domingo, 31 de outubro de 2010

O JEITINHO BRASILEIRO PARA CONQUISTAR O VOTO EM PERÍODO ELEITORAL

O Brasil acaba de eleger sua primeira presidenta da República. Pela primeira vez na história do país uma mulher chega à cúpula do Poder Executivo. Mas por muito tempo a mulher foi deixada de lado quando o tema era eleição.

Na década de 40 do século passado, quando as mulheres já usufruíam do direito ao voto, muitos machões fizeram de tudo para atrair a atenção feminina.

Um dos tais foi o brigadeiro Eduardo Gomes, na eleição presidencial de 1945. O candidato da UDN lançou um slogan bastante inovador, cuja pretensão era mesmo atrair a atenção das mulheres brasileiras. A frase do candidato era:

"Vote no brigadeiro. É bonito. É solteiro."

Todo o esforço foi em vão e o pretensioso candidato perdeu as eleições para o futuro suicida, Getúlio Vargas.

Na década de 60 do mesmo século aconteceu outro fato curioso e digno de entrar para o rol dos mais engraçados. Desta vez estavam envolvidos os então presidenciáveis Jânio Quadros e Adhemar de Barros.

Os dois marcaram um comício para a mesma cidade, sendo que um agendou para o dia imediatamente posterior ao do outro.

O primeiro foi o de Adhemar, que no calor das palavras de palanque fez menção a um novo hospício. E proferiu a seguinte frase:

"Infelizmente, não foi possível internar todos os loucos. Um escapou e fará comício amanhã."

No dia seguinte foi a vez de Jânio Quadros, que, sabendo das palavras de seu rival, não deixou barato. No palanque, falando das penitenciárias, alfinetou o adversário:

"Não foi possível trancafiar todos os ladrões. Um escapou e fez comício aqui ontem."

Jânio Quadros, que chegou a afirmar que se alguém o visse dançando com mulher feia é porque ele estava em campanha eleitoral, foi o vencedor da disputa.

.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

A TRANSIÇÃO DO PENICO PARA O VASO SANITÁRIO

O penico, que é bem mais antigo do que o vaso sanitário, foi criado para as mulheres, embora fosse utilizado por homens também. Dizem, por sinal, que o penico chegou a ser usado inclusive durante as missas realizadas no século 17 por um famoso padre francês, pois seus sermões, de tão demorados, faziam com que as mulheres disfarçadamente se utilizassem do valioso objeto.

Na Roma Antiga já havia banheiros públicos, embora fossem a céu aberto e sem divisórias, cujas construções eram sempre próximas aos córregos, para que os usuários pudessem se lavar em seguida.

Somente na segunda metade do século 16 é que surge o vaso sanitário, invenção de um poeta e tradutor inglês, que construiu em sua casa um dos aparelhos.

O projeto ficou tão famoso - embora incialmente não aceito - que a rainha da Inglaterra (Isabel I, filha de Henrique VIII e Ana Bolena) se deslocou à casa do poeta para conferir de perto a promissora invenção. De início a rainha rejeitou veementemente o vaso sanitário, pois o considerava imoral demais, mas acabou cedendo e encomendou um para o palácio.

Mas a moda não pegou, mesmo tendo a rainha à frente.

Inglaterra, França e Portugal não aprovaram a invenção e até o século 19 o jeito era atirar pela janela os dejetos, daí a frase "lá vai água!", comum na época em Portugal.

Somente três séculos depois é que estes países passaram a adotar o vaso sanitário, quando finalmente privadas e banheiros passaram a ser instalados dentro das casas, cujas práticas acabaram gerando dois avanços em matéria de saneamento básico, no caso os esgotos e o uso do papel higiênico.

E por falar em papel higiênico, os primeiros rolos surgidos na segunda metade do século 19 continham impressa uma sugestiva propaganda: "Macio como linho antigo".

.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

TESTAMENTO DE PADRE CÍCERO (PARTE 6)

Abaixo, a sexta parte do testamento de Padre Cícero. A transcrição é fiel ao documento original, o que explica os vários erros gramaticais. No trecho abaixo o padre fala de sua carta enviada secretamente a Franco Rabelo. Acompanhe.

"E o meu amor á ordem foi tão manifesto que a despeito da má vontade do partido dominante para commigo, não hesitei em attender o pedido da população desta terra e autorisar que meu nome fosse apresentado para voltar ao cargo de prefeito deste Municipio, naquelle mesmo governo que me era sobremaneira hostil.

Quando em Novembro de mil novecentos e treze (1913) o meu amigo Doutor Flóro Bartholomeu da Costa, actual Deputado Federal por este Estado, o director politico desta terra, de volta ao Rio de Janeiro me informou que os chefes do partido decahido haviam resolvido reunir a Assembléa Estadual aqui, por ser impossivel a reunião em Fortaleza, em virtude da pressão exercida pelo partido governante, e dar-lhe a direcção do movimento reacionario, com a máior lealdade ponderei em carta reservada ao Coronel Franco Rabello sobre a vantagem da sua renuncia.

E assim procedi porque, sem de nada de mais grave propriamente saber (a não ser da reunião da Assembléa) percebi, pelos precedentes de violencia, do então governo, a possibilidade de uma lucta.

Não sendo porem attendido pelo então Presidente Coronel Franco Rabello, e não podendo este evitar que á sombra do seu nome fôssem commettidos actos de desatinos, entre os quaes barbaros assassinatos e espancamentos, considerei finda a aminha ardua tarefa afastando-me do campo de acção politica, deixando ao mesmo tempo que o Doutor Floro agisse segundo as ordens recebidas, já que não me era possivel poupar esta população laboriosa da triste condição de victima indefesa."

.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

IMPERADOR CONTEMPORÂNEO DE CRISTO IMPLANTOU UMA VERDADEIRA DITADURA: CONHEÇA OS HORRORES POUCO CONHECIDOS DO GRANDE PÚBLICO PRATICADOS POR ELE

O imperador foi Tibério César, sucessor de Otávio Augusto e governante na época em que Cristo teria sido crucificado.

Tibério César, além de um governante medroso, era pedófilo. Embora não tenha passado à história como um carrasco semelhante a Calígula e a Nero, foi, na prática, tão perverso quanto os ditos famosos.

Numa verdadeira ditadura, determinou que em todas as festas religiosas houvesse execuções. Em diversas situações, famílias inteiras eram acusadas e condenadas à execução. Quando somente alguns dos membros da família eram condenados, os demais estavam proibidos de chorar, sob pena de serem condenados também.

A fim de estimular o maior número de condenações, o ditador recompensava aqueles que denunciassem os pretensos culpados. Somente na ditadura de Hitler é que vemos algo parecido. Qualquer delito era motivo para duras penas no governo de Tibério. Historiadores da época chegam a afirmar que até algumas palavras poderiam constituir crime.

Houve uma completa censura às obras literárias. Há registros de poetas e historiadores que foram punidos. Muitos livros foram destruídos, mesmo tendo sido aprovados no governo de Otávio Augusto, seu antecessor. Durante muito tempo funcionou, na Velha Roma, um hábito curioso, típico de ditaduras: muitos escritores remetiam suas obras ao imperador para que o mesmo se manifestasse sobre a dita obra.

Um dos historiadores da época foi punido por Tibério porque teria afirmado que Bruto e Cássio foram os últimos romanos. Prisioneiros foram impedidos de estudar e perderam muitas regalias (para a época), como a conversação e o entretenimento.

Muitos daqueles que eram chamados aos tribunais tiravam antes a própria vida, pois certos estavam dos castigos que lhes esperavam. Aqueles que ao tribunal compareciam, eram humilhados, cujos métodos de castigo em muito se assemelhavam àqueles usados pelos inquisitores da Idade Média.

.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

CHARGE RETRATA ELEITOR COM ESTERIÓTIPO DE UM BURRO COM VESTES HUMANAS

Estamos em ano de eleições e dentro de mais alguns dias saberemos quem será o(a) novo(a) presidente da República. Passam-se os dias, meses, anos, décadas e até século, e continua o velho voto de cabresto.

Em 1927, a revista Careta publicou uma charge de Oswaldo Storni, na qual aparecia uma cena de fato muito cômica.

A cena mostrava uma mulher - em cujo vestido estava escrito Soberania -, um homem já idoso que portava em seu casaco a palavra político e um burro - na ocasião arrastado por um cabresto, em cuja veste estava escrito eleitor.

O autor não parou por aí não. Abaixo ainda transcreveu um diálogo que dizia assim:

Ella - É o Zé Besta?
Elle - Não, é o Zé Burro!

Ou seja: o Estado (representada pela mulher) não se dirigia diretamente ao próprio eleitor, mas ao coronel, responsável pelo voto do eleitor, então visto como um burro, ante a ignorância e subserviência.

Na época estava bastante em voga o que conhecemos hoje como voto de cabresto. Naquele tempo, era comum a contratação de capangas com o fim claro de proteger o político contratante e promover verdadeiro terror nos eleitores dos adversários.

Assim, muitos sequer poderiam sair de casa, sob pena de serem perseguidos. Alguns desses capangas conseguiam reunir determinado número de eleitores em um barzinho, onde era promovido um verdadeiro comes e bebes, com o objetivo final de assegurar que os eleitores não escapassem e acabassem votando no adversário.

Havia, ainda, quem se passasse por vários eleitores em um só pleito. Era comum um só eleitor votar em vários locais numa mesma eleição, tudo a fim de aumentar o voto do político contratante.

Há, inclusive, registros de eleitores que literalmente levaram surras de "cacete" depois que era descoberta a verdadeira intenção dos referidos eleitores.

.

domingo, 24 de outubro de 2010

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA DO BRASIL QUE ERA INIMIGO DECLARADO DOS CAPOEIRISTAS

Há, na história do Brasil, um ex-presidente da República que se declarou inimigo dos negros capoeiristas. Floriano Peixoto é o nome dele. Antes de tratarmos especificamente sobre este fato, leiamos um trecho do romance Triste fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto, que retrata bem o período turbulento em que o Brasil fora governado pelo tirano.

"Em nome do Marechal Floriano, qualquer oficial, ou mesmo cidadão, sem função pública alguma, prendia e ai de quem caía na prisão, lá ficava esquecido, sofrendo angustiosos suplícios de uma imaginação dominicana. Os funcionários disputavam-se em bajulação, em servilhismo... Era um terror, um terror baço, sem coragem, sangrento, às ocultas, sem grandeza, sem desculpa, sem razão e sem responsabilidades."

Pouco antes de Floriano chegar à Presidência, a Monarquia havia sido destronada, e com ela a princesa Isabel, amada pelos negros, gratos pela alforria geral ocorrida em 1888.

A recém-nascida República temia que, insatisfeitos pelo fato de D. Pedro II e a princesa Isabel terem sido exilados, houvesse uma revolta por parte dos negros.

Na ocasião, os capoeiristas eram bastante temidos e o governo de Floriano Peixoto não pensou duas vezes: perseguiu de forma dura os lutadores negros. Ordenou que o chefe de Polícia deportasse para a ilha Fernando de Noronha muitos desses capoeiristas, que tiveram como defensor isolado o advogado Alberto de Carvalho.

Em 1911 o cronista João do Rio, no livro Dentro da Noite, retratou o período contando a história de um cidadão francês que repassava informações ao governo. Capturado, foi proibido de falar enquanto estivesse no navio. Todos os tripulantes não poderiam se dirigir ao condenado, que após 69 dias sem falar, tirou a própria vida.

.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

A EXPLICAÇÃO TEOLÓGICA DADA POR INQUISITORES PARA JUSTIFICAR A CRENÇA DE QUE A MULHER É O SEXO FRÁGIL

Dizem que a mulher é o sexo frágil. Erasmo Carlos, em canção memorável, tenta derrubar o mito e expõe, de maneira simples e ao mesmo tempo profunda, a força que tem a mulher ante as dificuldades do dia a dia.

Mas quando realmente se consolidou o termo em questão?

Provavelmente no final do século 15. Na ocasião, inquisitores registraram textualmente que a mulher era a fonte de todos os males. Mas não para por aqui: fizeram questão de afirmar que a causa se devia pelo fato dela ter nascido de uma costela torta de Adão.

Ou seja: se a costela de Adão não fosse torta, a mulher não seria o que é, segundo se depreende da explicação dos então religiosos. Esqueceram-se os tais de que o criador da costela torta - aceitando a versão bíblica - é o próprio Deus. Logo, os ditos inquisitores estariam cortando o próprio galho onde eles mesmos estavam sentados.

Mas a explicação dada por eles em 1484 não termina assim: disseram que satanás não entra pelo espírito porque este é de Deus. O capeta, segundo os tais, entra pelo corpo, tendo notória preferência pelo corpo feminino (naturalmente formado, em sua origem, de uma costela defeituosa, o que facilitaria a possessão demoníaco).

Cresceu-se, pouco a pouco durante a Idade Média - até chegar aos nossos dias -, a crença de que a mulher é de fato o sexo frágil.

.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

TESTAMENTO DE PADRE CÍCERO (PARTE 5)

Abaixo, a quinta parte do testamento de Padre Cícero. A transcrição é fiel ao documento original, o que explica os vários erros gramaticais. No trecho abaixo o padre fala de seu envolvimento na política e fala ainda de Nogueira Accioly. Acompanhe.

"Affirmo que nunca fiz mal a ninguem, nem a ninguem votei odio, nem rancôr e que sempre perdoei,por amor de Deus e da Santíssima Virgem, a todos que me fizeram mal consciente ou inconscientemente. Preciso ainda elucidar um assumpto ao qual meu por circunstancias especiaes se acha ligado, porem no qual minha acção, aliás pacifica, conciliadora e sempre ao lado do bem, tem sido injustamente deturpada pelos que se deixaram dominar pelas paixões do momento ou não souberam interpretal-a.

Nunca desejei ser político; mas em mil novecentos e onze (1911) quando foi elevado o Joazeiro, então povoado, a categoria de villa, para attender aos insistentes pedido do então Presidente do Estado o meu saudoso amigo Commendador Antonio Pinto Nogueira Accioly e, ao mesmo tempo, evitar que outro cidadão, na direcção politica deste povo, por não saber ou não poder manter o equilibrio de ordem até esse tempo por mim mantido, compromettesse a bôa marcha desta terra, vi-me forçado a collaborar na politica.

Apezar das bruscas mutações da politica cearense sempre procurei conservar-me em attitude discreta, sem apaixonamentos, evitando sempre as incompatibilidades que podessem determinar choques de effeitos desastrosos. Para isso consegui muitas vezes tive de me expôr ao conceito de homens sem idéas bem definidas.

Após a queda do governo Accioly, por motivo de ordem moral, retrahi-me da pólitica, mantendo, entretanto, relações de cordialidade com o governo Franco Rabello sendo até eleito terceiro Vice Presidente do Estado."

.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

INIMIGOS DE MICHELÂNGELO CONVENCERAM O PAPA A CHAMÁ-LO PARA PINTAR A CAPELA SISTINA

Não somente quem é católico, como também muitos outros crédulos e incrédulos já ouviram falar da famosa Capela Sistina, localizada no Palácio Apostólico, residência oficial do Papa.

Michelângelo e outros artistas renascentistas tiveram seus dedos na referida obra. Mas ao que tudo indica o artista em questão não trabalhou de bom grado na megaobra, tanto que levou dois anos para iniciar os trabalhos.

Ocorre que o artista estava queixoso do papa. Isto mesmo. Ele se sentiu traído. Vamos aos fatos.

Em 1505 ele estava envolvido na construção do túmulo do papa e estava tão obstinado que permaneceu oito meses na Toscana cavando mármores e as enviando para Roma.

Quando a praça de São Pedro já continha muito mármore, outro escultor convenceu o pontífice a não somente refazer o túmulo como também a reconstruir a praça. E o mais interessante é que o novo escultor seria o próprio (quem convenceu o papa) a trabalhar na obra que até então era incumbência de Michelângelo.

O pontífice aceitou e dispensou os trabalhos de Michelângelo, que ficou cheio de mágoas e de dívidas. O artista então fora convidado a pintar a Capela Sistina, cujo convite não foi bem aceito pelo pintor, que protelou até o convite se converter em uma ordem.

Sem saída, Michelângelo se empenhou na obra. Seu rancor se devia, também, porque ele considerava a pintura uma arte de segunda categoria, uma vez que ele próprio se autodefinia como um escultor e não como um pintor.

Mas era o talento e o nome de Michelângelo que estavam em jogo: o artista deu o melhor de si e produziu, sem dúvidas, uma invejável obra de arte.

Segundo os discípulos e biógrafos de Michelângelo, foram seus inimigos que convenceram o papa a chamá-lo a pintar a Sistina. Não sabiam eles que dariam no que deu.

.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

ORKUT: VOCÊ SE DEFINE COMO UM CAUCASIANO? CONHEÇA O RACISMO QUE HÁ POR TRÁS DESTE TERMO

A primeira pergunta é: você tem orkut? A segunda é: quando você vai criar seu perfil, mais precisamente no espaço destinado à etnia (no campo social), você se define como um caucasiano?

A resposta é simples: se você é de cor branca, certamente assinalará caucasiano. Abaixo, conheça a relação da cor e do referido termo tratados aqui.

Caucasiano vem de Cáucaso, que é uma região que abrange a Europa oriental e a Ásia ocidental. Abrange, para ser mais preciso, parte da Rússia, da Geórgia, Turquia, etc.

O termo caucasiano é apontado como fruto de um racismo científico que surgiu no final do século dezoito, baseado a partir de estudos linguísticos.

O cientista alemão Johann Blumenbach (1752-1840) tinha grande admiração pela Geórgia (uma das repúblicas do Cáucaso) e, somado à crença de que a origem das línguas indo-europeias se deu no Cáucaso, ficou fácil do referido alemão afirmar que o verdadeiro branco era aquele que nasce no Cáucaso.

Para variar, o termo excluía judeus, árabes e outros grupos mediterrâneos. Ou seja, havia a clara pretensão de associar a cor ao lugar.

Adolf Hitler, o eterno sanguinário alemão, era um daqueles que não somente associava a verdadeira cor ao espaço físico, como estava disposto a impor seu ponto de vista sobre o tema.

Assim, de forma desavisada, somos obrigados a copiar e fazer prosperar conceitos puramente raciais, sem ao menos darmos conta do embuste histórico que há por trás disso.

Mas o orkut tem outras falhas. No quesito religião, tantos que gostariam de se definir como deísta, como espírita, como criacionista e não há tais opções.

.

domingo, 17 de outubro de 2010

A IMPRENSA E OS ESCÂNDALOS EM PERÍODOS DE PRÉ-ELEIÇÃO NO BRASIL

Não é de hoje que escândalos envolvendo candidatos eleitorais em períodos próximos ao pleito são assuntos na imprensa. Aliás, a dita imprensa, que ao mesmo tempo é peça fundamental para a manutenção da democracia, historicamente parece que adora tomar partido em prol de um dos candidatos.

No pleito eleitoral deste ano (2010) a imprensa - notadamente a revista Veja - tem agido de forma áspera contra a candidata do Partido dos Trabalhores e não poupa esforços no sentido de publicar matérias que enfraqueçam a campanha da referida candidata.

Na campanha eleitoral onde tivemos Lula x Collor, a TV Globo é acusada de ser parcial e ter sido decisiva nos momentos finais.

Na campanha eleitoral para Presidente da República em 1955, eram concorrentes Juscelino Kubitschek, Ademar de Barros, Plínio Salgado e Juarez Távora.

Aproximadamente duas semanas antes das eleições, o jornal Tribuna da Imprensa divulgou o conteúdo de uma carta que teria sido enviada por um ex-deputado argentino ao político brasileiro João Goulart.

Segundo o mesmo jornal, a carta tratava de uma suposta compra clandestina de armamento pesado, a pedido de João Goulart, que era ligado ao candidato Juscelino.

A carta pretendia afirmar que os dois planejavam implantar no Brasil uma república sindicalista, ainda que para tal fosse necessário o emprego de arma de fogo.

Descobriu-se, posteriormente, que a carta era uma armação da UDN (de Juarez Távora) para enfraquecer a candidatura de Juscelino.

O mais curioso é que o dono do jornal era Carlos Lacerda, ligado ao partido da oposição do candidato vitorioso.

.

sábado, 16 de outubro de 2010

BRASIL, SÉCULO 19: OS MAUS HÁBITOS NA HORA DE COMER

Muitos estrangeiros que passaram pelo Brasil até as primeiras décadas do século 19 deixaram registros nada agradáveis em matéria de comportamento. Já anotamos que fomos rotulados de preguiçosos e até de mentirosos.

Outra impressão negativa que eles levaram de nós foi em relação ao mau hábito na hora da alimentação. Na verdade estamos falando da forma como ingeríamos os alimentos, seja na merenda, no almoço ou no jantar.

Os maus hábitos eram registrados inclusive nas famílias mais ricas. O talher era pouquíssimo conhecido aqui no Brasil. E quem se utilizava de tal ferramenta, ainda o fazia com precariedade.

Os homens utilizavam facas com o cabo prateado para cortar carne (mas num almoço formal). E mesmo em ocasiões especiais como um almoço formal cada um deveria trazer de casa a sua própria faca.

As mulheres e crianças, por sua vez, comiam com as mãos.

No cotidiano, quando não havia convidados, era comum todos se sentarem no chão, cada um com seu prato no colo, enquanto os ratos passeavam pelo mesmo ambiente. Quando - raramente - comiam à mesa, o vizinho metia a mão no prato do parente do lado e retirava a porção desejada.

O garfo surgiu na Idade Média. Veneza, na Itália, por volta do século 11, tem um dos primeiros registros. No começo o garfo tinha apenas dois dentes e servia somente para pegar o alimento, principalmente carnes.

Até o século XVII era comum as pessoas comerem com duas facas, quando, a partir de então, o garfo substituiu uma delas.

Dissemos que os brasileiros tinham maus hábitos na hora de comer. Pelo menos gostávamos de tomar banho, diferentemente do europeu, acostumado aos raros banhos.

.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

"NÃO ADIANTA UM PÉ DE COELHO NO BOLSO TRASEIRO"

Decerto você já ouviu a música "Sorte tem quem acredita nela", interpretada por Fernando Mendes. Vamos relembrar um pouco parte de sua letra e em seguida conheça a origem de três amuletos de sorte, dois deles citados na música.

"Não adianta um pé de coelho
No bolso traseiro
Nem mesmo a tal ferradura
Suspensa atrás da porta

...
Não adianta ir a igreja rezar e
Fazer tudo errado..."


A tradição sobre a ferradura teria surgido na Idade Média, cuja crendice envolve satanás e um ferreiro inglês, que, ao receber a visita de um homem, logo percebeu tratar-se do capeta em forma de humano.

Pela lenda, satanás (em forma de homem) pediu que o ferreiro confeccionasse uma ferradura para seu cavalo. Quando percebeu o golpe, o destemido ferreiro acabou "ferrando" o próprio diabo, pois, segundo aquele, o serviço só seria possível se ele (o capeta) permitisse ser algemado na parede.

Depois de algemar o enfurecido capeta, este implorou para que fosse solto, o que teria levado o ferreiro a negociar com ele. Pelo acordo, satanás somente seria liberto se ele prometesse que não entraria em nenhuma casa onde houvesse uma ferradura atrás da porta. Daí o porquê da crença de que ferraduras suspensas em portas trazem boa sorte.

Quanto ao pé de coelho, a crença também teria surgido na Idade Média, tendo os celtas como prováveis protagonistas. Em rituais de iniciação de jovens caçadores, estes ganhavam patas de coelho caçado e morto por eles próprios, cujo objetivo era dar sorte nas próximas caçadas.

Alguns séculos depois, a crença já havia chegado à África, que difundiu a ideia de que para a sorte funcionar, o pé de coelho deveria ser a traseira esquerda do animal morto.

Embora não apareça na música de Fernando Mendes, a Joaninha dá sorte, segundo crendice surgida também na Idade Média, porque seus pontos pretos representam as sete dores da Virgem Maria.

.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

TESTAMENTO DE PADRE CÍCERO (PARTE 4)

Abaixo, a quarta parte do testamento de Padre Cícero. A transcrição é fiel ao documento original, o que explica os vários erros gramaticais. No trecho abaixo o padre fala do dinheiro recebido e do voto feito quando tinha 12 anos de idade. Acompanhe.

"Declaro, outrosim, que os dinheiros que tenho recebido para mandar celebrar Missas, conforme a intenção das pessôas que m'os tem dado, os tenho distribuido com o maior criterio, por intermedio dos Padres e Vigarios desta e de outras Dioceses e de algumas Instituições Religiosas do paiz e do extrangeiro.

Devo accrescentar que os dinheiros que me tem sido entregues para applicar como entendesse e quizesse, na intenção, louvor e honra de Nossa Senhora das Dores, sem nenhuma outra condição, do mesmo modo os tenho applicado com muita consciencia em actos de caridade, em auxilio a Obras e Instituições Pias e em bens que ora deixo conforme vae adiante declarado para Nossa Senhora das Dores, Padroeira desta Matriz e para Santa Congreção dos Salesianos.

Particulariso, desta maneira, a applicação, á minha vontade, das importancias, em dinheiro, recebidas, para distribuir na inteção de Nossa Senhora das Dores, nunca me apoderei dellas; ao contrario, ordenei sempre que fossem recolhidas aos respectivos cófres da Igreja, hoje Matriz, os quaes estiveram sempre sob a guarda dos Vigarios da Parochia.

Devo ainda declarar por ser para mim uma grande honra e um dosmuitos effeitos da Graça Divina sobre mim, que, em virtude de um voto por mim, feito, aos doze annos de idade, pela leitura nesse tempo que fiz da vida immaculada de São Francisco de Salles, conservei a minha virgindade e a minha castidade até hoje."

.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

O CHEFE DE ESTADO QUE DEPOIS DE CINQUENTA ANOS DE IDADE AINDA BEBIA ÁGUA EM SEU COPO USADO QUANDO CRIANÇA

Dizem que depois de adulto há pelo menos um momento em que desejamos ser crianças novamente. Decerto é um desejo que atinge a todos e não queremos duvidar disto. Uns, evidentemente, se diferem de outros quanto à intensidade desse desejo.

Dizem também que são os portugueses os maiores saudosistas de todo o Planeta. Mas não estamos falando dos portugueses. Trata-se de um chefe de Estado romano.

Conheça, agora, o breve relato sobre este fato curioso.

O personagem é o imperador Vespasiano, que governou o Império Romano de 69 a 79 d.C. Ele foi educado sob os cuidados de sua avó paterna (o que nos sugere que fora criado sob forte rigidez, uma vez que era tarefa da avó paterna educar os netos como se fosse o próprio pai).

Quando se tornou imperador (já não residia com a avó), não se esquecia de sua antiga morada. Costumeiramente retornava à velha casa onde fora rigidamente educado, embora nela não mais residisse sua saudosa avó.

O mais interessante é que a casa se tornou um museu particular, e o imperador havia providenciado para que nenhum móvel fosse mudado de lugar. O objetivo de Vespasiano era relembrar a cena do mesmo modo como tantas vezes contemplou no passado.

O amor ao passado era tão intenso, tão real, que em dias de solenidade e de festas, mesmo depois dos cinquenta anos de idade e já imperador, ainda fazia questão de beber água no copinho que usava para saciar a sede quando criança.

Apaixonou-se por uma prostituta e não se importou que fossem registrados nos livros oficiais seus gastos com a amante. Morreu em pé, sob forte dor de barriga e defecando excessivamente.

.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

D. PEDRO II SOFREU UM ATENTADO QUANDO SAÍA DO TEATRO

O fato adiante não é divulgado nem pelos livros de história nem foi do interesse do imperador que o mesmo se tornasse conhecido do grande público. Mas é certo que D. Pedro II sofreu um atentado aqui no Brasil.

O episódio ocorreu no Rio de Janeiro, no dia 15 de julho de 1889, portanto quatro meses antes dele ser deposto pelos militares brasileiros.

O atentado foi um marco na história do Brasil, uma vez que até então nenhum chefe de Estado brasileiro havia sofrido um atentado.

Naquela época o clima era tenso e o país vivia uma grave crise política. A Monarquia estava prestes a desmoronar, e, assim como em épocas de campanha eleitoral, havia brasileiros e estrangeiros interessados na chegada da República enquanto outros na permanência da Monarquia.

No dia anterior ao atentado, grupos de estudantes entraram em conflito com a Guarda Negra (formada por libertos), uma vez que os ditos estudantes (republicanos) pretendiam comemorar o centenário da Revolução Francesa, evento não desejado naquele período conturbado.

No momento do atentado o imperador saía de um teatro no Centro do Rio de Janeiro, quando ouviu um grito de "Viva a República", e em seguida um jovem sacou uma arma e atirou na direção do imperador.

A bala não o atingiu e o responsável pelo atentado fora preso horas depois. Tratava-se de um caixeiro português que estava desempregado. Embora tenha sido apontado como culpado, depois de manifestações de solidariedade, D. Pedro II tratou de minimizar o episódio, e alegou que o tiro não teve motivação político.

Uma semana após a proclamação da República o caixeiro fora julgado e absolvido.

.

domingo, 10 de outubro de 2010

ESCRAVOS CARREGAVAM URINA E FEZES HUMANAS PARA QUE FOSSEM JOGADAS NO MAR

Muitos viajantes europeus que estiveram no século 19 aqui no Brasil deixaram registros dando conta da completa falta de higiene dos habitantes em nosso país.

Era frequente a presença de ratos transitando na sala de jantar enquanto os moradores faziam as refeições. E o curioso é que essa constatação era feita nas melhores casas, que dirá naquelas menos higiênicias!

No Rio de Janeiro, por exemplo, onde o lençol freático é pouco profundo, proibiu-se a construção de fossas sanitárias, de modo que a urina e as fezes humanas eram jogadas dentro do mar.

Os responsáveis pela condução das fezes e urinas resultantes das necessidades fisiológicas eram os escravos.

Tão logo o dia amanhecia iniciava-se o movimento de escravos conduzindo tonéis de dejetos sobre os ombros, a fim de que os mesmos fossem lançados dentro mar.

Para variar, parte do conteúdo destes tonéis caía sobre a pele do escravo, de modo que as costas dos mesmos passaram a receber, aos poucos, manchas semelhantes a dos tigres, daí o apelido que se tornou conhecido: "os tigres."

O ofício dos "tigres" provavelmente contribuiu sobremaneira para que fossem retardados os empreendimentos na área de saneamento básico, um fato semelhante também na histórica Recife.

.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

A ÁGUA FOI FEITA PARA A SOBREVIVÊNCIA DOS SERES VIVOS OU APENAS É NECESSÁRIA PARA A SOBREVIVÊNCIA DOS TAIS? VOCÊ NOTOU A DIFERENÇA?

Você é uma daquelas pessoas que acreditam numa finalidade predeterminada da natureza? Ou seja, você acredita que ela foi criada para a satisfação da raça humana? Conheça, agora, um breve relato histórico de crenças ligadas ao tema.

O primeiro grande nome a defender que nada na natureza era por acaso começou com o filósofo grego Aristóteles. Ele acreditava que havia propósitos ou objetivos bem definidos na natureza. Assim, a chuva tinha a finalidade de fazer crescer as plantas e suster os homens e animais.

A crença de Aristóteles parece ter voltado com toda força nos séculos XV e XVI, quando muitos passaram a defender que a natureza tinha finalidades bem definidas.

Passou-se a crer que animais e plantas existiam para a satisfação das exigências de ordem prática ou moral da vida humana. Deste modo, os animais existem para que o ser humano possa se alimentar deles e por sua vez as plantas existem para suprir os animais. Logo, a planta tem por objetivo prolongar a vida humana na Terra.

O mesmo raciocínio valia para situações desvinculadas do tema sobrevivência. O canto dos pássaros, por exemplo, servia para gerar entretenimento aos seres humanos.

Os posicionamentos em questão estão associados diretamente à visão religiosa que sustenta a existência de um criador inteligente que, antes de criar o Universo e tudo o que nele há, não somente planejou como fez (e faz) valer, na prática, seu projeto para a raça humana.

Hoje, no entanto, diferentemente de Aristóteles, que se posicionou achando estar agindo cientificamente, a própria ciência não enxerga o problema nesses termos. Ela acredita que a água é necessária para a vida e não que ela tenha sido criada para a sobrevivência dos seres vivos.

Se repararmos bem, há notável diferença entre uma proposição e outra.

.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

POLÍTICO SUICIDA-SE E PROVOCA SUICÍDIO COLETIVO

Os fatos que iremos descrever agora são poucos conhecidos. Trata-se de um suicídio praticado por um político, cuja atitude provocou o suicídio coletivo por parte daqueles que o amavam (e até de não simpatizantes).

O fato aconteceu em abril de 69 d.C., e envolveu um imperador romano, chamado Marco Sálvio Óton (ou Otão).

Antes de tirar a própria vida o imperador participou de uma festa religiosa e se vestiu com linho, como era de costume, afinal Otão era vaidoso o suficiente para querer sempre aparecer em público o mais bonito possível, embora fosse feio, segundo fontes da época. A vaidade era tanta que ele raspava o corpo e o rosto todos os dias e esfregava a pele com pão ensopado.

Logo que foi encontrado morto em seu aposento, vários soldados que vaziam a vigilância pessoal do imperador beijaram-lhe as mãos e os pés e em seguida todos praticaram suicídio. Antes da referida morte coletiva os soldados repetiram de forma uníssona que Otão era um herói valente, imperador único.

Muitas pessoas ausentes tiraram a própria vida, tão logo souberam do suicídio do imperador. O mais interessante é que pessoas que outrora haviam detestado em vida o imperador, quando souberam do ocorrido tiveram atitude semelhante.

O suicídio do imperador aconteceu cedo da manhã, cujo ato já havia sido programado por ele no dia anterior, tanto que deixou seu quarto aberto até altas horas da madrugada, quando pela manhã, depois de experimentar o punhal em suas próprias orelhas, decidiu-se por cravá-lo em seu peito esquerdo.

.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

TESTAMENTO DE PADRE CÍCERO (PARTE 3)

Abaixo, a terceira parte do testamento de Pe. Cícero. A transcrição é fiel ao documento original, o que explica os vários erros gramaticais. No trecho abaixo o padre faz um pedido especial aos padres salesianos e aos romeiros que residem e visitam Juazeiro do Norte. Acompanhe.

"Desde muito cêdo, quando comecei a ser auxiliado com esmolas, pelos romeiros de Nossa Senhora das Dores que aqui chegavam, a par do auxilio efficaz por mim feito para o desenvovimento desta terra, resolvi applicar parte das mesmas esmolas recebidas em propriedades, visando assim fazer um patrimônio para ajudar uma Instituição Pia e de Caridade que podesse aqui continuar a sua Obra Bemfazeja.

E por que, dentre todas as existentes, nenhuma se me afigura mais benemerita e de acção mais efficaz e de Caridade mais accentuada do que a dos bons e santos discipulos de D. Bosco, os Benemeritos Salesianos, a elles deixarei quase tudo que possúo, conforme adiante declaro.

E rogo a esses bons e verdadeiros servos de Deus, os Padres Salesianos que me façam esta grande Caridade, instituindo nesta terra uma obra completa.

Estou certo, não só por que conheço a indole deste povo aqui domiciliado, assim como das populações sertanejas que aqui frequentam e que por meio de bons conselhos tenho educado na pratica do Bem e do Amor a Deus e mais ainda por que o pedido que faço, estou certo, repito, que todos os romeiros aqui domiciliados ou de pontos distantes, como prova de estima e amizade a mim e em louvor e honra a Virgem Mãe de Deus, continuação a frequentar este meu amado Joazeiro, com a mesma assiduidade, e audiliarão aos Benemeritos Padres Salesianos, como se fôsse a mim proprio, para manutenção aqui da sua Obra de Caridade Christã, isto é, dos seus collegios, cuja existência desses mesmos Collegios nesta terra para todo e sempre, será a maior tranquilidade para minha alma na outra vida."

.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

CÂMARA E SENADO: HÁ EXATAMENTE 100 ANOS CHARGE JÁ DENUNCIAVA A VELHA ALIANÇA EM PROL DOS BENEFÍCIOS PRÓPRIOS

No último dia 3 de outubro de 2010 houve eleições para deputados e senadores. E como é de praxe, uns vão e outros vêm. Mas a cara do Poder Legislativo parece não mudar e a opinião pública se mantém segura em afirmar que não confia nos políticos, embora sempre nos deixamos seduzir pelo calor da campanha e das disputas.

Há exatamente 100 anos (ou seja, em 1910), uma charge publicada em uma revista mostra o descrédito da Câmara e do Senado brasileiros perante a sociedade. No final desta postagem você lerá o diálogo entre as duas casas, cuja conversa revela os planos maquiavélicos, bem camuflados pelo estereótipo.

A crítica mostra a conversa entre um homem e uma mulher, que dialogam intimamente à mesa de um bar. Ela (Câmara dos Deputados), uma bela jovem, sorridente, trajando longo vestido (o objetivo era mostrar que ela era moralmente correta), longo chapéu e um guarda-chuva à parte. Em seu vestido estava escrita, bem destacado, a palavra CÂMARA.

Ele (Senado), um senhor, trajando roupa elegante, se mostra totalmente atencioso e entregue ao diálogo. Ao fundo a cena mostra um garçom sorrindo, aparentemente a única testemunha daquela conversa promissora.

Vejamos o diálogo entre Câmara e Senado. A cena chama "ele" de Senado e "ela" de Câmara.

"Ela: - Francamente, aqui entre nós, temos uma vida de vadiação!
Ele: - E para que trabalhar mais! O trabalho, como sabes, foi feito para os burros, nós só devemos ter uma preocupação: ver um meio de gastar esse cobre [dinheiro] todo que, sem resultado, está acumulado na Caixa da Conversão! Mesmo porque as acumulações não são mais permitidas!"

.

domingo, 3 de outubro de 2010

PRINCESA ISABEL: APAIXONADA POR CÃES E POR SEU MARIDO

Não é de hoje o amor recíproco entre um cãozinho e seu dono. Nem começou no século 19 com a princesa Isabel, embora ela tenha se dedicado de corpo e alma a seus animaizinhos de estimação. Abaixo, você lerá um pouco sobre os bastidores dessa relação entre a princesa e seus cachorros, bem como sua dedicação ao marido.

Em agosto de 1865 Isabel se indispôs com sua irmã Leopoldina porque "Brilhantina", uma das cadelas da princesa, fez xixi no colo de sua irmã (da princesa). O motivo do bate-boca se deu depois que Leopoldina foi tirar satisfação por causa do ocorrido.

A princesa tinha o hábito de enviar cartas para Conde d'Eu, seu amado esposo francês. Em tais correspondências ela costumava desenhar a cadelina Brilhantina, para que seu marido pudesse matar a saudade.

A princesa tinha outros cães. Um deles, batizado de Riachuelo (em homenagem a Batalha do Riachuelo), marcou sobremaneira a vida de sua dona. Quando seu marido estava distante, ela tirava fotografias do cãozinho e as enviava para o amado.

Certa vez deixou-se fotografar ao lado da mãe e de Riachuelo e enviou a fotografia a Conde d'Eu. A princesa tratava - pelo menos na escrita - seus animais como se fossem membros da família.

O cãozinho Riachuelo era mesmo um xodó da princesa, que chegava a se sentir incomodada com a saúde frágil do animal. Quando o cão estava triste, ela mandava trazer os cachorros da vizinhança para que eles brincassem com Riachuelo, que tinha o costume de ficar sobre o colo da princesa, fazendo cócegas em suas pernas.

Depois que a fotografia foi inventada, no século 19, virou moda fotografar e ser fotografado. A princesa, que não ficou à parte daquela novidade, gostava de enviar às amigas fotografias de seus cachorros e o fazia com grande alegria.

Ao que tudo indica o amor da princesa Isabel pelos cachorros só não foi superado pelo amor que ela sentia por seu marido, cujos registros indicam que de fato a princesa morria de amores por Conde d'Eu. A propósito, em suas cartas ao marido, ela costumava assiná-las escrevendo "sua mulherzinha", sem falar que chegou a enviar uma parte de seus cabelos ao amado, a fim de que o mesmo matasse um pouco a saudade do cheiro de sua esposa.

.