sábado, 5 de fevereiro de 2011

A ORIGEM DA PALAVRA VAGA-LUME

Decerto o leitor já se deparou com um vaga-lume ou então já teve a oportunidade de ouvir falar nas livrarias que compram e vendem livros usados, cujo comerciante é conhecido por sebista. Afinal, qual a relação entre as duas proposições aqui discutidas? O que têm em comum o sebista e o vaga-lume?

De início vale ressaltar que o primeiro já fora conhecido por caga-sebo, enquanto o segundo, por caga-fogo e caga-lume. Tais nomenclaturas desapareceram, de modo que a geração atual não as tem como verdadeiras, algo diferente do que ocorrera há alguns séculos.

Em outra ocasião falamos que o Rio de Janeiro, no final do século 19, inventou a palavra mictório em lugar de mijadouro, uma vez que esta última tinha conotação direta com algo relacionado ao oŕgão genital.

Deve-se a um sacerdote, dicionarista e lexicólogo britânico (filho de francês), chamado Rafael Bluteau, nascido em 1638 e autor do conhecido Vocabulário Português e Latino, a invenção da palavra vaga-lume.

Inicialmente, o referido inseto era conhecido por pirilampo, cuja raiz etimológica está associada ao grego. Os portugueses e brasileiros relutaram em aceitar nomes derivados do latim e do grego, razão por que rejeitavam pirilampo, embora alguns nomes eminentes da língua portuguesa do século 17, como Joana Josefa de Meneses, preferissem este àquele.

Cagafogo e cagalume (melhor se fossem, do ponto de vista gramatical, caga-fogo e caga-lume) foram os nomes preferidos, não somente pelos lusitanos, como por nós brasileiros. O erudito Rafael Bluteau se opôs aos nomes, por julgá-los imundos demais, de modo que vivia se queixando de seus pares acerca do problema em questão, em cuja oportunidade alegava que somente a língua portuguesa, entre as neolativas, adotara "cagafogo".

O renomado escritor, doutor, professor da USP e autor do livro De onde vêm as palavras, Deonísio da Silva, afirma que "a palavra fez um longo percurso para chegar a vaga-lume", nome este aprovado por Machado de Assis (séc. 19). Bluteau deixou registrado que foram propostos alguns nomes à academia, como vagolume, fuzilete, noite-luz e bicholuzente, sendo os primeiros imediatamente reprovados.

Da mesma forma "sebista", nome atribuído aos comerciantes que trabalham comprando e vendendo livros usados, recebera, no passado, outra nomenclatura. Era conhecido por "caga-sebo", tanto que o escritor, músico e historiador Visconde de Taunnay (1843 - 1899) a registrou em seus escritos. As razões da mudança do nome de batismo estão associadas àquelas que justificam - ou tentam justificar - a substituição de outros nomes associados "a funções sexuais ou excretoras", no dizer de Deonísio da Silva.

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