando conta de que uma minúscula república russa havia doado seis metros quadrados de seu território a uma república vizinha, com o objetivo de conseguir o título de menor Estado autônomo, recorde atualmemte do Vaticano.

O autor de Escrava Isaura, Bernardo Guimarães, era um costumeiro brincalhão e não deixava passar em branco o Dia da Mentira. No dia 1º de abril de 1851, aproveitou-se da doença do colega, o famoso poeta Álvares de Azevedo - que se achava pálido e já sofria de tuberculose - para montar mais uma brincadeira de mau gosto.

Combinou com o colega e passaram a divulgar que Álvares de Azevedo havia morrido. Arrecadou dinheiro junto dos amigos alegando que o numerário seria para ajudar a pagar as despesas do enterro. Tudo mentira: os dois e outros colegas gastaram o dinheiro numa taberna de São Paulo.

Quando muitos já se faziam presentes na casa do suposto defunto, Álvares de Azevedo apareceu de surpresa e se fez passar por um fantasma: "Eu faço o papel de morto para vocês se banquetearem; vou também regalar-me", teria dito o poeta fanfarrão. No dia 25 de abril do ano seguinte, Álvares de Azevedo morreria, vítima de tuberculose, antes de completar 21 anos de idade.

Bernardo Guimarães, seu amigo, dado às brincadeiras, um dia sentiu de perto o peso de seu bom humor. Depois que tomou conhecimento de que seu filho havia tomado veneno, chamou o médico para que interviesse junto do filho. Pensando tratar-se de mais uma de suas mentiras, o médico não atendeu ao pedido do poeta, que acabou perdendo o filho, de cuja data em diante ele, o pai, passou a ser vítima de depressão, que o perseguiu até o fim de sua vida.

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terça-feira, 29 de março de 2011

PREFEITO MANDA CANCELAR CHUVA; SEM SABER, HISTORIADOR É ELEITO GOVERNADOR: DOIS CASOS HILÁRIOS DA POLÍTICA BRASILEIRA

Certamente o leitor já ouviu falar ou conhece muito bem aquilo que se convencionou chamar de "indústria da seca". Quantos políticos não se aproveitaram da desgraça dos outros em benefício próprio!! Decerto uma investigação séria revelaria muitos segredos, os quais nem sempre são guardados a sete chaves.

O Nordeste brasileiro ficou conhecido como um lugar de grandes secas (hoje é conhecido por suas belas praias), e as grandes estiagens levaram o Governo Federal a destinar muito dinheiro para o combate aos efeitos da seca.

Por outro lado a verba fazia aumentar o capital de giro no comércio das pequenas cidades. E por falar em comércio, não faltaram denúncias de que comerciantes se aproveitavam da oportunidade e terminavam por se cadastrar como beneficiários.

Em 1950, aconteceu um caso inusitado numa pequena cidade da Paraíba. Beneficiada com a ajuda do governo estadual, a cidade de Monteiro foi alvo de chuvas pesadas, de modo que, em tese, deveriam cessar os motivos do envio da ajuda do Estado.

Com a chegada da chuva, o prefeito, aparentemente com boas intenções, cuidou de enviar um telegrama para o governador, nos seguintes dizeres: "Chuvas torrenciais cobriram todo Monteiro. População exultante. Saudações..."

Assim que souberam do teor do telegrama do prefeito, os comerciantes ficaram inquietos, com medo de perder os recursos destinados. Movido pela pressão dos comerciantes, o prefeito cedeu e enviou novo telegrama ao governador, que dizia: "Cancelo chuvas. População continua aflita".

Outro fato curioso diz respeito ao falecido historiador Arthur Cézar Ferreira dos Reis, escritor e estudioso da Amazônia. Em 1964, ele se encontrava em Genebra, Suíça, a serviço do governo brasileiro.

Após receber um telegrama da Presidência da República, retornou às pressas para o Brasil. Ao desembarcar no Rio de Janeiro, foi cercado por jornalistas. Uns indagavam: "Como é que vai ser, professor?" E o professor respondia: "Como é que vai ser o quê?".

Percebendo que o historiador se mostrava alheio ao que estava acontecendo, os jornalistas trataram de abordar mais diretamente o tema em questão: "O Governo. O senhor foi eleito governador do Amazonas pela Assembleia Legislativa".

Sem alternativas, o novo governador desabafou: "Ai, meu Deus! Ninguém avisa mais nada à gente". Ele governou o Estado de 1964 a 1967, graças à ditadura militar.

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sábado, 26 de março de 2011

INFALIBILIDADE PAPAL: CONHEÇA OS BASTIDORES QUE A IGREJA CATÓLICA FAZ QUESTÃO DE ESCONDER DO GRANDE PÚBLICO

Imagem da internet


O Papa é infalível, correto? Quem tem mais força, um Concílio ou o próprio Papa? Quanto à primeira pergunta, a história da Igreja tem mostrado que não havia, no decurso de sua existência, o expresso questionamento sobre a infalibilidade papal. Os próprios católicos, inclusive os bispos, não lhe davam crença.

Foi somente por meio de um papa tirano, medíocre e covarde, que a Igreja teve que aceitar - goela abaixo -, esse dogma, que, por sinal, trouxe indignação dentro da própria Igreja.

Quanto à segunda questão, já havia, durante alguns séculos, a discussão sobre o poder máximo na Igreja, se dos concílios, se do Papa, embora a infalibilidade, como vimos acima, não era questionável. Leiamos, abaixo, os bastidores de uma mediocridade, ainda desconhecida do grande público.

O Papa tirano se chamava Pio IX, que liderou o Concílio Vaticano I, nos anos 1869 e 1870. Ele queria, a todo custo, se tornar oficialmente infalível, bem como resolver uma pendência que durava havia séculos: a disputa entre o Papado e o Concílio, uma vez que os bispos buscavam uma Igreja cada vez mais descentralizada, o oposto das intenções de Pio IX.

Dissimuladamente, o Papa não divulgou o verdadeiro propósito do Concílio. Inicialmente tratou de abordar o ateísmo, que passou a ser duramente condenado, assim como o materialismo e o panteísmo (junto com este o deísmo e o agnosticismo). Somente aos poucos é que os temas importantes para o Papa foram trazidos à discussão.

O Vaticano I não foi um Concílio livre. Longe disso! O Papa impôs, gerou temores, ameaçou, demitiu, gritou! Aqueles que se opuseram aos seus insanos desejos foram perseguidos, ainda mesmo durante o Concílio.

Um bispo croata, que teve a ousadia de afirmar que até os protestantes eram capazes de amar Jesus, foi silenciado aos berros pelo Papa. Naquele momento o Papa já mantinha a maioria dos presentes, que, por adulação ou por temor, se mostravam favoráveis ao tirano. O bispo croata fora chamado de Lúcifer, anátema, um segundo Lutero. Ordenaram que ele fosse jogado fora.

Um bispo caldeu, que publicamente se opôs às pretensões absolutistas do Papa, fora convocado às pressas pelo Papa a uma reunião a portas fechadas. Tremendo de raiva, Pio IX deu duas alternativas para o bispo: ou aceitaria formalmente as propostas dele ou deveria renunciar. Daí para frente ficou difícil se opor ao papa tirano.

Quando a infalibilidade papal passou a ser tema de discussão, muitos bispos ficaram chocados, pois o assunto, além de não ter sido cotado como tema do Concílio, este já havia decorrido alguns meses sem que se desse a ideia de que seria levado à discussão, uma vez que o próprio Papa era sabedor de que os bispos não queriam a centralização do poder. Em vão! A infalibidade do Papa foi posta goela abaixo.

Um bispo armênio contestou ferozmente tal dogma. Na mesma hora Pio IX o condenou a um regime de exercícios espirituais obrigatórios num mosteiro local - uma espécie de prisão domiciliar.

Dos bispos aptos a votar, calcula-se que menos de 50% foram favoráveis à infalibilidade papal, mas ainda assim ela foi imposta. Dá para acreditar?

Após o Concílio, e uma vez divulgado o resultado, muitas (muitas mesmo) igrejas de diversos países se revoltaram contra tal dogma, o que deixou o Papa furioso. Todos os bispos tiveram que assinar um documento, no qual afirmavam a aceitação do novo dogma. Muitos saíram da Igreja; outros, por medo e por conveniência, acataram a insanidade papal.

De posse da infalibilidade, o Papa resolveu testar seus novos poderes: em um de seus passeios, viu um paralítico e ordenou que este se levantasse. O paralítico se levantou e caiu. Muitos passaram a afirmar que o Papa estava ficando louco.

Eis, em breve relato, os bastidores desse dogma, que, diga-se de passagem, não convence e nunca convenceu, nem mesmo os mais chegados ao próprio Papa. Pio IX morreu em 1878, e quando seu corpo percorria o último trajeto, a população gritava: "Morre o Papa", "Joguem o porco no rio". Alguns dos presentes ousaram roubar seu corpo (queriam jogá-lo no Tibre) e foram presos.

Finalmente, cabe indagar: a infalibilidade papal se deu a partir de sua aceitação por meio do Concílio ou a decisão teve um efeito retroativo? Se retroativo, como explicar o fato dessa decisão precisar ser ratificada por um concílio? Se não tem efeito retroativo, com base em que os argumentos usados não são atemporais, mas válido a partir de um marco cronológico?
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segunda-feira, 21 de março de 2011

TEXTO DO HUMANISTA ERASMO DE ROTTERDAN REVELA A FORMA COMO ERAM TRATADAS ALGUMAS CRIANÇAS NA ANTIGUIDADE E INÍCIO DA IDADE MODERNA

O texto abaixo transcrito foi extraído do livro "Dos Meninos", de Erasmo de Rotterdan (1466 - 1536), humanista e autor da conhecida obra, O elogio da loucura. Em outro momento postamos alguns exemplos trazidos pelo mesmo escritor, um dos quais aborda o caso em que um professor ordenou que seu aluno fosse obrigado a comer "cocô" de ser humano. Vamos ao texto:

"As leis humanas restringem o poder senhoril e permitem aos servos moverem ações de maus-tratos contra os patrões. De onde procede tal desumanidade entre cristãos? No passado, Auxo, certo cavaleiro romano, corrigiu o filho à vara e com tamanho rigor que este veio a falecer.

Aquela barbaridade comoveu o povo a ponto de pais arrastarem o algoz até o Fórum e, ali, crivaram-no de estiletes, sem a mínima consideração pelo seu prestígio de cavaleiro. Foi com muito esforço que Otávio Augusto [imperador] conseguiu libertá-lo daquele aflitivo tormento."

Erasmo prossegue:

"Quantos Auxos não estamos a ver hoje [no início da Idade Moderna, que coincide com o período do Renascimento] ! Indivíduos que lesam a saúde das crianças com a sevícia da chibata, debilitando-as e até matando! Para seviciar, só as correias já não bastam mais. Batem com o cabo e desferem bofetadas e socos contra os pequenos. Agarram, mesmo qualquer objeto ao alcance das mãos e arremetem-no contra eles.

Narram os livros judiciais que certo indivíduo deixou no occipício [parte superior da cabeça] do aprendiz o desenho do formato do tamanco de madeira, fazendo saltar para fora um dos olhos. Ainda bem que a lei puniu-o por tamanha atrocidade."

Erasmo prossegue, mais adiante, com novos relatos. Desta vez aborda a situação dos alunos. Diz ele:

"Os iniciantes, ao ingressarem em escolas públicas, são coagidos a despirem-se da 'beca', termo bárbaro para um costume não menos rebarbativo. O jovem inexperiente é mandado para o estudo das artes liberais, mas, ao invés, a quantos ultrajes deprimentes para a sua dignidade de ente livre vai ser submetido!

Primeiro, empastam-lhe o rosto como para barbear. Para isso usam a urina ou outra loção mais fétida ainda [cocô humano]. O mesmo tipo de líquido é embutido pela boca adentro com a proibição de expelir. Com socos violentos quebram-lhe o brio de adolescente. Depois, fazem-no engolir farta dose de vinagre, de sal ou de qualquer outra substância que lhes der na veneta desvairada.

Por último, os promotores da brincadeira exigem juramento de obediência a todos os seus caprichos. Por fim, levantam-no pelo ar, em posição dorsal e atiram-no qual aríete contra um poste. A brutalidades tão vis, sobrevêm, frequentemente, febres e dores imedicáveis que afetam a espinha. Por último, aquelas brincadeiras descabidas findam em bacanais."

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sábado, 19 de março de 2011

UNÇÃO COM ESPERMA E ESPECULAÇÕES SOBRE A QUANTIDADE DE DEMÔNIOS NUMA EJACULAÇÃO MASCULINA: EIS UM BREVE RELATO SOBRE A HISTÓRIA DO SÊMEN

Não se trata, na verdade, da história do sêmen, mas um breve relato sobre especulações acerca da existência de práticas gnósticas em relação à unção com esperma, bem como sobre o medo do demônio, durante a Idade Média, cujas consequências não deixaram de lado a relação entre o esperma e seres sobrenaturais.

No final da década de 40 (entre 1947 e 1956), foram encontrados, próximo ao Mar Morto, em Israel, o que se convencionou chamar de Os Manuscritos do Mar Morto, considerado o maior achado arqueológico do século, uma vez que revelou um grande volume de textos originais, escritos entre os séculos III e I a.C.

Dentre os vários achados, um deles - na verdade um pequeno fragmento, cuja tradução fora confiada a um poliglota polonês, especialista em assuntos bíblicos -, pareceu revelar um comportamento atípico, não somente para a época como para os dias de hoje.

Segundo o estudioso, que reservou para si o direito de adiar o resultado da tradução - aliás, diga-se em boa hora, o mesmo fenônemo se deu em vários outros casos -, afirmou que o motivo do adiamento se deveu porque, segundo ele, o texto revelava práticas de iniciação cristã mediante a unção com esperma (rito este supostamente praticado por Jesus).

Outro estudioso afirmou que o texto fazia menção a uma receita médica, através da qual este recomendava que o paciente se tratasse com a aplicação de esperma de carneiro.

Posteriormente, depois de outras pesquisas no texto em questão, chegou-se à conclusão de que se tratava de um simples exercício de escrita, o que fez com que houvesse retratação por parte dos tradutores. O que restou foi a dúvida: o escritor do pergaminho formulou por conta própria tal prática ou, por conhecer práticas semelhantes, escreveu o que já era de seu conhecimento?

Já vimos que na Idade Média o medo do demônio tomou de conta da população europeia. Via-se o capeta em todos os lugares, camuflado sob as mais variadas formas.

No final do século 15, dois padres foram ao extremo: estavam convencidos de que ele, o demônio, estava impregnado no sêmen. Partindo de tal crença, especularam até onde parece ir a mente humana.

Em análise detalhada, chegam a se questionar sobre quantos demônios são expulsos numa ejaculação humana. Havia outros questionamentos: de onde vem o esperma? Ele é intrinsecamente demoníaco ou é roubado de mortais?

Ou seja: quer fosse a resposta, o sêmen estava intimamente ligado ao capeta; logo o ser humano nasceria recheado de pecado, até porque em sua essência seria encontrada a essência do demônio.

Chegaram à conclusão de que seria um pecado mortal a prática do ato sexual com seres desencarnados (na época tal crença era comum entre a população).

Surgiu uma dúvida: e como o Espírito Santo engravidou Maria, a mãe de Jesus? Não se aventuraram a uma resposta. Preferiram a versão da Bíblia, que afirma considerar um pecado sem perdão (ou seja, nem Deus pode perdoar) aquele que é praticado contra o Espírito Santo. Na prática: se você duvida do que a Bíblia diz sobre o assunto, você já está condenado, sem chances de recursos.

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domingo, 13 de março de 2011

ORIGEM, HISTÓRIA E CURIOSIDADES DO CASAMENTO (UMA DELAS? SOMENTE SEXO ANAL NA LUA DE MEL)

O casamento e seus rituais como o conhecemos hoje têm provável origem na Idade Média, mas não é certo afirmar que seu nascimento se deu no referido período. Como frisamos, apenas o modelo atual é que teve sua origem em tempos medievais. Abaixo, um resumo e algumas curiosidades do casamento.

Não houve, na Antiguidade, um rito comum às várias civilizações em relação ao casamento, de modo que se torna impreciso qualquer tentativa de afirmar onde e quando se deu o primeiro ritual. No Ocidente, partiremos dos costumes gregos e romanos, passando pela Idade Média e finalizando com os dias atuais.

Entre os gregos, a cerimônia do casamento esteve diretamente associada aos ritos religiosos. A noiva deixava o lar paterno, cujo ato marcaria seu completo desligamento do antigo lar. A noiva se dirigia à casa do noivo sob festejo religioso, e uma vez presente no novo lar, ele deveria colocá-la nos braços a fim de que ela passasse a porta sem tocar na soleira (surge, daí, a prática atual de se levar as noiva nos braços até a cama). Por fim, havia uma espécie de batismo, seguido de uma repartição de um bolo (daí a provável origem do bolo de casamento), terminando com uma oração ao deus do noivo.

Os antigos romanos, por sua vez, não viam o casamento como um instituto público. A cerimônia era privada (assim como ocorre o noivado nos dias hoje), de modo que a figura do juiz ou de qualquer outro agente público atuando em nome do Estado não se fazia necessária.

Muitas vezes não se sabia se um casal se achava casado ou se apenas os dois viviam como se maritalmente o fossem. Em caso de separação, a mulher levava seus dotes consigo, enquanto as crianças ficavam com o pai.

Um fato curioso, ainda entre os antigos romanos, diz respeito ao que se chama hoje de lua de mel. Por costume, o homem queria praticar com a esposa o que costumava fazer com as escravas, de modo que ela (a esposa), sofria demasiadamente com o método apressado do marido. Assim, sedimentou-se o hábito de não haver sexo vaginal na primeira noite. Em seu lugar, ocorria o anal, pois, segundo as antigas romanas, elas sofriam menos. Tal costume também foi verificado na China da mesma época.

Embora a Igreja Católica seja acusada de associar o sexo unicamente à prática de se gerar filhos, o certo é que ainda antes de seu nascimento, os romanos (segundo século d.C.) já se mostravam afeitos ao referido costume. Com a institucionalização da citada igreja, esta passou, de forma gradual, a abraçar tal pensamento, de modo que o matrimônio se constituiu, aos poucos, um instituto de alto valor no seio do catolicismo.

Foi assim que, no século 12, o Matrimônio entrou para a relação dos sacramentos da Igreja Católica. Coincidentemente, foi no citado século que surgiu o ritual eclesiástico do casamento, embora sua obrigatoriedade se deu apenas no século 16, logo após o Concílio de Trento, em cuja época a Igreja passou a registrar todos os matrimônios, nascimentos e mortes, independentemente da classe social das pessoas envolvidas.

Na Idade Média, com a institucionalização do casamento, o noivado ocorria na entrada da Igreja, sob a presença de um sacerdote. Em seguida, fazia-se intensa divulgação do ato e havia um prazo de quarenta dias para eventuais impedimentos.

O casamento se dava junto ao altar da Igreja. Havia novas juras de amor e troca de alianças. Os dois permaneciam, às vezes, sob o mesmo véu. Em algumas regiões a noiva deveria fiar para mostrar seus dotes de uma típica mulher do lar. Iam ao altar da Virgem, acendiam uma vela, tudo presenciado por muitos padrinhos e madrinhas.

Após, dirigiam-se todos aos túmulos dos parentes falecidos, uma vez que os mesmos não poderiam ficar excluídos de evento tão importante (com este ato a Igreja fortalecia a importância do matrimônio e ao mesmo tempo repetia uma tradição do paganismo romano). Por fim, se dirigiam ao lar, cobertos de flores de trigos, jogados sobre os dois como sinal de prosperidade.

Somente no início do século 19 a França criaria o instituto do casamento civil, o que seria posteriormente copiado por outros países, como o Brasil, que o fez, oficialmente, a partir de 1888.

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quinta-feira, 10 de março de 2011

MÉDICO MAIS FAMOSO DA ANTIGUIDADE EXORTA DONO DE ESCRAVOS ENFURECIDO

O médico mais famoso da Antiguidade não foi Hipócrates, embora este seja considerado o pai da Medicina. Galeno, que nasceu no ano 129 d.C., foi um destacado médico e filósofo romano de origem grega, com intensa participação junto a elite imperial (principalmente Marco Aurélio), cuja fama ultrapassou os séculos, de modo que até bem pouco atrás ainda era lido por alunos de medicina.

Pelo fato dele ter trabalhado muito tempo como médico de gladiadores feridos em batalha, era dado aos efeitos da violência física; mas foi somente depois dele próprio ter presenciado um escravo ser açoitado por um senhor enfurecido, que o médico-filósofo proferiu um discurso moral sobre o acontecido, e o fez se dirigindo exclusivamente ao dono do escravo.

Em uma viagem que fazia de Roma a Pérgamo (sua cidade natalina), se deparou com um senhor cruel e enraivecido, dono de escravos. Estes e seu senhor viajavam no mesmo navio que Galeno.

A certa altura da viagem, um cretense, visivelmente simples, amável e honesto, teve um acesso de fúria e passou a castigar seus escravos com as próprias mãos, em cuja ocasião lhes deferia pontapés e chicotadas.

Próximo ao istmo de Corinto, na Grécia, os viajantes acharam por bem mandar parte da bagagem por via marítima, enquanto eles próprios se deslocariam até Atenas por via terrestre.

Quando o cretense percebeu que parte da bagagem que deveria seguir por terra fora enviada por mar, ficou enfurecido, sacou do punhal que trazia consigo e passou a golpear seus escravos.

Quando notou que um deles fora gravemente ferido na cabeça, o cretense tomou uma atitude extrema e se mostrou totalmente arrependido do que acabara de fazer. Em seguida, fez uso de um chicote e o entregou ao médico Galeno, a fim de que este pudesse chicoteá-lo como forma de castigo pelo feito.

Galeno sorriu do companheiro de viagem e percebeu a chance de proferir um discurso filosófico em função do ocorrido. Após fazê-lo, imprimiu a seguinte moral: "um senhor nunca deve castigar seus escravos com as próprias mãos e sempre deve deixar para o dia seguinte a decisão de puni-los".

Em suma, Galeno estimulava a tomada de decisões com a cabeça "fria" e o método maquiavélico de não gerar maior ódio em suas vítimas, uma vez que (segundo se depreende), sendo necessário punir, que o seja por terceiros, previamente destinados para tal fim.

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terça-feira, 8 de março de 2011

A ORIGEM E EVOLUÇÃO DO VESTIDO DE NOIVA

Não se sabe ao certo onde e quando surgiu o vestido de noiva. Provavelmente os registros mais antigos apontam para a antiga Roma, onde as mulheres ganhavam uma roupa especial para o casamento.

No início da Idade Média, o vestido era bastante bordado, cuja finalidade era exibir a riqueza da família. O vermelho é predominante, uma vez que representava a capacidade de gerar sangue novo.

Posteriormente, também na Idade Média, o verde passou a predominar. A noiva enxergava, na ocasião, a possibilidade de ser mais fértil. O ventre da mulher se revelava patente, uma forma de mostrar a possibilidade da procriação.

Com o fim da Idade Média e início do Renascimento, o preto parece ter tido boa aceitação, assim como era costume ser usado em eventos religiosos. Foi também durante o Renascimento que o branco começa a se destacar como sinônimo de elegância.

No período entre o Barroco e o Arcadismo (séculos 17 e 18), os vestidos são confeccionados com pedrarias e babados de renda, e outras cores se destacam, como o lilás.

Somente no século 19, mais precisamente depois de fevereiro de 1840, é que o branco passou a ser a cor oficial dos vestidos de noiva. O feito se deve principalmente à Rainha Vitória, da Inglaterra, que não poupou esforços em se mostrar elegante e até ousada, uma vez que resolveu acrescentar o véu à vestimenta, algo então proibido para uma rainha.

A suntuosidade do casamento certamente se deveu, também, pelo fato da rainha ter sido reconhecidamente apaixonada por seu primo-noivo. A partir do evento, o papa Pio IX decretou que todas as noivas católicas deveriam usar cores claras, como sinal de castidade. A ordem papal e o desejo feminino de imitar a rainha pegaram, e o presente século ainda adota o branco como a cor preferida.

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segunda-feira, 7 de março de 2011

A PRÁTICA DE SE ABANDONAR CRIANÇAS NO VELHO MUNDO E SUA RELAÇÃO COM A MATANÇA DE CRIANÇAS DESCRITA NA BÍBLIA

No antigo Império Romano, era comum a prática de se abandonar crianças recém-nascidas. Dos motivos que justificavam tal prática, alguns estavam associados ao adultério e a manifestações político-religiosas.

Assim, se o pai suspeitasse que o filho não era seu, poderia abandonar a criança em um espaço público. Foi o que aconteceu com uma filha de uma princesa, deixada na porta de um palácio imperial, totalmente nua.

Com relação às manifestações político-religiosas, alguns casos curiosos de abandono de crianças ocorreram durante o Império Romano, no ano 19 d.C. No citado ano faleceu Germânico, pai de Calígula e avô de Nero. Como era um homem reconhecidamente amado pelos romanos, logo que se espalhou a notícia de sua morte, alguns pais deliberadamente rejeitaram suas crianças e as abandonaram em sinal de protesto.

Do mesmo modo, quando Nero assassinou Agripina, sua mãe, um desconhecido abandonou seu filho recém-nascido no Fórum da cidade, juntamente com um cartaz que dizia: "Não te crio com medo de que mates tua mãe".

Outro dado interessante pode ter relação com a matança de crianças descrita na Bíblia, cuja informação pode ser autêntica e não mera lenda. Há informações de que correram boatos na plebe romana dando conta de que nasceria um rei, e, alertado por adivinhos, o Senado havia ordenado que o povo abandonasse todos os filhos nascidos naquele mesmo ano.

Havia casos em que a esposa conseguia dissimular o abandono do filho. Às escondidas do marido, ela confiava o filho a vizinhos ou subordinados, que o criava, muitas vezes com a ajuda financeira da própria mãe e, uma vez adulto, o filho se tornava escravo e em seguida liberto, de modo que se garantia a proximidade e o vínculo maternal.

Há casos, ainda, de pais que abandonavam seus filhos porque simplesmente alegavam não ter condições financeiras de mantê-los, assim como ocorre nos dias atuais.

O destino dos filhos abandonados não lhes reservava grandes sortes, não! Eram praticamente excluídos da sociedade, a menos que uma família tradicional fizesse a adoção, em cuja oportunidade a criança receberia o sobrenome do pai, e passava a desfrutar de muitos privilégios em decorrência da referida adoção.

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sexta-feira, 4 de março de 2011

A BRIGA DO SÉCULO 19: BISPO DE OXFORD X CÃO DE GUARDA DE CHARLES DARWIN

Não se trata, na verdade, de uma briga literal, nem de um cachorro. Estamos falando de um debate ocorrido no dia 30 de junho de 1860, cujos protagonistas foram Samuel Wilberforce (1805 - 1873), bispo de Oxford e Thomas Huxley (1825 - 1895), biólogo inglês.

O referido debate se deu em função da Teoria da Evolução, de Charles Darwin. Na ocasião, o bispo se contrapôs às conclusões do pesquisador inglês, ao passo que Huxley se posicionou favoravelmente à Origem das Espécies.

Darwin era um homem tímido, e não gostava de participar de debates públicos. O cientista não dispensava uma cidade interiorana e fazia questão de ficar distante da atenção dos outros. Huxley, por sua vez, era dado aos discursos e eloquente na arte de falar, além do quê usava de recursos humorísticos enquanto debatia.

Darwin e Huxley se tornaram amigos e este acabou sendo o escolhido para duelar com o bispo de Oxford.

Durante o debate, o bispo voltou-se para Huxley e lhe indagou se ele havia descendido dos macacos por parte do pai ou da mãe. A pergunta deixou o cientista furioso, cuja resposta foi a seguinte:

"Se me fizessem a pergunta sobre se eu preferia ter por avô um humilde macaco ou um homem muito dotado intelectualmente e de grandes meios de influência, mas que não empregaria todos os seus dons e poderes senão para ridicularizar uma grande questão científica, eu diria sem hesitar que prefiro o macaco."

Huxley foi longamente aplaudido depois da resposta. Posteriormente ao debate, ele teria dito: "Eu ouvira com grande atenção a intervenção do bispo, mas não pude detectar um só elemento novo, nem novo argumento, com exceção, para dizer a verdade, da questão que ele me colocou sobre minha preferência em matéria de ancestrais".

Huxley fazia questão de debater, e ele próprio se autodefinia como o cão de guarda de Darwin, apesar de não ter concordado com tudo o que o pai da Teoria da Evolução escreveu sobre o tema.

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terça-feira, 1 de março de 2011

A IMORTALIDADE DA ALMA ESTÁ DEMONSTRADA, SEGUNDO O FILÓSOFO SÓCRATES

Sócrates, conhecido filósofo grego, não deixou sequer um texto escrito, mas ainda assim foi possível, graças a Platão - seu fiel discípulo -, conhecer parte de sua história, crenças e ideias. Em Fédon, diálogo de autoria platonista, o velho Sócrates nos mostra seu ponto de vista sobre a existência e a imortalidade da alma. Abaixo, o diálogo que evidencia a opinião do filósofo sobre o referido assunto:

Sócrates: Responde-me, se puderes: qual é a coisa que ao entrar num corpo o torna vivo?
Cebes: A alma.
Sócrates: Então a alma, apoderando-se de uma coisa, traz consigo vida para essa coisa?
Cebes: Sempre a vida.
Sócrates: Existe um contrário da vida, ou não?
Cebes: Sim, existe.
Sócrates: Qual é?
Cebes: A morte.
Sócrates: Não é verdade que a alma nunca aceitará o contrário do que sempre traz consigo?
Cebes: É verdade.
Sócrates: E como chamávamos o que não aceitava a ideia do par?
Cebes: Ímpar.
Sócrates: E o que não aceita o justo e ao que não admite o harmônico?
Cebes: Injusto e inarmônico.
Sócrates: E ao que não admite a morte, como chamaremos?
Cebes: Imortal.
Sócrates: A alma não admite a morte, não é?
Cebes: Sim.
Sócrates: Então é imortal?
Cebes: Sim, é imortal.
Sócrates: E, portanto, afirmaremos ou não que isso está demonstrado?
Cebes: Totalmente demonstrado, meu caro Sócrates!

Na visão de Sócrates, a razão demonstra a imortalidade da alma, como vimos acima. Adiante, no mesmo diálogo, o filósofo conclui que, diante da racionalidade demonstrada, "a alma nem aceitará a morte nem ficará morta".

Em outro trecho, Sócrates prossegue: "Existe, contudo, ao menos uma coisa em que seria justo que todos refletíssemos: se a alma é de fato imortal, se faz necessário que zelemos por ela, não só durante o tempo presente, que denominamos viver, mas ao longo de todo o tempo, pois seria grave perigo não se preocupar com ela".

Prossegue o mesmo autor:

"Suponhamos que a morte seja apenas uma completa dissolução de tudo. Que maravilhosa ventura estaria então reservada para os maus, que se veriam libertos de seu corpo, de sua alma e de sua própria maldade! Mas, em verdade, uma vez que se tenha demonstrado que a alma é imortal, não haverá escapatória possível para ela em face de seus males, exceto que se torne melhor e mais sábia."

Sócrates jamais foi ateu!

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