quarta-feira, 6 de abril de 2011

MÉTODOS PARA EVITAR QUE O DEFUNTO FUJA DO TÚMULO

Recentemente o ex-vice-presidente da República do Brasil, José de Alencar, foi cremado, uma prática cada vez mais crescente no país. Tal prática, no entanto, é antiga e está associada a diversas razões. Diferentemente da cremação - e da cova -, o uso da tumba se tornou uma prova da vaidade do ser humano, não pelo aspecto ligado à beleza exterior, mas pelo desejo de revelar aos outros suas últimas vontades.

O uso da cremação do corpo se deveu, além dos motivos associados à higiene, à crença no sobrenatural, notadamente no final da Idade Antiga e início da Idade Média. Acreditava-se que a alma do morto conseguia sair do túmulo e tinha ainda poderes para pecorrer diversos lugares em pouco tempo.

A cova já não era mais suficiente para prender o defunto em seu último assento. Precisava-se destruí-la (a alma), juntamente com o corpo do morto. Assim, embora a cremação não tenha surgido com tal finalidade, os antigos romanos e muitos europeus que viveram no final da Idade Antiga e início da Idade Média vão alimentar a crença de que a cremação era a única forma de fazer com que a alma do morto não voltasse para assombrar os seres vivos.

Era costume entre os antigos europeus, o ato de se enterrar os mortos à beira das estradas. Geralmente, era comum se deparar com verdadeiros cemitérios que se prolongavam ao longo das estradas, um ambiente propício aos relatos de visão de almas que, via de regra, gostavam de assombrar os vivos. Tal crença fez com que muitos parentes plantassem arbustos espinhosos ao redor dos túmulos, cuja finalidade era prender a alma que se aventurasse a vagar por caminhos que não mais lhe pertenciam.

Além do quê, os antigos europeus eram partícipes de outra tradição, que mesclada ao cristianismo, atravessou os oceanos e chegou à América.

Acreditava-se que, isolado numa cova, o defunto sofria de uma verdadeira solidão, indigna de seus atributos enquanto fora vivo. Assim como alguns africanos já praticavam, eles - os parentes vivos -, desejavam estar mais perto do ente querido, de modo que não somente as tristezas, como também as alegrias deveriam ser compartilhadas.

Foi assim que se alimentou mais e mais o desejo de fazer oferendas e verdadeiras festas junto aos túmulos dos falecidos, sem falar que tais crenças ajudaram a justificar a necessidade de se enterrar os mortos sob o piso das igrejas cristãs, uma forma, portanto, de deixar o falecido mais próximo de Deus - que, em última instância, tinha o poder de acalmar a alma daquele que se achava imerso num mundo de solidão: a cova.

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