sexta-feira, 22 de julho de 2011

OS BASTIDORES DO TERCEIRO SEGREDO DE FÁTIMA: UM REGRESSO À IDADE MÉDIA?

O chamado Terceiro Segredo de Fátima já foi divulgado por João Paulo II, de modo que hoje, diferentemente de outrora, o tema está em desuso, embora existam setores que contestam a autenticidade do teor revelado, alegando que o verdadeiro segredo continua guardado pelo Vaticano.

Independentemente de tais acusações serem verdadeiras ou não, há muita informação de valor histórico em torno da questão que parece não ter chegado ao grande público, cuja essência pode comprometer a credibilidade das declarações feitas pelo Vaticano durante o tempo em que o segredo ainda era de fato um segredo.

Atentemo-nos aos fatos. Antes, vejamos a transcrição (na íntegra) do Terceiro Segredo de Fátima:
« J.M.J.

A terceira parte do segredo revelado a 13 de Julho de 1917 na Cova da Iria-Fátima.

Escrevo em acto de obediência a Vós Deus meu, que mo mandais por meio de sua Ex.cia Rev.ma o Senhor Bispo de Leiria e da Vossa e minha Santíssima Mãe.

Depois das duas partes que já expus, vimos ao lado esquerdo de Nossa Senhora um pouco mais alto um Anjo com uma espada de fôgo em a mão esquerda; ao centilar, despedia chamas que parecia iam encendiar o mundo; mas apagavam-se com o contacto do brilho que da mão direita expedia Nossa Senhora ao seu encontro: O Anjo apontando com a mão direita para a terra, com voz forte disse: Penitência, Penitência, Penitência! E vimos n'uma luz emensa que é Deus: “algo semelhante a como se vêem as pessoas n'um espelho quando lhe passam por diante” um Bispo vestido de Branco “tivemos o pressentimento de que era o Santo Padre”. Varios outros Bispos, Sacerdotes, religiosos e religiosas subir uma escabrosa montanha, no cimo da qual estava uma grande Cruz de troncos toscos como se fôra de sobreiro com a casca; o Santo Padre, antes de chegar aí, atravessou uma grande cidade meia em ruínas, e meio trémulo com andar vacilante, acabrunhado de dôr e pena, ia orando pelas almas dos cadáveres que encontrava pelo caminho; chegado ao cimo do monte, prostrado de juelhos aos pés da grande Cruz foi morto por um grupo de soldados que lhe dispararam varios tiros e setas, e assim mesmo foram morrendo uns trás outros os Bispos Sacerdotes, religiosos e religiosas e varias pessoas seculares, cavalheiros e senhoras de varias classes e posições. Sob os dois braços da Cruz estavam dois Anjos cada um com um regador de cristal em a mão, n'êles recolhiam o sangue dos Martires e com êle regavam as almas que se aproximavam de Deus.
Tuy-3-1-1944 ».

A primeira impressão é a de que não há uma referência ao fim do mundo, a catástrofes climáticas, à fome, etc. como se pensou. De fato, a própria Igreja concordou que a Visão não faz menção a tais assuntos.

A segunda impressão é a de que o texto é de difícil interpretação, tal quais os textos apocalípticos da Bíblia (tanto o canônico como os não canônicos), de modo que uma interpretação infalível é quase inacreditável.

Mas o texto fora, em enfim, interpretado e o Vaticano concluiu, em suma, que a revelação retrata a luta da Igreja contra o comunismo ateu da antiga União Soviética, bem assim o sofrimento a que se submeteram os papas do século XX em manter a fé católica de seu rebanho.

Por que, então, a persistência no segredo por tanto tempo?

A primeira resposta vem da própria Irmã Lúcia, quando advertiu que o segredo não deveria ser contado antes de 1960. Perguntada no ano 2000 sobre o porquê de tal data, ela respondeu: "Não foi Nossa Senhora; fui eu que meti a data de 1960 porque, segundo intuição minha, antes de 1960 não se perceberia, compreender-se-ia somente depois. Agora pode-se compreender melhor. Eu escrevi o que vi; não compete a mim a interpretação, mas ao Papa".

Vale lembrar que inicialmente a Irmã Lúcia afirmou que a visão era de Nossa Senhora das Dores, depois disse que se tratava, na verdade, de Nossa Senhora do Carmelo. Escreveu ainda, na Visão, que o papa seria morto. O atentado sofrido por João Paulo II em 1981 seria o retrato profético desta parte do segredo. Mas o papa não morreu! Ratzinger justificou dizendo que a sobrevivência do papa ao atentado significa que não existe um destino imutável (na prática: Nossa Senhoria falhou na profecia).

O segundo motivo não se sabe ao certo, sendo certo que, gradativamente, a cúpula católica foi revelando a monstruosidade do segredo.

Embora o Terceiro Segredo tenha sido escrito em janeiro de 1944, somente treze anos depois o Vaticano aceitou guardar o envelope. Até então estava sob os cuidados de um padre, visto que a Igreja havia recusado proteger o documento.

Foi lido pela primeira vez em 1959, pelo então papa João XXIII. Um ano depois (data em que poderia ser divulgado), a Igreja decidiu que a divulgação do segredo seria adiada por tempo indeterminado.

O papa seguinte leu e se recusou a divulgar. Tudo indicava que algo terrível estava registrado na carta de Lúcia. Após ser baleado em Fátima (Portugal), no dia 13 de maio de 1981, João Paulo II decidiu ler o tão protegido segredo, ato seguido pelo então cardeal Ratzinger (hoje papa Bento XVI).

Em longa entrevista a um jornalista italiano em 1984, Ratzinger - que já havia lido a carta - declarou: "Uma severa advertência foi lançada daquele lugar, dirigida contra a frivolidade predominante, um chamado à seriedade de vida, de história, dos perigos que ameaçam a humanidade".

Um ano antes, João Paulo II declarou: "Precisamente ao fim do segundo milênio, acumulam-se no horizonte de toda a humanidade nuvens enormemente ameaçadoras, e as trevas baixam sobre as almas humanas".

Em um de seus livros (publicado em 1994), João Paulo II é mais enfático: "Maria apareceu as três crianças de Fátima em Portugal e disse-lhes palavras que agora, no fim do século, parecem próximas do seu cumprimento".

Por acaso o papa falava do comunismo russo? Impossível: a União Soviética caíra em 1989. Teria a afirmação do papa alguma relação com o Terceiro Segredo? Uma revista católica chegou a publicar que João Paulo II se preocupava diariamente com o Terceiro Segredo de Fátima. Estariam João Paulo II e Ratzinger, como no velho costume medieval, gerando medo na sociedade, com o objetivo de resgatar o rebanho católico (que, por sinal, em 1994 saía aos montes da Igreja)? Fica a indagação.

PARA LER SOBRE MAIS APARIÇÕES MARIANAS, NOTADAMENTE ANTES DO TERCEIRO SEGREDO DE FÁTIMA, ACESSE:

http://historiaesuascuriosidades.blogspot.com/2011/09/aparicoes-marianas-um-pe-no-calo-da.html

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3 comentários:

  1. O problema da linguagem das profecias é que dão margem sempre à incerteza porque comportam todas as explicações e interpretações possíveis e inimagináveis. PORQUE DIZEM TUDO E NADA AO MESMO TEMPO SÃO INEGÁVEIS,. PORÉM INÚTEIS. É como interpretação de sonho para jogar no bicho. Antes de jogar a interpretação é uma, após o sorteio fica claro que o sonho dizia repeito ao bicho sorteado.

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  2. Pois é, Dr. Valdecy. Essa relação entre o Céu e a Terra sempre se mostra de forma dúbia (fenômeno, por sinal, nada estranho à história da humanidade, seja de qual período for). Se o Céu de fato tem o poder de nos convencer de sua essência pelo uso da razão, certamente o método é ineficiente. Se, por sua vez, o Céu se utiliza de seu poder celeste para manipular a Terra, esta se encontra, na melhor das proporções racionais, em franca desvantagem em relação àquela - somos um brinquedinho, daí os erros e desilusões

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  3. Até o mês de setembro o blog falará sobre aparições marianas autocontraditórias, ocorridas antes mesmo do suposto fenômeno registrado em Fátima, no ano de 1917.

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