segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

BARBA, CABELO, BIGODE E SOBRENOMES: A MODA MASCULINA NO BRASIL DAS PRIMEIRAS DÉCADAS DO SÉCULO 19

Já destacamos, em outra postagem neste blog, que em 1808 muitas mulheres do Rio de Janeiro rasparam a cabeça porque pretendiam imitar as mulheres portuguesas que faziam parte da comitiva da família real que fugia das investidas de Napoleão Bonaparte. Na verdade, não se tratava de uma moda europeia, mas uma praga de piolhos que atingiu as tripulantes, o que as obrigou a cortar o cabelo no "zero".

Duas décadas depois os homens brasileiros - desta vez não somente os cariocas - inovaram na aparência. Diferentemente das mulheres, os homens pretendiam fugir do modismo europeu - diga-se, o português -, tendo como motivo principal o sentimento patriota que tomou conta dos brasileiros depois do processo de independência ocorrido a partir de 1822.

Mais de uma década foi o tempo razoável para que os portugueses residentes no Brasil aceitassem a separação entre colônia e metrópole. Nesse intervalo, muito sangue rolou, assim como insultos e brigas de bar.

Surgiu, em poucos anos, um sentimento nacionalista que terminaria por gerar uma repugnância a tudo o que se relacionasse a Portugal. Desta feita, a aparência pessoal foi um dos itens a ser observado e urgentemente modificado.

Um deputado baiano, chamado Cipriano Barata, mudou o tipo de tecido da sua roupa. Passou a usar exclusivamente roupas de algodão e chapéu feito de palha da carnaúba. Rapidamente foi imitado.

Os nacionalistas mais declarados foram além: mudaram o penteado. Teria surgido no Brasil uma risca definida no meio da cabeça, dividindo em partes iguais os cabelos da cabeça. Batizaram tal risco de "estrada da liberdade".

Outra inovação foi o calvanhaque. Era uma tentativa de fugir da barba, típica dos europeus - e também, obviamente, dos portugueses.

As mudanças se prolongaram e atingiram inclusive os sobrenomes dos brasileiros, que, naquele momento, tentavam excluí-los, caso lembrassem algo português. Priorizaram nomes indígenas. Um famoso jornalista e advogado brasileiro, Francisco Gomes Brandão, passou a assinar Francisco Gê Acaiaba de Montezuma (uma homenagem aos astecas).

O esforço, no entanto, não foi unânime no país, nem surtiu o efeito desejado. Sobrenomes como Silva e como Costa sobreviveram e constituem os sobrenomes mais populares no Brasil. Embora os mesmos não sejam de origem portuguesa, foram estimulados por estes aqui no Brasil para associar aqueles que residiam na selva (Silva) e na costa marítima (Costa).

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2 comentários:

  1. Amigo Robério, falando em nomes, ouvi falar que os nomes; oliveira e almeida foram os judeus que iventaram, para fugir da inquisição Romana.Régio.

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  2. Procede. Sobrenomes que têm relação com plantas e animais foram criados pelos judeus que fugiam da Inquisição na Europa. Sobrenomes como Coelho, Pinheiro, Carvalho, Bezerra, Oliveira e tantos outros são de procedência judaica, de modo que aquele que tem um destes sobrenomes certamente é descendente de judeu.

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