sexta-feira, 29 de abril de 2011

INJUSTAMENTE ACUSADA DE TER INVENTADO O INFERNO, A IGREJA CATÓLICA NADA TEM A VER COM A ORIGEM DE TAL CRENÇA

Afinal, o Inferno existe ou não existe? Não é sobre esta pergunta que iremos tratar, embora certamente é uma pergunta que perturbou (e continua perturbando) os seres humanos há séculos e séculos.

Existindo ou não, ele, o Inferno, foi e continua sendo a arma central para convencer pessoas a aderirem às denominações religiosas que nele creem incondicionalmente.

No passado, a Igreja Católica se utilizou de tal crença para amedrontar e impor seus desejos não espirituais, ao passo que hoje, os protestantes apregoam, de forma viva - e assustadora - que há somente dois destinos: Céu e Inferno, de sorte que muitos se agarram a tais crenças unicamente movidos pelo medo da dor eterna.

Quem, enfim, criou e eficazmente divulgou tal crença? Os católicos, os protestantes, os judeus, os antigos gregos? Há, quem afirme, ter sido a Igreja Católica a criadora do "Inferno" como meio de manipulação. A referida acusação não procede.

Tais acusações recaem sobre o referido segmento religioso porque, praticamente desde sua oficialização, a Igreja Católica usou da força e do falso discurso para impor suas pretensões. É historicamente sabido que a Igreja mentiu, manipulou e, para "tristeza" de alguns protestantes, selecionou os livros que compõem o Novo Testamento da Bíblia dos próprios protestantes.

Assim, ficou no imaginário de leitores, estudantes e alguns professores, a ideia de que a Igreja Católica precisou criar um forte motivo para gerar medo nos fiéis, de modo que seus desejos fossem pacificamente alcançados.

Ao contrário do que muitos pensam, a crença na condenação ao Inferno (nos termos bíblicos) está documentada pelos cristãos antes mesmo da Igreja ter sido institucionalizada. Não estamos falando da Bíblia, mas de outros documentos, produzidos nos primeiros séculos - alguns, inclusive, no final do primeiro século. É o caso, por exemplo, de uma obra chamada de Didachê.

Tal documento fora escrito ainda no final do primeiro século (há quem afirme ter sido por volta de 120d.C.) e revela, de forma clara e indiscutível, a crença no seio cristão em relação ao Inferno. Até o momento não há acusações de que ele fora adulterado pela Igreja. Ou seja, até os críticos aceitam ser um documento autêntico. Diz o texto:

"Então a criação dos homens entrará no fogo do juízo e muitos tropeçarão e perecerão."

O Didachê está catalogado como um documento apócrifo pela Igreja. Católicos e protestantes não o aceitam como sendo digno de credibilidade porque há outros ensinamentos contrários aos dogmas oficiais dos citados segmentos religiosos. Ainda assim, subsiste o valor histórico em relação à crença que alguns cristãos já manifestavam no primeiro século.

Outros documentos não bíblicos também servem para provar que a Igreja Católica não inventou a crença no Inferno. Dois deles, produzidos no segundo século (vale lembrar que a Igreja Católica fora criada no século 4), revelam que a crença no Inferno era abundante.

Estamos falando de uma carta de Justino Mártir, um ex-seguidor do platonismo e estudioso do estoicismo, enderaçada ao imperador romano Antonino Pio, em meados do século II. Na citada carta, o estudioso Justino - que se converteu ao cristianismo e abandonou os princípios filosóficos gregos -, faz claras alusões ao Inferno, exatamente como o concebemos nos dias atuais.

Além do quê, o Inferno é citado ainda em outros documentos apócrifos, todos eles escritos antes mesmo da Igreja ter sido criada oficialmente. Assim, não se pode afirmar que a Igreja inventou o Inferno, embora seja correto que ela se utilizou de tal crença para alcançar seus desejos nada santos.

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