quarta-feira, 17 de novembro de 2010

ACUSADO DE ATEÍSMO, FAMOSO CIENTISTA INVOCA O NOME DE DEUS E PEDE PARA NUNCA MAIS VOLTAR A VISITAR O BRASIL

O apelido dele era "Gás". Estamos falando de Charles Darwin, o conhecido naturalista inglês, que é oficialmente aceito como o pai da Teoria da Evolução. Embora nunca tenha se declarado ateu (e de fato não era mesmo, pois simpatizava com o agnosticismo e apresentou crenças deístas), foi, por muito tempo, apontado como ateu, o que lhe causou grande ojeriza por parte de muitos cristãos.

Quando visitou a Ilha de Galápagos, no Equador, seu retorno à Europa lhe porporcionou uma parada na Argentina e no Brasil, em cujas oportunidades ele pôde testemunhar a atividade escravista nos dois países. Sobre o Brasil, declarou em 19 de agosto de 1836:

"Agradeço a Deus por não mais ter de visitar um país escravocrata."

Antes, havia passado na Argentina e não deixou de anotar a impressão que teve do tratamento dado aos índios naquele país:

"Aqui cada um está convencido de que conduz a mais justa das guerras, pois lutam contra selvagens. Quem poderia acreditar que, em nossa época, se cometam tantas atrocidades em um país cristão e civilizado?"

Tratando ainda sobre o problema da escravidão, Darwin, que era natural da Inglaterra, revelou a decepção e o orgulho de sua nacionalidade, quando afirmou:

"Meu sangue ferve quando penso que nós, ingleses, que nossos descendentes americanos, que todos nós, enfim, que nos orgulhamos tanto de nossas liberdades, iremos um dia nos sentir culpados por atos parecidos! Mas tenho, ao menos, a consolação de pensar que fizemos, para expiar nossos crimes, um sacrifício maior, que nenhuma nação fez até hoje."

O cientista falava, aqui, do fim da escravidão oficial na Inglaterra, ocorrida em 1833.

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4 comentários:

  1. Robério, se Darwin passasse novamente pelo Brasil novamente teria a impressão ainda pior. Pois a escravidão, antes, descarada, torrou-se escravidão hipócrita,, a Constituição, só para dar um exemplo, prevê direito ao salário mínimo e muitos prefeitos pagam apenas meio salário.

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  2. É interessante percebemos, ainda, que a anotação de Darwin aqui transcrita questiona como é possível um país que se diz cristão tratar o ser humano com tamanha brutalidade. Hoje, embora não temos a escravidão como outrora (corporal), há - como você bem destacou -, outras mil e uma crueldades por parte do poder público, as quais são percebidas inclusive pelo grande povão. Assim como outrora, ele poderia se perguntar como é possível haver leis claras que determinam isto e aquilo, e, descaradamente, não são cumpridas. Tomemos como exemplo a questão do salário, visivelmente tomado por impostores vestidos de salvadores.

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  3. Régio Bezerra. Robério, a Inglaterra se vanglóriava, de ter libertados os seus escravos, primeiro que as demais nações, mas teve sua parcela de culpa, contribuindo com a "logistica" transporte de escravos.

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  4. Pois é, Régio! Na verdade, o interesse da Inglaterra em promover a libertação mundial dos escravos se devia por questões econômica, uma vez que ela, em plena Revolução Industrial, precisava do maior número de consumidores. O interesse dela era, portanto, que os escravos, uma vez libertos, poderiam trabalhar, ganhar dinheiro e aumentar o capital de giro. Ou seja, não havia nada de bondade nisso, apenas um egoísmo.

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