terça-feira, 26 de outubro de 2010

CHARGE RETRATA ELEITOR COM ESTERIÓTIPO DE UM BURRO COM VESTES HUMANAS

Estamos em ano de eleições e dentro de mais alguns dias saberemos quem será o(a) novo(a) presidente da República. Passam-se os dias, meses, anos, décadas e até século, e continua o velho voto de cabresto.

Em 1927, a revista Careta publicou uma charge de Oswaldo Storni, na qual aparecia uma cena de fato muito cômica.

A cena mostrava uma mulher - em cujo vestido estava escrito Soberania -, um homem já idoso que portava em seu casaco a palavra político e um burro - na ocasião arrastado por um cabresto, em cuja veste estava escrito eleitor.

O autor não parou por aí não. Abaixo ainda transcreveu um diálogo que dizia assim:

Ella - É o Zé Besta?
Elle - Não, é o Zé Burro!

Ou seja: o Estado (representada pela mulher) não se dirigia diretamente ao próprio eleitor, mas ao coronel, responsável pelo voto do eleitor, então visto como um burro, ante a ignorância e subserviência.

Na época estava bastante em voga o que conhecemos hoje como voto de cabresto. Naquele tempo, era comum a contratação de capangas com o fim claro de proteger o político contratante e promover verdadeiro terror nos eleitores dos adversários.

Assim, muitos sequer poderiam sair de casa, sob pena de serem perseguidos. Alguns desses capangas conseguiam reunir determinado número de eleitores em um barzinho, onde era promovido um verdadeiro comes e bebes, com o objetivo final de assegurar que os eleitores não escapassem e acabassem votando no adversário.

Havia, ainda, quem se passasse por vários eleitores em um só pleito. Era comum um só eleitor votar em vários locais numa mesma eleição, tudo a fim de aumentar o voto do político contratante.

Há, inclusive, registros de eleitores que literalmente levaram surras de "cacete" depois que era descoberta a verdadeira intenção dos referidos eleitores.

.

Nenhum comentário:

Postar um comentário