domingo, 28 de novembro de 2010

MULHERES BRASILEIRAS CORTAM O CABELO, SE VESTEM COMO HOMENS E VÃO À GUERRA

Em outra ocasião falamos do esforço empreendido por muitos jovens brasileiros do século 19 com o fim de não serem recrutados para o serviço militar. Diferentemente desses "machões", duas nordestinas fazem o inverso e conseguem chegar à cúpula do serviço militar brasileiro, ainda que por meio da camuflagem. Estamos falando de Maria Quitéria de Jesus e Jovita Feitosa.

A primeira, baiana de Feira de Santana, participou ativamente das batalhas que levaram à independência do Brasil em relação a Portugal no início da década de 20 do século 19.

Embora não fosse permitida a participação de mulheres no serviço militar do país, ela deu um jeitinho brasileiro: cortou os cabelos, vestiu-se como homem e amarrou os seios. Alistou-se com o nome de "Soldado Medeiros".

Descoberta pelo pai, este tentou a todo custo retirá-la das forças armadas, mas com muita insistência dos colegas acabou aceitando. O oficial-comandante aceitou que ela ficasse, mas determinou que a mesma usasse trajes femininos, o que acabou acontecendo.

Lutou e pegou em armas. Seu superior chegou a dizer que ela "apresentou feitos de grande heroísmo, avançando, de uma vez, por dentro de um rio, com água até os peitos, sobre uma barca que batia renhidamente nossas tropas".

O ápice da fama aconteceu quando foi condecorada pelo próprio imperador D. Pedro I, na presença das maiores autoridades do país. Uma inglesa, que testemunhou o evento, afirmou que ela era "iletrada, mas viva, de inteligência clara e percepção aguda ... nada se observa de masculino nos seus modos, antes os possui gentis e amáveis". Morreu no animato, depois que voltou para a Bahia e se casou com um ex-namorado, o agricultor Gabriel de Brito.

Outro nome é Jovita Feitosa, que nasceu na região dos Inhamuns, entre Ceará e Piauí, por volta de seis anos depois da morte de Maria Quitéria de Jesus. Jovita Feitosa - que dá o nome de uma conhecida rua de Fortaleza, CE - candidatou-se para lutar na Guerra do Paraguai.

Passou a faca no cabelo, trajou-se de homem (usou inclusive um chapéu de vaqueiro) e foi para Teresina, para em seguida partir para o Rio de Janeiro. Largou a costura e o desejo de estudar música em nome do sonho de ver o Brasil vencedor da guerra.

Foi descoberta em uma feira, depois que uma mulher viu suas orelhas furadas e acabou tocando os seios de Jovita. Sem saída, acabou confessando o embuste. Chegou a ser aplaudida pelo público e por altas autoridades do Rio de Janeiro, mas ainda assim teve seu pedido negado.

Decepcionada e triste por não ir à guerra, morreu depois que enfiou um punhal contra o próprio peito.

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