sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

AULAS DE ETIQUETAS SOBRE COMO SE VESTIR ADEQUADAMENTE NO INÍCIO DA IDADE MODERNA

Texto de autoria do teólogo e humanista holandês Erasmo de Rotterdam (1466 - 1536) revela a preocupação em educar jovens, adultos e idosos em relação às formas de vestimentas, de modo que o pudor estava, sem exagero, no centro das atenções do escritor.

Atentemo-nos às palavras de Erasmo:

"A roupa, de certo modo, é o corpo. Isso porque externa as disposições interiores do indivíduo. Não há como estabelecer, aqui, normas rígidas, já que nem todos possuem igual riqueza nem a mesma categoria social. Além do mais, a elegância varia de lugar para lugar, sem esquecer que as preferências mudam ao longo do tempo.

Tal como em muitas outras coisas, neste particular, é mister saber adaptar-se, como diz o provérbio, aos costumes e à região e, diria eu, também ao tempo como os sábios ordenam respeitar. Com efeito, em toda diversidade há coisas que são convenientes por si e outras que não, tais como aquelas que já não têm serventia.

Senhoras que arrastam longas caudas no vestido, nada mais ridículo. Igualmente é desaprovado tal costume nos homens. Deixo para outros opinarem se isso convém ou não para cardeais e bispos!

O uso de tecidos leves não faz boa figura nem nos homens nem nas mulheres. Convém então usar com outro tecido de reforço de modo a ocultar aquelas partes que ficariam, impudicamente, expostas."

Erasmo prossegue, mais adiante, seus conselhos:

"Em todo caso, a veste curta demais para ocultar, quando o indivíduo se abaixa, o que deve ser protegido pelo pudor, nunca é sinal de bons modos em país algum."

É curioso também a opinião do humanista sobre roupas rasgadas e coloridas: "Rasgar a roupa é coisa de doido. Roupa variada ou multicor evoca os saltimbancos e os símios". Erasmo defendia o uso moderado na arte de se vestir: nem desleixado nem com excesso de vaidade.

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