Um século antes do Século das Luzes (XVIII), a França já desfrutava de sua aurora. Fundou academias e testemunhou seus patrícios com a sede e a fome por conhecimento necessárias para o desabrochar científico, poucas vezes vistas na história do ser humano.
A Paris do início do século XVII se viu envolta numa cultura em busca do saber e de descobertas científicas, cujos protagonistas eram principalmente nobres e burgueses.
O saber escolástico estava em descrédito, cuja essência não mais cativava o pensamento da época. Várias mentes estavam abertas às novas teorias, às novas descobertas; já não se acreditava na versão bíblica sobre a criação do homem e do Universo.
Cada vez mais essas mentes desejavam destronar as crenças populares, as versões difundidas pelos religiosos. As teorias de Copérnico e de Galileu eram verdadeiras fontes de inspiração. Os franceses perceberam ter chegado a hora de exorcizar, em definitivo, o pensamento que havia sido instituído havia séculos.
Foi neste contexto que criaram a Academia Francesa de Letras e a Academia de Ciências da França. Outras teriam surgido. O principal objetivo era difundir o saber e proporcionar debates acerca dos temas que estavam em voga na época.
A academia seria um espaço propício aos confrontos de ideias correntes e controvertidas. Os franceses estavam certos de que temas divergentes deveriam ser colocados em pauta, cujo debate deveria ocorrer de forma livre.
Foi neste contexto, ainda, que os franceses teriam criado a teoria de que as viagens seriam ricas fontes do saber da diversidade humana. Ou seja: para ser erudito, tinha que viajar, conhecer o mundo, principalmente locais históricos.
Os dois séculos seguintes aderiram irrestritamente a este novo pensamento: Goethe e Darwin são dois nomes que representam bem a herança da teoria francesa sobre as viagens. A América do Sul passou a ser um dos centros da atenção dos novos adeptos, tanto que muitas excursões foram direcionadas ao nosso continente.
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“Porque não vos fizemos saber o poder e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, seguindo fábulas artificialmente compostas, mas nós mesmos vimos a sua majestade, porquanto ele recebeu de Deus Pai honra e glória, quando da magnífica glória lhe foi dirigida a seguinte voz: 'Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo'. E ouvimos esta voz dirigida do céu, estando nós com ele no monte santo" (Apóstolo Pedro).
VOLTAIRE ERA ATEU, DEÍSTA OU AGNÓSTICO?
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
O SURGIMENTO DA TEORIA DAS VIAGENS E O CONTEXTO HISTÓRICO DO SURGIMENTO DAS ACADEMIAS FRANCESAS
Sou evangélico, membro da Assembleia de Deus. Graduado em história e pós-graduado em Direito Constitucional (especialização)
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
OS REAIS MOTIVOS QUE LEVARAM CHARLES DARWIN A DEIXAR O CURSO DE MEDICINA
Darwin, que nasceu em 1809, aos 16 anos de idade já entrara para o curso de Medicina, na Universidade de Edimburg, então considerada a melhor da Inglaterra.
Entrou para curso a fim de satisfazer o desejo do pai, que também era médico. Darwin passou apenas dois anos no curso, em cujo período ele faltou a diversas aulas, notadamente no verão.
Inicialmente se decepcionou com um professor de anatomia. Darwin passou a ter aversão ao dito professor, não somente pela indolência do mestre, mas porque este se apresentava na sala de aula sujo, muitas vezes manchado de sangue dos cadáveres. E Darwin não gostava de ver sangue!
Naquele período a Universidade de Edimburg passava por uma crise. Havia uma deterioração progressiva do nível dos professores, os quais eram acusados de favorecimentos políticos e eclesiásticos. Enfim, eles eram selecionados por influência dos políticos e dos religiosos ingleses.
Outro motivo que teria afastado Darwin do curso aponta para algumas experiências traumáticas que ele teve em duas intervenções cirúrgicas. Em uma delas, uma criança fora submetida a uma cirurgia sem a aplicação de anestesia, o que teria deixado o então aprendiz traumatizado ante a dor do paciente.
Darwin também passou a ter repugnância pelos corpos dos cadáveres. Não conseguia sequer olhá-los, quanto mais tocá-los. Os corpos não recebiam a conservação devida, pois não havia material adequado para esse fim. Na mesma época em que Darwin passou a ter estes traumas, muitos cidadãos ingleses eram assassinatos para terem seus corpos vendidos aos dissecadores.
O quarto motivo diz respeito ao contato que ele teve com naturalistas, quando estava no segundo ano do curso. Era membro de uma sociedade de História Natural, por quem foi recomendado a investir seus estudos em torno da história natural (que compreendia na época zoologia, meteorologia, geologia, botânica . . .).
A decisão de abandonar Medicina teria decepcionado o pai, que o aconselhou à carreira eclesiástica (seria pastor anglicano), de cujo projeto se apartou mais adiante.
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Entrou para curso a fim de satisfazer o desejo do pai, que também era médico. Darwin passou apenas dois anos no curso, em cujo período ele faltou a diversas aulas, notadamente no verão.
Inicialmente se decepcionou com um professor de anatomia. Darwin passou a ter aversão ao dito professor, não somente pela indolência do mestre, mas porque este se apresentava na sala de aula sujo, muitas vezes manchado de sangue dos cadáveres. E Darwin não gostava de ver sangue!
Naquele período a Universidade de Edimburg passava por uma crise. Havia uma deterioração progressiva do nível dos professores, os quais eram acusados de favorecimentos políticos e eclesiásticos. Enfim, eles eram selecionados por influência dos políticos e dos religiosos ingleses.
Outro motivo que teria afastado Darwin do curso aponta para algumas experiências traumáticas que ele teve em duas intervenções cirúrgicas. Em uma delas, uma criança fora submetida a uma cirurgia sem a aplicação de anestesia, o que teria deixado o então aprendiz traumatizado ante a dor do paciente.
Darwin também passou a ter repugnância pelos corpos dos cadáveres. Não conseguia sequer olhá-los, quanto mais tocá-los. Os corpos não recebiam a conservação devida, pois não havia material adequado para esse fim. Na mesma época em que Darwin passou a ter estes traumas, muitos cidadãos ingleses eram assassinatos para terem seus corpos vendidos aos dissecadores.
O quarto motivo diz respeito ao contato que ele teve com naturalistas, quando estava no segundo ano do curso. Era membro de uma sociedade de História Natural, por quem foi recomendado a investir seus estudos em torno da história natural (que compreendia na época zoologia, meteorologia, geologia, botânica . . .).
A decisão de abandonar Medicina teria decepcionado o pai, que o aconselhou à carreira eclesiástica (seria pastor anglicano), de cujo projeto se apartou mais adiante.
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Sou evangélico, membro da Assembleia de Deus. Graduado em história e pós-graduado em Direito Constitucional (especialização)
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
NERO E O JUDICIÁRIO
Em outras postagens vimos como surgiu a Defesoria Pública, como foi criada a primeira Ordem dos advogados, como surgiu a obrigatoriedade da matrícula dos advogados nessa ordem, como surgiram os honorários advocatícios.
Nero, que chegou a inovar quando estava julgando (durante as audiências ouvia as partes de acordo com a ordem de chegada), depois que Cláudio havia criado os honorários advocatícios, sancionou leis que obrigavam os litigantes ao pagamento de um salário fixo e devidamente justo aos advogados atuantes na causa.
Transferiu as causas do Fisco ao Fórum. Antes eram julgadas administrativamente, pela Tesouraria.
Ordenou que os presos criminosos fossem transferidos, da prisão, para locais onde existissem trabalhos públicos (como construção de prédios). A diferença do Brasil atual é porque aqui é facultativo ao preso, ao passo que lá, obrigatório.
Mas o imperador não deixou de expor seu autoritarismo: por diversas vezes cogitou entregar presos a um canibal egípcio, dado ao hábito de comer carne crua.
O objetivo de Nero, no caso, era fazer com que os presos enviados ao canibal sofressem morte lenta e dolorosa, cuja condenação seria proporcional ao crime, segundo o imperador.
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Nero, que chegou a inovar quando estava julgando (durante as audiências ouvia as partes de acordo com a ordem de chegada), depois que Cláudio havia criado os honorários advocatícios, sancionou leis que obrigavam os litigantes ao pagamento de um salário fixo e devidamente justo aos advogados atuantes na causa.
Transferiu as causas do Fisco ao Fórum. Antes eram julgadas administrativamente, pela Tesouraria.
Ordenou que os presos criminosos fossem transferidos, da prisão, para locais onde existissem trabalhos públicos (como construção de prédios). A diferença do Brasil atual é porque aqui é facultativo ao preso, ao passo que lá, obrigatório.
Mas o imperador não deixou de expor seu autoritarismo: por diversas vezes cogitou entregar presos a um canibal egípcio, dado ao hábito de comer carne crua.
O objetivo de Nero, no caso, era fazer com que os presos enviados ao canibal sofressem morte lenta e dolorosa, cuja condenação seria proporcional ao crime, segundo o imperador.
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Sou evangélico, membro da Assembleia de Deus. Graduado em história e pós-graduado em Direito Constitucional (especialização)
quarta-feira, 21 de julho de 2010
A PRIMEIRA VÍTIMA DA INQUISIÇÃO NO BRASIL
Ocorreu no final do século XVI (por volta de 1591) a primeira visita da Inquisição ao país. No Brasil a instituição não estava oficialmente instalada, cuja jurisdição pertencia ao Tribunal de Lisboa.
As Capitanias de Pernambuco e da Bahia foram, de início, aquelas que registraram as grandes brutalidades da Inquisição no país.
Uma moradora do Recôncavo Baiano teria sido a primeira vítima do Santo Ofício no Brasil.
Considerada cristã-nova (judeus convertidos à força ao catolicismo), era casada com um judeu que se dizia descendente dos macabeus, nome de uma tradicional família de judeus que liderou uma revolta no II século a.C., de cujo movimento surgiu uma poderosa dinastia judaica.
Os inquisitores teriam vindo ao Brasil inspecionar como andava a fé dos brasileiros e dos novos cristãos. Receberam denúncias de que a mártir ora praticava rituais católicos, ora judaicos. Quando esteve doente, apresentaram a ela um crucifixo, tendo a mesma fechado os olhos para não presenciar o símbolo católico. Tal postura era um insulto e um pecado grave.
Foi enviada à capital portuguesa, onde ficou presa numa câmara comprada especialmente para ela, tendo chegado a falecer na referida prisão, com mais de 80 anos de idade.
Seu processo continuou tramitando, sendo condenada à fogueira, mesmo estando enterrada havia mais de 10 anos.
Seus ossos foram desenterrados e queimados. O Santo Ofício mandou produzir uma imagem representando a "infiel" sendo atormentada no inferno, cercada por demônios, cuja imagem fora afixada na porta da igreja onde ela residia no Brasil. O objetivo era amedrontar eventuais desobedientes à Santa Inquisição.
A imagem fora posteriormente roubada, mas a sanha do inquisitor foi além: condenou filhos e netos da mártir, que se chamava Ana Rodrigues.
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As Capitanias de Pernambuco e da Bahia foram, de início, aquelas que registraram as grandes brutalidades da Inquisição no país.
Uma moradora do Recôncavo Baiano teria sido a primeira vítima do Santo Ofício no Brasil.
Considerada cristã-nova (judeus convertidos à força ao catolicismo), era casada com um judeu que se dizia descendente dos macabeus, nome de uma tradicional família de judeus que liderou uma revolta no II século a.C., de cujo movimento surgiu uma poderosa dinastia judaica.
Os inquisitores teriam vindo ao Brasil inspecionar como andava a fé dos brasileiros e dos novos cristãos. Receberam denúncias de que a mártir ora praticava rituais católicos, ora judaicos. Quando esteve doente, apresentaram a ela um crucifixo, tendo a mesma fechado os olhos para não presenciar o símbolo católico. Tal postura era um insulto e um pecado grave.
Foi enviada à capital portuguesa, onde ficou presa numa câmara comprada especialmente para ela, tendo chegado a falecer na referida prisão, com mais de 80 anos de idade.
Seu processo continuou tramitando, sendo condenada à fogueira, mesmo estando enterrada havia mais de 10 anos.
Seus ossos foram desenterrados e queimados. O Santo Ofício mandou produzir uma imagem representando a "infiel" sendo atormentada no inferno, cercada por demônios, cuja imagem fora afixada na porta da igreja onde ela residia no Brasil. O objetivo era amedrontar eventuais desobedientes à Santa Inquisição.
A imagem fora posteriormente roubada, mas a sanha do inquisitor foi além: condenou filhos e netos da mártir, que se chamava Ana Rodrigues.
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Sou evangélico, membro da Assembleia de Deus. Graduado em história e pós-graduado em Direito Constitucional (especialização)
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