segunda-feira, 22 de novembro de 2010

AMANTE CONVENCE REI A NÃO DESTRUIR A MAIOR PRODUÇÃO LITERÁRIA DO SÉCULO DAS LUZES

Decerto o leitor já presenciou alguém com um ataque de fúria e ao mesmo tempo com os olhos arregalados, espantado, sedento por uma resposta que lhe seja favorável. Foi numa situação parecida em que esteve envolvido um bispo francês em 1752, quando buscava, a todo custo, uma audiência com o rei Luís XV. Motivo?

Em lágrimas e fazendo um verdadeiro teatro, o bispo de Paris advertiu o rei francês sobre uma obra literária que acabara de chegar ao conhecimento do grande público: tratava-se da Enciclopédia, de Diderot e D'Alembert.

A referida obra começou a ser editada em 1752 e foi concluída 21 anos depois. Escrita por mais de 140 escritores, foi uma tentativa de passar para o papel todo o conhecimento humano adquirido até então.

Tão logo chegou aos salões literários, a obra se tornou o assunto do cotidiano parisiense, o que não tardou a chegar aos ouvidos da Igreja. Advertido pelo bispo, o rei ficou com "a pulga atrás da orelhas" e decidiu reagir: a obra seria destruída.

Ocorre que a amante preferida de Luís XV era, também, amante dos livros e já sabia da existência da Enciclopédia. Convenceu o rei a não destruí-la, alegando que a França seria mundialmente conhecida por editar a maior enciclopédia até então produzida.

O rei cedeu, mas advertiu os produtores para que não confrontassem os ensinamentos papais. De posse da advertência, os enciclopedistas passaram a usar de todos os meios para confundir a inteligência eclesiástica. E assim o fizeram. Vejamos o que eles escreveram sobre autoridade política e direito natural:

"Nenhum homem recebeu da natureza o direito de mandar nos demais. A liberdade é um presente dos céus, e qualquer indivíduo da nossa espécie tem o direito de desfrutar dela da mesma maneira que desfruta da razão."

Observemos que os produtores escreveram a palavra "céus" como uma forma de ganhar a simpatia da Igreja, dando a entender que a liberdade é de vontade divina, de modo que ela deve ser buscada. Assim, os leitores eram estimulados à busca pela liberdade, no mesmo instante em que se reprovava o Absolutismo, então dominante naquele tempo.

Sete anos depois o papa incluiria a Enciclopédia na relação de livros proibidos para seus fiéis.

.

Um comentário:

  1. Os ditadores de todo gênero só podem prosperar nos lugares onde reina a ignorância. Por isso são inimigos do conhecimento. Por sua feita o conhecimento é irmão gêmeo e siamês da liberdade.

    ResponderExcluir