quinta-feira, 9 de junho de 2011

SEGUNDO ROUSSEAU, QUANTO MAIS O ESTADO CRESCE, MAIS A LIBERDADE DIMINUI

Rousseau (1712 - 1778) é considerado, ao lado de Voltaire, um dos principais filósofos iluministas. O suíço, que é autor do clássico O contrato social, discutiu, na citada obra - além de outros temas -, a questão da relação entre o crescimento do Estado e a liberdade dos cidadãos que estão sujeitos a esse Estado.

Abordando o tema, Rousseau inicia o capítulo assim: "Advirto o leitor que este capítulo deve ser lido pausadamente e que desconheço a arte de ser claro para quem não quer prestar atenção".

E prossegue: "Toda ação livre tem duas causas que concorrem para produzi-la. Uma, moral, a saber, a vontade que determina o ato; outra, física, a saber, o poder que a executa".

Mais adiante, Rousseau dá prosseguimento ao seu raciocínio:

"Suponhamos que o Estado seja composto de dez mil cidadãos. O soberano não deve ser considerado senão coletivamente e em corpo. Cada partícula, mas cada cidadão privado, na qualidade de súdito, é considerado como indivíduo. Assim, o soberano está para o súdito na proporção de dez mil para um, isto é, cada membro do Estado possui a décima milésima parte da autoridade soberana, embora esteja todo inteiro a ele submetido."

Continua...

"Se o povo é constituído de cem mil homens, a situação dos súditos não muda e cada um suporta igualmente todo o império das leis, ao passo que seu sufrágio, reduzido a um centésimo-milésimo, tem dez vezes menos influência em sua redação. Então, como o súdito permanece sempre um, a relação do soberano aumenta em razão do número dos cidadãos. Disso decorre que quanto mais o Estado cresce, mais a liberdade diminui."

Em suma, quanto mais populoso um país, menor é a força proporcional em relação ao todo que cada indivíduo exerce.

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