quinta-feira, 31 de março de 2011

MENTIRAS NO DIA DA MENTIRA

Desde cedo aprendemos que 1º de abril é o Dia da Mentira, cuja data é, inclusive, esperada com ansiedade por muitos, principalmente por aqueles que costumeiramente são dados a brincadeiras do tipo. E por falar em brincalhões, veremos que dois conhecidos personagens da história do Brasil estão diretamente envolvidos com mentiras contadas no 1º de abril. Antes, um breve histórico sobre a provável origem desse dia.

Comumente se atribui à França a paternidade do Dia da Mentira, embora não o tenha feito oficialmente. Poucos antes de entrar em vigor o Calendário Gregoriano, Carlos IX, rei francês, determinou que o ano começasse a partir de 1º de janeiro e não mais no final de março.

A medida não agradou a todos, de modo que uns continuaram comemorando as festas de fim de ano a partir de 25 de março, cujas comemorações iam até o dia 1º de abril. Aqueles que aceitaram o novo calendário resolveram, então, brincar com os relutantes, enviando-lhes presentes estranhos e convites para festas que não existiam.

A brincadeira se tornou uma tradição e o dia 1º de abril acabou sendo a data mais significativa dessas brincadeiras, uma vez que os presentes e os falsos convites se davam na citada data. Posteriormente as brincadeiras invadiram outros países europeus, de modo que a data em questão passou a ser conhecida como um dia de se falar mentiras.

Célebres mentiras já foram pregadas, inclusive na imprensa. Foi o caso da notícia dando conta de que uma minúscula república russa havia doado seis metros quadrados de seu território a uma república vizinha, com o objetivo de conseguir o título de menor Estado autônomo, recorde atualmemte do Vaticano.

O autor de Escrava Isaura, Bernardo Guimarães, era um costumeiro brincalhão e não deixava passar em branco o Dia da Mentira. No dia 1º de abril de 1851, aproveitou-se da doença do colega, o famoso poeta Álvares de Azevedo - que se achava pálido e já sofria de tuberculose - para montar mais uma brincadeira de mau gosto.

Combinou com o colega e passaram a divulgar que Álvares de Azevedo havia morrido. Arrecadou dinheiro junto dos amigos alegando que o numerário seria para ajudar a pagar as despesas do enterro. Tudo mentira: os dois e outros colegas gastaram o dinheiro numa taberna de São Paulo.

Quando muitos já se faziam presentes na casa do suposto defunto, Álvares de Azevedo apareceu de surpresa e se fez passar por um fantasma: "Eu faço o papel de morto para vocês se banquetearem; vou também regalar-me", teria dito o poeta fanfarrão. No dia 25 de abril do ano seguinte, Álvares de Azevedo morreria, vítima de tuberculose, antes de completar 21 anos de idade.

Bernardo Guimarães, seu amigo, dado às brincadeiras, um dia sentiu de perto o peso de seu bom humor. Depois que tomou conhecimento de que seu filho havia tomado veneno, chamou o médico para que interviesse junto do filho. Pensando tratar-se de mais uma de suas mentiras, o médico não atendeu ao pedido do poeta, que acabou perdendo o filho, de cuja data em diante ele, o pai, passou a ser vítima de depressão, que o perseguiu até o fim de sua vida.

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