domingo, 21 de novembro de 2010

OS PRIMEIROS RECRUTAMENTOS MILITARES NO BRASIL FORAM MARCADOS POR MEDO, CASTIGOS E FALSAS PROMESSAS

Quando nos separamos oficialmente de Portugal, em 1822, havia uma verdadeira aversão generalizada ao serviço militar aqui no Brasil. O país vivia sob o medo de não consumar, na prática, a completa libertação dos portugueses.

O começo da década de 20 daquele século foi marcado por uma verdadeira corrida a compras de navios de guerra e ao recrutamento de pessoas para atuarem militarmente em prol do país recém-fundado.

Os soldados eram recrutados de maneira arbitrária pelos capitães do mato e pelos grandes coronéis do sertão. Como havia uma generalizada rejeição ao serviço militar, houve falsas promessas a fim de se alcançar o maior número de recrutas possível.

Em Minas Gerais, por exemplo, houve verdadeiros embustes: a população das cidades era convocada a se fazer presente na praça central sob o pretexto de que haveria, no local, eventos religiosos ou comunicados importantes. Quando a população estava aglomerada, soldados imperiais cercavam a praça e capturavam, à força, os rapazes que se achavam no ambiente. Uns eram amarrados e outros acorretandados.

Depois de capturados eram conduzidos à capital federal - na época o Rio de Janeiro -, em cujo trajeto muitos morriam de sede e fome. Só no ano de 1826 o Ceará exportou 3.000 recrutas, dos quais quase 20% morreram no caminho.

Nos quartéis a disciplina era duríssima, e os mais rebeldes eram tratados com perversidade extrema, uns a pauladas, outros a chibatadas e outros ainda eram açoitados com a lâmina das espadas.

O temor era tanto que muitos mutilavam os dedos para não serem convocados. Como se tornou crescente o número de mutilações, o governo imperial baixou, em janeiro de 1824, uma portaria autorizando o recrutamento de qualquer jovem, mesmo nos casos de cegueira e mutilações.

No Paraná houve um caso digno de ficar para história, cujo fato retrata bem o medo do recrutamento: um francês que passou em uma cidade paranaense registrou que a encontrou deserta, pois todos os moradores haviam fugido com medo da triagem que ocorreria na referida cidade.

O Brasil chegou, inclusive, a recrutar alemães, que vieram para cá sob as falsas promessas de que aqui ganhariam terras, dinheiro e animais. Quando chegavam ao Rio de Janeiro eram recrutados à força.

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