terça-feira, 2 de novembro de 2010

PADRE CÍCERO ESTARIA NO PURGATÓRIO, NO CÉU OU NO INFERNO?

Padre Cícero estaria no Purgatório, no Céu ou no Inferno? É claro que a pergunta é impossível de ser cientificamente respondida, mas o que você lerá no final é uma dedução a partir das próprias palavras do padre, que deixou escapar algo - talvez - nada agradável levando em conta a teologia de sua denominação religiosa, no caso a Igreja Católica.

O catolicismo romano vem aceitando, desde longos séculos, a crença de que, ao morrer uma pessoa, rezas ajudam a amenizar seu estado espiritual, uma vez que a alma poderá estar sofrendo ou à espera de ser transportado do Purgatório para o Céu.

Está sedimentado no seio da referida denominação religiosa a crença de que velas acesas ajudam a clarear possível estado de escuridão em que se encontra o falecido. Daí o porquê de velas e rezas serem - na crença católica - o socorro pós-morte mais eficaz para resgatar a alma do defunto de eventual estado de perdição e sofrimento. Isto explica a prática do acende-velas no Dia de Finados.

Padre Cícero deixou um testamento (que por sinal está sendo transcrito neste blog), no qual ele se reporta a sua futura morte e deixa textualmente expressos alguns pedidos a todos os católicos em relação a sua alma.

O referido padre pediu que, depois que ele morresse, fossem rezadas sessenta missas em prol de sua alma e sessenta em prol daquelas que estão no Purgatório, cujo tempo de rezas deveria durar cinco anos, sendo 24 em cada ano - no caso duas por mês, uma para ele e outra para todas as demais almas.

Para tanto, o padre deixou razoável quantidade em dinheiro de sua herança especialmente para esse fim.

Sabendo-se que as rezas em prol dos que já morreram são, do ponto de vista da crença católica (fortemente compartilhada por ele), uma inequívoca afirmação de que a alma precisa ser resgatada para não ser condenada, é razoavelmente seguro afirmar que o próprio Padre Cícero tinha dúvidas quanto a sua condição espiritual depois de sua morte.

Em outras palavras: o significado teológico do pedido em questão contradiz suas palavras no mesmo testamento, quando ele diz estar com a consciência tranquila em relação às acusações que lhe pesavam.

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2 comentários:

  1. Sem dúvida que é uma observação que segue a lógica. Afinal, pra que tanta missa e pagas por testamento? UMA NOVA INDULGÊNCIA? Mais uma vez observa-se o Padre Cícero político, homem, em crise com o Padre Cícero Místico e excomungado por Roma.ISSO É QUE O TORNA FASCINANTE A EXEMPLO DE MOISÉS. Eu admiro o homem, não o místico!

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  2. Pois é, Valdecy! Por tudo isso e muito mais é que Padre Cícero se torna digno de estudos. Valeu!

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