terça-feira, 4 de janeiro de 2011

UM CHEFE DE ESTADO, DUAS AMANTES E DOIS MARIDOS TRAÍDOS: ELES PROTAGONIZARAM ALGUNS CASOS MAIS NOTÓRIOS DE TRÁFICO DE INFLUÊNCIA NO BRASIL

O conteúdo que se lerá adiante mostrará alguns casos de tráfico de influência tanto no Judiciário como na Igreja Católica, cujos protagonistas são um chefe de estado, duas amantes e dois maridos traídos.

Os fatos ocorreram na década de 20 do século 19. Domitila, a Marquesa de Santos, provavelmente já vinha traindo o marido, Felício, antes mesmo de se tornar amante do imperador D. Pedro I, que a conheceu depois que ela fora vítima de uma tentativa de assassinato por parte do marido. Este, inconformado, mas disposto a ficar com os filhos depois da separação, acionou a Justiça com o fim de ficar com a guarda dos mesmos.

Domitila decidiu, com a ajuda do irmão, procurar o imperador para que este intercedesse em favor dela, de modo que a mesma ficasse com a guarda. Foi depois do encontro que os dois (Pedro I e Domitila) se tornaram amantes.

Acontece que o insaciável imperador passou a namorar, simultaneamente, a irmã de Domitila, cujo marido (da irmã) fez de conta que não sabia de nada e ainda batizou o filho bastardo como se fosse dele.

Depois que Domitila soube que sua irmã também era amante do imperador, esta (a irmã) sofreu um atentado e morreu. Aberto o processo, Domitila foi apontada como suspeita e corria o risco de ser condenada.

Então foi a vez do imperador mostrar que no Brasil quem mandava era ele. A ação movida pelo ex-marido de Domitila corria lentamente junto à Justiça de São Paulo. Bastou a intervenção do imperador e, num "piscar de olhos", foi dada a sentença, pondo fim ao litígio.

A Igreja, por sua vez, em 48 horas, sob a interferência do imperador, proferiu uma sentença (em 1824) anulando o casamento entre os dois, e, de forma até irônica, afirmou que Domitila tinha "boa conduta" e apontou Felício como adúltero.

Sobre a disputa judicial entre Domitila e seu ex-marido, é digno de nota o fato de que este deixou de se defender depois que ele propôs ao imperador que lhe fosse dado um cargo público em troca de seu desinteresse no processo. Dito e feito.

Em 1827, novamente o imperador entrou em cena. O inquérito que investigava o assassinato da irmã de Domitila foi arquivado às pressas.

Depois de tudo resolvido, o ex-marido traído ainda teve a ousadia de escrever à ex-esposa rogando que ela pedisse ao imperador para nomeá-lo a um cargo superior. Por ironia, até o ex-sogro se achou no direito de fazer o mesmo.

Como se vê, o hoje é, guardadas as devidas proporções, a sombra do ontem.

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