quinta-feira, 11 de novembro de 2010

"FEIOS E GROSSEIROS": POR ESSAS CARACTERÍSTICAS FÍSICAS OS POBRES EXPRESSAVAM SUA CONDIÇÃO DE PECADORES

Na Idade Média não faltavam textos que apontavam os servos como "feios e grosseiros". Ironicamente a própria igreja tratou de expandir essa ideia, cujo significado vigorou por longos e cansativos séculos.

Abaixo, a transcrição do mais famoso texto medieval que justificava as desigualdades sociais, cuja essência seria de origem da vontade de Deus. Em outras palavras, Deus quer a diferença de classes sociais e ainda faz uma clara preferência por uns e rejeição a outros. O texto em questão foi proferido entre 1025 e 1027 d.C. por um bispo católico:

"O domínio da fé é uno, mas há um triplo estatuto na Ordem. A lei humana impõe duas condições: o nobre e o servo não estão submetidos ao mesmo regime. Os guerreiros são protetores das igrejas. Eles defendem os poderosos e os fracos, protegem todo mundo, inclusive a si próprios. Os servos, por sua vez, têm outra condição. Esta raça de infelizes não tem nada sem sofrimento. Fornecer a todos alimentos e vestimenta: eis a função do servo. A casa de Deus, que parece una, é portanto tripla: uns rezam, outros combatem e outros trabalham. Todos os três formam um conjunto e não se separam: a obra de uns permite o trabalho dos outros e cada qual por sua vez presta seu apoio aos outros."

Como se vê, o autor do preconceituoso texto coloca o clero sujeito unicamente à lei divina. Depois, o mesmo autor aceita a lei terrena de segregação social para justificar, em harmonia com a lei divina (segundo o autor), a divisão de classes, cujas funções são claramente definidas.

É possível encontrar, bem antes da igreja surgir, posicionamentos parecidos, como é o caso de Platão, em um de seus mais conhecidos livros: A República.

Segundo o pensamento corrente da igreja medieval, a genética teria sido complacente com os nobres, pois estes eram os mais belos da raça humana, ao passo que os pobres (servos) eram, como dissemos acima, "feiros e grosseiros".

Outra observação diz respeito à forma como os servos poderiam se redimir de seus pecados: o árduo trabalho, através do qual - por vontade divina -, têm a obrigação de sustentar os demais membros das classes sociais.

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2 comentários:

  1. Régio. Robério, na idade média tem muitos absurdos, não é a toa que essa era é chamada, a era das trevas. À igreja católica romana, na autoridade "infalível" papal, o papa dizia, que aquele que morresse na querra "santa" teria seus pecados perdoados, se referindo as cavaleiros templários.

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  2. Os pecados papais em toda a história da igreja são incontáveis!

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