sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

IDADE MÉDIA E CIVILIZAÇÃO: DOIS CONCEITOS OU DOIS "PRECONCEITOS"?

Até hoje é grande o número de propagadores dando conta de que a Idade Média foi de fato a Idade das Trevas. Outros (ou os mesmos), por sua vez, costumam associar civilização a estágios de evolução das sociedades humanas.

Dizia-se (e ainda se diz) que a cultura humana nasceu na Idade Antiga, morreu na Idade Média e renasceu na Idade Moderna. Vejamos, resumidamente, alguns fatos históricos associados à origem de tais conceitos.

Foram os ingleses que cunharam a expressão "Idade das Trevas", uma referência à Idade Média, e, portanto, uma forma de afirmar que foi no citado período que houve um regresso geral da cultura humana.

A Revolução Francesa acabou sancionando tal conceito e o filósofo Alemão Hegel se tornou um dos muitos nomes a formular a ideia de que a história tem movimento evolutivo, cujo centro das atenções seria a Europa. As concepções darwinistas e a forte influência do Positivismo no século 19 contribuíram sobremaneira para que houvesse a nítida separação entre superioridade e inferioridade culturais.

Não por menos que ainda hoje os livros didáticos trazem a história da Europa como centro das atenções, enquanto outras culturas, como a muçulmana - muito mais rica durante a Idade Média -, ficaram de lado. Foi na Idade Moderna que as disciplinas escolares foram selecionadas na Europa, cuja influência atingiu a América, como o Brasil. Somente agora as universidades brasileiras estão inserindo em seu currículo um estudo mais denso sobre a África, uma tendência inclusive para o Ensino Médio.

O conquistador europeu passou a ideia para os povos conquistados (incluindo aí África e América) de que eles estavam fazendo um favor a nós, já que estariam civilizando o que até então eram vistos como selvagens. Vale a frase do médico indigenista Noel Nutels: "É um erro pensar que o índio prefere a civilização. Para morar numa favela? Ele está feliz tal como é, adaptado à região em que vive".

Hoje é pacífica nos círculos acadêmicos que lidam com ciências humanas (História, Antropologia, etc.) a assertiva de que não há cultura superior e inferior. Assim, no dizer do historiador Gianpaolo Dorigo, "não é possível comparar duas culturas diferentes para tentar estabelecer a superioridade de uma em relação à outra, pois nosso julgamento estaria limitado por nossos valores".

Os próprios renascentistas nutriam fortes preconceitos pelos medievais, pois enxergavam o período como uma vítima do pensamento cristão, daí o porquê da morte cultural, segundo os tais.

Não levaram em conta que foi na Idade Média que surgiram as univerdades, que a filosofia aristotélica foi retomada, que os contos de origem árabe e persa se espalharam, que os alquimistas descobriram muitas propriedades de sais e de ácidos, que o papel se difundiu, que surgiu a imprensa, que as técnicas de reprodução literária se desenvolveu, que os humanistas colocaram o homem no centro da atenção humana.

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