domingo, 20 de fevereiro de 2011

HOMENS TRAÍDOS SÃO CONVENCIDOS DE QUE SUAS ESPOSAS ESTÃO SE RELACIONANDO COM DEMÔNIOS E NÃO COM HOMENS DE CARNE E OSSO

"A mulher é um animal imperfeito, sempre engana; é mais rápida em vacilar, é mentirosa por natureza, é bonita de se olhar, contamina pelo contato, é mortal para se manter."

A frase acima bem que poderia vir de Aristóteles, de Schopenhauer, ou de tantos outros filósofos conhecidos, mas ela é de procedência de um livro publicado em 1487, por dois padres dominicanos, que não tardaram em chegar ao cargo de inquisidores.

O livro é Martelo das Bruxas, certamente a obra mais consultada pelos perseguidores da vida humana (embora a Igreja Católica viesse a reprová-la depois), cujo conteúdo ainda é considerado um dos mais licenciosos em termos sexuais. Foi usado inclusive por protestantes na condenação às bruxas.

O simples banho ao sol e a masturbação feminina eram vistos como de procedência demoníaca. Veja o que diz o livro:

"As próprias bruxas muitas vezes têm sido vistas deitadas de costas nos campos ou nas matas, nuas até o umbigo, e vê-se pela disposição dos membros que se relacionam ao venéreo e ao orgasmo, como também pela agitação das pernas e coxas, que, de maneira inteiramente invisível para quem está em volta, estão fazendo sexo com demônios."

Em outro texto os inquisidores oferecem uma racionalização que deve ter servido para aliviar a cabeça de muitos homens traídos. Dizem os autores:

"É certo também que aconteceu o seguinte: Maridos viram de fato demônios fazendo sexo com suas esposas, embora pudessem pensar que não eram demônios, mas homens. E quando pegaram uma arma e tentaram trespassá-lo, o demônio desapareceu de repente, tornando-se invisível."

Numa linguagem mais clara: quando o homem que copulava com a esposa alheia viu a reação do marido, fugiu, enquanto o traído se consolava por achar que tratava-se de fato de seres de outro mundo. Vigorou, por séculos, a crença de que era comum a prática sexual entre seres naturais com seres sobrenaturais (íncubus e súcubes).

O livro também afirmava que mulheres que mantinham relações com homens proibidos e em seguida eram abandonadas por estes, costumeiramente buscavam a ajuda e proteção dos demônios para que a confortassem sexualmente. Era, na verdade, uma forma implícita de afirmar que aquelas que eram flagradas com o capeta já haviam, antes, cometido pecado.

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