segunda-feira, 13 de setembro de 2010

VIZINHO CONTRA VIZINHO, MARIDO CONTRA MULHER, COLEGAS CONTRA COLEGAS: A ÉPOCA E O LUGAR EM QUE IMPEROU A DESCONFIANÇA

Não estamos falando das profecias bíblicas que afirmavam a chegada de um tempo em que filho se voltaria contra pai e vice-versa, até porque os fatos aqui tratados já aconteceram, os quais fazem parte de um negro período da história mundial.

Estamos falando da Alemanha nazista. Seis anos antes mesmo de deflagrada a Grande Guerra, o regime nazista já impusera sanções aos judeus, cujas lojas não deveriam vender seus produtos aos alemães. Era um verdadeiro boicote econômico.

Depois foi cassada a cidadania judia em terras alemãs, de modo que casamento entre eles e pessoas de sangue alemão estava proibido. Houve casos, inclusive, de alemães serem vistos em restaurantes conversando com judeus e, somente por isto, a polícia secreta levá-los à prisão. Houve um caso em que em situação semelhante, a moça acabou confessando que tinha um caso com um judeu, o que teria levado este a cometer suicídio.

O regime totalitarista baixou leis que não somente autorizavam como também estimulavam qualquer pessoa do povo a denunciar atos que revelassem desobediência aos preceitos governamentais. Foi o suficiente para o amontoado de denúncias, muitas delas sem fundamentos.

O vizinho, o marido, a esposa, os filhos, o patrão, o empregado, o parente, um estranho, enfim, todos eram potencialmente inimigos uns dos outros.

Quase metade das denúncias eram oferecidas por civis. Enquanto em outros regimes totalitaristas - como o que aconteceu no Brasil - as denúncias partiam dos próprios militares, lá era diferente e a sociedade viveu um caos, sob o medo e a desconfiança até mesmo das pessoas mais próximas.

Registros apontam, por exemplo, que as denúncias de vizinhos chegaram ao alto índice de 54% no Tribunal Especial de Colônia. As denúncias de ex-amantes, por sua vez, atingiram o percentual de 15% junto à Gestapo, a polícia secreta alemã.

A ocasião era propícia às vinganças pessoais. Acontecia de uma mulher, insatisfeita com o fim da relação, denunciar o marido, de modo que este era levado ao interrogatório, muitos deles sob torturas. Em outros casos, era o empregado demitido que se insurgia contra o patrão, somente para se vingar do ocorrido. Uma simples rixa poderia parar nas mãos do ditador.

Houve casos - imaginem - como o de uma moça alemã que, não obtendo êxito na compra de uma água mineral, denunciou a dona da loja porque, em outra ocasião, testemunhou a loja vendendo água mineral a um outro cliente. Ao que tudo indica a venda negada se deu porque o produto era escasso naquela ocasião.

Isto revela, de fato, o clima de insegurança na Alemanha nazista, até porque eles próprios eram, muitas vezes, inimigos uns dos outros: civil contra civil.

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