segunda-feira, 23 de maio de 2011

A ORIGEM DO JARDIM DE INFÂNCIA NO BRASIL

A origem do termo jardim de infância é atribuída ao protestante Friedrich Frobel (1782 - 1752), um pedagogo alemão com destacável atuação como educador infantil. Em 1837 ele pôs em prática seu primeiro jardim de infância, onde as crianças eram consideradas plantinhas de um jardim (daí o nome).

Antes dele e das escolas infantis do século 19, a Europa já havia experimentado o uso de salas destinadas ao abrigo de crianças. Em 1816, um reformista social e empresário escocês abriu uma sala destinada a abrigar e a educar filhos de seus operários. Fenômeno parecido foi constatado na França, dez anos depois.

No Brasil, a criação do primeiro jardim de infância se deu em 1875, no Colégio Menezes Vieira, mesmo nome de seu fundador, o médico Joaquim José Menezes Vieira (1848 - 1897). Sua esposa, Carlota, foi cofundadora do mesmo colégio, cuja atuação em nada deixou a desejar a de seu esposo.

O colégio funcionava no Centro do Rio de Janeiro, que na época era a capital do país. O modelo adotado repercutiu na capital federal. O próprio imperador, D. Pedro II, visitava a escola e parecia ter as melhores impressões do recém-implantado jardim de infância.

O jornal Gazeta de Notícia divulgou, em 1881, que "Sua Majestade retirou-se à 1 hora da tarde, tendo antes visitado todas as dependências do estabelecimento e manifestado sua satisfação por vê-lo bem montado e em tão lisonjeiras condições". O imperador, como se sabe, era um grande leitor e incentivador da leitura, sem falar que tinha o hábito de visitar as escolas do Rio de Janeiro.

As salas comportavam aproximadamente 30 alunos, que eram introduzidos à ginástica, ao desenho, à pintura, à jardinagem... O professor deveria conceder extrema liberdade ao aluno. Já havia cartazes que traziam frases do tipo: "A vida da criança deve ser uma festa perpétua" e "Oh! O jardim há de dar o que os cárceres não deram".

O casal Menezes Vieira e Carlota, que havia se inspirado no educador alemão, logo foi copiado por outros colégios. Já na década de 80 do século 19 o Rio de Janeiro viu-se alvo do crescimento do modelo então implantado.

Embora educadores tivessem apoiado o modelo em questão, a ideia de educação infantil ainda não estava bem incorporada no país. Para muitos, as escolas para crianças "roubavam" o papel da família, uma vez que, para os tais, o papel de educador cabia ao pai e à mãe e não às tias (termo ainda hoje usado para professoras, cuja origem também se deu no citado século).

O projeto, porém, prosseguiu, e o advento da República só aumentou o número de salas de aula nas escolas do país com tal fim pedagógico, principalmente nas grandes capitais. Na década de 20 do século XX, o país já contava com aproximadamente 50 jardins de infância.

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