quinta-feira, 10 de março de 2011

MÉDICO MAIS FAMOSO DA ANTIGUIDADE EXORTA DONO DE ESCRAVOS ENFURECIDO

O médico mais famoso da Antiguidade não foi Hipócrates, embora este seja considerado o pai da Medicina. Galeno, que nasceu no ano 129 d.C., foi um destacado médico e filósofo romano de origem grega, com intensa participação junto a elite imperial (principalmente Marco Aurélio), cuja fama ultrapassou os séculos, de modo que até bem pouco atrás ainda era lido por alunos de medicina.

Pelo fato dele ter trabalhado muito tempo como médico de gladiadores feridos em batalha, era dado aos efeitos da violência física; mas foi somente depois dele próprio ter presenciado um escravo ser açoitado por um senhor enfurecido, que o médico-filósofo proferiu um discurso moral sobre o acontecido, e o fez se dirigindo exclusivamente ao dono do escravo.

Em uma viagem que fazia de Roma a Pérgamo (sua cidade natalina), se deparou com um senhor cruel e enraivecido, dono de escravos. Estes e seu senhor viajavam no mesmo navio que Galeno.

A certa altura da viagem, um cretense, visivelmente simples, amável e honesto, teve um acesso de fúria e passou a castigar seus escravos com as próprias mãos, em cuja ocasião lhes deferia pontapés e chicotadas.

Próximo ao istmo de Corinto, na Grécia, os viajantes acharam por bem mandar parte da bagagem por via marítima, enquanto eles próprios se deslocariam até Atenas por via terrestre.

Quando o cretense percebeu que parte da bagagem que deveria seguir por terra fora enviada por mar, ficou enfurecido, sacou do punhal que trazia consigo e passou a golpear seus escravos.

Quando notou que um deles fora gravemente ferido na cabeça, o cretense tomou uma atitude extrema e se mostrou totalmente arrependido do que acabara de fazer. Em seguida, fez uso de um chicote e o entregou ao médico Galeno, a fim de que este pudesse chicoteá-lo como forma de castigo pelo feito.

Galeno sorriu do companheiro de viagem e percebeu a chance de proferir um discurso filosófico em função do ocorrido. Após fazê-lo, imprimiu a seguinte moral: "um senhor nunca deve castigar seus escravos com as próprias mãos e sempre deve deixar para o dia seguinte a decisão de puni-los".

Em suma, Galeno estimulava a tomada de decisões com a cabeça "fria" e o método maquiavélico de não gerar maior ódio em suas vítimas, uma vez que (segundo se depreende), sendo necessário punir, que o seja por terceiros, previamente destinados para tal fim.

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