terça-feira, 30 de novembro de 2010

O TEMPO EM QUE ERA PECADO TOMAR BANHO

Não estamos falando do período da Semana Santa, quando muitos fiéis católicos não tomavam banho na quarta-feira porque, segundo eles, poderiam ficar "entrevados". Estamos falando de um tempo de transição do paganismo romano para o cristianismo católico.

Os habitantes da velha Roma (Monarquia e começo da República) não eram dados ao asseio corporal. Por tradição tomavam banho completo a cada nove dias, em cujo período lavavam apenas os braços e as pernas. Os banhos quentes teriam sido introduzidos somente nos dois últimos séculos que antecederam o Império (27 a.C.).

Embora os romanos tivessem herdados muitos costumes dos gregos, no campo artístico e no campo educacional eles preferiram manter parte da velha tradição. Assim, eles nunca aceitaram plenamente a música e a dança. Para a antiga moral romana, os dois dons artísticos combinavam mais com o sexo feminino do que com o masculino. O homem que dançava muito precisava fazer muito exercício físico, uma forma de endurecer aquilo que seria amolecido com a dança (o corpo), pregava o romano.

Desta feita, a nudez grega fora, na antiga Roma, uma forma de escândalo, diferentemente da época do Império (principalmente nos três primeiros), quando os banhos nas Termas se tornaram uma clara opção de orgias coletivas.

Quando os romanos haviam perdido a timidez, entrou em cena o cristianismo, notadamente o catolicismo romano do século V em diante.

Com a nova religião - que praticamente sepultou o paganismo -, a utilização da água passou a ser questionada e interpretada como algo mais voltado ao sagrado do que ao prazer. Assim, ela deveria ser utilizada principalmente para beber e para o batismo, esta última uma das alternativas para salvar o cristão.

Adotando tal raciocínio, a higiene pessoal ficou em terceiro plano, de modo que o corpo bem asseado foi visto - imaginem - como uma vaidade pessoal, portanto algo desprezível. A consequência não foi outra senão o fim da tradição dos banhos coletivos e o repúdio à exposição do corpo, até então vistos como um sinônimo de liberdade.

O fim dessa e outras tradições levou, por exemplo, o filósofo Nietzsche a anatematizar o cristianismo no final século 19, fato este que tem gerado, até hoje acirrado debate entre os cristãos (católicos e protestantes) e os simpatizantes do referido filósofo.

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