domingo, 10 de abril de 2011

EPITÁFIO: FRUTO DA VAIDADE HUMANA?

Epitáfios são aquelas inscrições sobre lápides e túmulos. Sua origem remonta à Antiguidade e foram os romanos quem justificaram sua necessidade, além de serem os grandes responsáveis pela exportação de tal costume, até hoje em moda, embora tais inscrições estejam praticamente limitadas à publicação das datas (nascimento e falecimento).

Como vimos em outro momento, o enterro dos mortos deixa de ser, aos poucos, um ato que tenderia a esconder não somente o corpo, como também a memória do falecido. Assim, para o antigo romano, enterrar o corpo numa cova era uma forma de sepultar, juntamento com ele, as virtudes (então constituídas das vaidades pessoais e dos valores dignos de ser copiados pelos passantes).

A vaidade romana precisava de holofotes. O enterro passou a ser, enfim, uma excelente oportunidade para registrar os feitos de seu titular. Como a fama estava diretamente associada à virtude, quanto mais famoso, mais virtude, como bem anotou o antigo historiador Tácito.

O auge deste afã foi registrado entre os séculos I e III (d.C.). Em tal período, era moda os romanos dialogarem sobre seus funerais enquanto participavam de banquetes. Embora os antigos romanos fossem altamente supersticiosos, falar sobre seus funerais em momentos tão festivos não era prova de maus presságios.

Ocorria, às vezes, de muitos deles redigirem suas próprias inscrições enquanto se divertiam com os amigos. Era um momento oportuno para se falar sobre seus feitos, suas virtudes, seus prodígios. O avançar da bebedeira concorria para que alguns lessem, para os demais, aquilo que se pretendia ficasse registrado em suas respectivas lápides.

Havia inscrições para todo tipo e gosto. Uns recomendavam que o transeunte aproveitasse a vida e fizesse de tudo para alcançar o maior prazer possível. Outros, recomendavam princípios ligados à filosofia grega, como o estoicismo e o epicurismo. Outros, por sua vez, aproveitavam para denunciar seus algozes em vida, enquanto não faltou quem amaldiçoasse seus desafetos, desejando-lhes as pragas do inferno.

De modo sucinto, a tumba e a lápide (principalmente esta) são elementos criados pela vaidade humana, notadamente pela vaidade romana, em um período em que fama e virtude se confundiam. A tumba, já há muito usada pelos egípcios, foi substituta das covas e mastabas, ambas frágeis aos projetos ambiciosos do referido povo oriental, cujo projeto estava centralizado unicamente na religião.

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Um comentário:

  1. Gostaria de saber o teor de alguns epitáfios judaicos, romanos e cristãos no primeiro século.

    Muito obrigado

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