domingo, 24 de outubro de 2010

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA DO BRASIL QUE ERA INIMIGO DECLARADO DOS CAPOEIRISTAS

Há, na história do Brasil, um ex-presidente da República que se declarou inimigo dos negros capoeiristas. Floriano Peixoto é o nome dele. Antes de tratarmos especificamente sobre este fato, leiamos um trecho do romance Triste fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto, que retrata bem o período turbulento em que o Brasil fora governado pelo tirano.

"Em nome do Marechal Floriano, qualquer oficial, ou mesmo cidadão, sem função pública alguma, prendia e ai de quem caía na prisão, lá ficava esquecido, sofrendo angustiosos suplícios de uma imaginação dominicana. Os funcionários disputavam-se em bajulação, em servilhismo... Era um terror, um terror baço, sem coragem, sangrento, às ocultas, sem grandeza, sem desculpa, sem razão e sem responsabilidades."

Pouco antes de Floriano chegar à Presidência, a Monarquia havia sido destronada, e com ela a princesa Isabel, amada pelos negros, gratos pela alforria geral ocorrida em 1888.

A recém-nascida República temia que, insatisfeitos pelo fato de D. Pedro II e a princesa Isabel terem sido exilados, houvesse uma revolta por parte dos negros.

Na ocasião, os capoeiristas eram bastante temidos e o governo de Floriano Peixoto não pensou duas vezes: perseguiu de forma dura os lutadores negros. Ordenou que o chefe de Polícia deportasse para a ilha Fernando de Noronha muitos desses capoeiristas, que tiveram como defensor isolado o advogado Alberto de Carvalho.

Em 1911 o cronista João do Rio, no livro Dentro da Noite, retratou o período contando a história de um cidadão francês que repassava informações ao governo. Capturado, foi proibido de falar enquanto estivesse no navio. Todos os tripulantes não poderiam se dirigir ao condenado, que após 69 dias sem falar, tirou a própria vida.

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