domingo, 5 de junho de 2011

UMA NAÇÃO SOMENTE SERÁ FORTE SE ELA ACREDITAR EM DEUS, DEFENDIA PLATÃO. MARX E NIETZSCHE DEFENDIAM O OPOSTO.

Para Marx, a religião é o ópio do povo. Ou seja, a religião torna o homem cego, estável (ou regressista), conformado com o mal, com a relação patrão-empregado. Para Marx, a crença em Deus é, portanto, um mal a ser evitado. Nietzsche, por sua vez, além de não crer em Deus, entendia que a esperança em um Deus já não se fazia necessária em seu tempo.

Não era assim que pensava o filósofo grego Platão, que, embora acreditasse na existência de vários deuses, difundiu a ideia da possibilidade da criação do mundo a partir de um Deus único.

Se Platão tivesse nascido hoje e mantivesse seus mesmos ideais, ele poderia ser rotulado de filósofo, historiador, teólogo, matemático, sociólogo e cientista social. E foi nas ciências humanas que ele encarnou sua fama. A República - um de seus clássicos - que o diga.

Na citada obra, o autor teorizou, de forma clássica, acerca do modelo sociopolítico que o Estado deveria adotar, com fins à felicidade plena (mais social do que individual).

Para Platão - que defendia a necessidade do Estado ser governado por filósofos -, uma nação somente seria forte se o seu povo tivesse uma religião. Acreditar na existência de um Deus vivo, que distribuía recompensas e castigos, era algo vital para a sociedade.

Tal crença deveria ir mais longe: o povo tinha que acreditar numa vida pós-morte, quando então cada um seria alvo de tais recompensas ou castigos.

Esse Deus não seria, necessariamente, semelhante aos humanos (como defendem o cristianismo, o judaísmo e o islamismo). Uma força cósmica já seria suficiente, desde que essa força (Deus), fosse ativa e gerasse esperança e temor em seus fiéis.

Segundo Platão, o ser humano que acredita numa vida pós-morte e em suas consequências (recompensas e punições) é uma pessoa mais preparada para modelar seus anseios antissociais, como a ganância (uma referência, talvez, ao incontido desejo de ascensão social, algo combatido por ele, o que poderia gerar descontroles na sociedade).

Outra vantagem para o indivíduo - membro de um corpo social -, apontava para a relação entre vida e morte de um parente. O filósofo entendia que a crença de que o indivíduo seria consolado depois da morte de um ente querido seria o melhor remédio para as dores daqueles que ficavam na Terra.

Em suma, na prática não importava se Deus existia ou não, e sim a prudente solidificação da crença na existência desse Deus. Platão não foi ateu. Pelo contrário, estava convicto de uma vida depois da morte. Nesse campo, suas crenças estavam mescladas, de sorte que, a julgar pelas religiões atuais, existem elementos encontrados na fé espírita, cristã, judaica, muçulmana, dentre outras.

A necessidade da crença em um Deus foi válida, provavelmente, até os idos de Maquiavel. Com o Iluminismo e o florescimento das ciências naturais do século XIX e da ciência tecnológica do século XX, a validade da crença em Deus passou a ser duramente questionada, embora existam pesquisas recentes que apontam consideráveis vantagens médicas, psicológicas e sociais em se manter o pensamento defendido por Platão, mesmo no século atual.

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