sexta-feira, 5 de agosto de 2011

TEXTOS MEDIEVAIS (1) RETRATAM O DESEJO FEMININO DE SER RESPEITADA PELO MARIDO EM AMBIENTES PÚBLICOS; (2) EDUCAM A ESPOSA EM RELAÇÃO À BOA MANEIRA DE AGRADAR AO MARIDO

A concepção de que a mulher tem a obrigação de obedecer ao homem é antiga, perpassa o brio religioso e atinge, embora com menor força (bem menor mesmo), o presente século.

Na Europa medieval, tal visão estava bastante em voga, o que explica o fato de o homem se sentir no direito de repreender (publica ou reservadamente) sua esposa, sem se importar com a desonra moral a que elas estavam sujeitas.

As mulheres estavam em um "beco sem saídas": se elas se mostravam acolhedoras e corteses, corriam o risco de uma interpretação maliciosa por parte dos homens; se, ao contrário, deixam a cortesia de lado, são conceituadas de orgulhosas.

Na igreja, deveria se manter em silêncio, e o riso, durante as missas, estava proibido. O véu deveria ser tirado com sobriedade, de modo a demonstrar piedade. O olhar, este inegável indicador de desejos contidos, deveria estar atento, pois não poderia revelar seu lado sexual.

Um manual francês, de 1393, retratou, num personagem fictício, a relação entre marido e esposa, no tocante à forma como aquele deveria se reportar a esta publicamente. Leiamos com atenção:

"Pedistes-me humildemente em nosso leito, lembro-me, que pelo amor de Deus eu não vos repreendesse jamais de maneira desagradável diante dos estranhos ou diante de nossos criados, mas que vos fizesse observações toda noite, a cada dia, em nosso quarto, e que vos lembrasse as faltas de conduta ou as ingenuidades cometidas durante o dia ou nos dias passados, e que vos indicasse como vos comportar e vos desse conselhos a esse respeito; então não deixaríeis de mudar vossa conduta seguindo meus conselhos e faríeis o melhor possível o que eu vos pedisse".

Em outro trecho, o manual recomenda às mulheres:

"(...) deveis ser muito amorosa e muito íntima de vosso marido acima de todas as outras criaturas vivas, medianamente amorosa e íntima de vossos bons e próximos parentes carnais e parentes de vosso marido, manter-vos absolutamente à distância dos presunçosos e ociosos rapazes (...)".

Tratando sobre a felicidade do marido ao ser bem recepcionado no lar pela esposa, escreve:

"[o marido gosta] de ser descalçado com bom fogo, ter os pés lavados, ter meias e sapatos limpos, ser bem alimentado, ter boa bebida, ser bem servido, bem honrado, bem dormido em lençóis brancos, e toucas de dormir brancas, bem coberto com boas peles e saciado das outras alegrias e divertimentos, intimidades, amores e segredos sobre os quais me calo. E no dia seguinte, camisas e trajes novos".

Na tentativa de conscientizar a esposa sobre a necessidade de seguir à risca os ensinamentos em questão, foi inserido no manual um provérbio rural "que dizia que três coisas afastam o homem prudente de sua casa, a saber, a casa aberta, chaminé fumosa e mulher briguenta".

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