quinta-feira, 5 de agosto de 2010

OS REAIS MOTIVOS QUE LEVARAM CHARLES DARWIN A DEIXAR O CURSO DE MEDICINA

Darwin, que nasceu em 1809, aos 16 anos de idade já entrara para o curso de Medicina, na Universidade de Edimburg, então considerada a melhor da Inglaterra.

Entrou para curso a fim de satisfazer o desejo do pai, que também era médico. Darwin passou apenas dois anos no curso, em cujo período ele faltou a diversas aulas, notadamente no verão.

Inicialmente se decepcionou com um professor de anatomia. Darwin passou a ter aversão ao dito professor, não somente pela indolência do mestre, mas porque este se apresentava na sala de aula sujo, muitas vezes manchado de sangue dos cadáveres. E Darwin não gostava de ver sangue!

Naquele período a Universidade de Edimburg passava por uma crise. Havia uma deterioração progressiva do nível dos professores, os quais eram acusados de favorecimentos políticos e eclesiásticos. Enfim, eles eram selecionados por influência dos políticos e dos religiosos ingleses.

Outro motivo que teria afastado Darwin do curso aponta para algumas experiências traumáticas que ele teve em duas intervenções cirúrgicas. Em uma delas, uma criança fora submetida a uma cirurgia sem a aplicação de anestesia, o que teria deixado o então aprendiz traumatizado ante a dor do paciente.

Darwin também passou a ter repugnância pelos corpos dos cadáveres. Não conseguia sequer olhá-los, quanto mais tocá-los. Os corpos não recebiam a conservação devida, pois não havia material adequado para esse fim. Na mesma época em que Darwin passou a ter estes traumas, muitos cidadãos ingleses eram assassinatos para terem seus corpos vendidos aos dissecadores.

O quarto motivo diz respeito ao contato que ele teve com naturalistas, quando estava no segundo ano do curso. Era membro de uma sociedade de História Natural, por quem foi recomendado a investir seus estudos em torno da história natural (que compreendia na época zoologia, meteorologia, geologia, botânica . . .).

A decisão de abandonar Medicina teria decepcionado o pai, que o aconselhou à carreira eclesiástica (seria pastor anglicano), de cujo projeto se apartou mais adiante.

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quarta-feira, 4 de agosto de 2010

NERO E O JUDICIÁRIO

Em outras postagens vimos como surgiu a Defesoria Pública, como foi criada a primeira Ordem dos advogados, como surgiu a obrigatoriedade da matrícula dos advogados nessa ordem, como surgiram os honorários advocatícios.

Nero, que chegou a inovar quando estava julgando (durante as audiências ouvia as partes de acordo com a ordem de chegada), depois que Cláudio havia criado os honorários advocatícios, sancionou leis que obrigavam os litigantes ao pagamento de um salário fixo e devidamente justo aos advogados atuantes na causa.

Transferiu as causas do Fisco ao Fórum. Antes eram julgadas administrativamente, pela Tesouraria.

Ordenou que os presos criminosos fossem transferidos, da prisão, para locais onde existissem trabalhos públicos (como construção de prédios). A diferença do Brasil atual é porque aqui é facultativo ao preso, ao passo que lá, obrigatório.

Mas o imperador não deixou de expor seu autoritarismo: por diversas vezes cogitou entregar presos a um canibal egípcio, dado ao hábito de comer carne crua.

O objetivo de Nero, no caso, era fazer com que os presos enviados ao canibal sofressem morte lenta e dolorosa, cuja condenação seria proporcional ao crime, segundo o imperador.

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quarta-feira, 21 de julho de 2010

A PRIMEIRA VÍTIMA DA INQUISIÇÃO NO BRASIL

Ocorreu no final do século XVI (por volta de 1591) a primeira visita da Inquisição ao país. No Brasil a instituição não estava oficialmente instalada, cuja jurisdição pertencia ao Tribunal de Lisboa.

As Capitanias de Pernambuco e da Bahia foram, de início, aquelas que registraram as grandes brutalidades da Inquisição no país.

Uma moradora do Recôncavo Baiano teria sido a primeira vítima do Santo Ofício no Brasil.

Considerada cristã-nova (judeus convertidos à força ao catolicismo), era casada com um judeu que se dizia descendente dos macabeus, nome de uma tradicional família de judeus que liderou uma revolta no II século a.C., de cujo movimento surgiu uma poderosa dinastia judaica.

Os inquisitores teriam vindo ao Brasil inspecionar como andava a fé dos brasileiros e dos novos cristãos. Receberam denúncias de que a mártir ora praticava rituais católicos, ora judaicos. Quando esteve doente, apresentaram a ela um crucifixo, tendo a mesma fechado os olhos para não presenciar o símbolo católico. Tal postura era um insulto e um pecado grave.

Foi enviada à capital portuguesa, onde ficou presa numa câmara comprada especialmente para ela, tendo chegado a falecer na referida prisão, com mais de 80 anos de idade.

Seu processo continuou tramitando, sendo condenada à fogueira, mesmo estando enterrada havia mais de 10 anos.

Seus ossos foram desenterrados e queimados. O Santo Ofício mandou produzir uma imagem representando a "infiel" sendo atormentada no inferno, cercada por demônios, cuja imagem fora afixada na porta da igreja onde ela residia no Brasil. O objetivo era amedrontar eventuais desobedientes à Santa Inquisição.

A imagem fora posteriormente roubada, mas a sanha do inquisitor foi além: condenou filhos e netos da mártir, que se chamava Ana Rodrigues.

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segunda-feira, 19 de julho de 2010

IMORTAL DA ACADEMIA FRANCESA VISITA AMAZÔNIA E DECEPCIONA PÚBLICO EUROPEU AO SUSTENTAR MITOS E LENDAS DO BRASIL

Até os imortais têm defeitos. Já vimos em outro momento que o conhecidíssimo Voltaire era brigão, marrento, um pouco trapaceiro, e ainda chegou a mentir para entrar na Academia Francesa (ocupou a cadeira 33, em 1746).

Desta vez vamos falar de um outro imortal, amigo não somente de Voltaire, como também de outros nomes famosos da elite intelectual francesa, como Diderot.

Próximo da metade do século XVIII uma comitiva francesa se dirigiu à região amazônica a fim de proceder a várias pesquisas, dentre as quais verificar a circunferência da Terra, daí porque optaram pela exploração da linha do Equador.

Dos acadêmicos franceses, um se dedicou especificamente à pesquina natural, bem como aproveitou para estudar os índios amazônicos.

E elite intelectual europeia - principalmente a francesa - achou que a expedição à América do Sul iria desvendar lendas e mitos que recheavam o imaginário dos viajantes. Naquele tempo a Europa estava infestada de relatos fantasiosos que partiam do Brasil e dos demais países das Américas.

Mas Charles-Marie de La Condamine (que ocupou em 1760 a cadeira de nº 23 da Academia) não superou as expectativas europeias. Quando chegou a Paris, o acadêmico deu uma palestra para um público elitizado e sedento por ouvi-lo; mas o imortal entreteve o público com conversas que só aumentaram as crendices em voga naquele momento.

Perguntado sobre a cidade do El Dorado e sobre as famosas guerreiras Amazonas, La Condamine deu a entender que ambas eram reais. Tomou como base relatos indígenas, os quais, como muitos da época, também criam em lendas e mitos.

O imortal francês também agiu de má fé: apoderou-se de pesquisas feitas antes dele, as quais foram apresentadas como sendo de sua autoria. Uma destas pesquisas (feitas por um jesuíta suíço) ficou em poder do francês para que ele a publicasse posteriormente, cuja missão ele não cumpriu.

E o pior: o acadêmico passou uma péssima impressão dos índios brasileiros. Afirmou que os nativos eram mentirosos, crédulos, inimigos do trabalho, bem como incapazes de reflexão.

Finalizou dizendo que os índios levam a vida sem pensar, pois eram como crianças a vida inteira, de cuja idade nunca se apartavam, mesmo quando adultos e velhos.

Bastaram dois séculos para o antropólogo - coincidentemente um acadêmico francês - desmentir a tese de La Condamine sobre os índios e sua cultura. Estamos falando de Claude Lévi-Strauss, que ocupou a cadeira 29, em 1973.

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