terça-feira, 14 de setembro de 2010

MÉDICOS E JUÍZES PODEM TER SIDO CÚMPLICES NA TENTATIVA DE ESCONDER O REAL MOTIVO DA MORTE DE UM POETA E ADVOGADO BRASILEIRO

O fato aconteceu no século 18 e envolve um dos inconfidentes mineiros. Cláudio Manuel da Costa, amigo de Tiradentes, foi levado para ser interrogado no dia 2 de julho de 1789. Dois dias depois foi encontrado morto em uma cela improvisada, que ficava na casa de João Rodrigues de Macedo.

Na época, os inconfidentes já haviam sido denunciados e sofriam processo judicial que culminou, posteriormente, na condenação da maioria dos envolvidos.

O corpo de Cláudio Manuel da Costa fora submetido a exame médico para definir a causa da morte, cujo relatório oficial saiu dois dias após o ocorrido, assinado por médicos e juízes, que atestaram suicídio.

Algum tempo depois, um dos médicos teria afirmado que no primeiro relatório assinado por ele não havia a confirmação de suicídio, e sim, assassinato, tendo o referido médico assegurado que um segundo relatório fora feito porque o primeiro havia sido destruído, pois deveria constar como causa suicídio.

A história do Brasil está repleta de fatos que revelam a participação de membros do Poder Judiciário em crimes prescritos em lei. Na época, era comum o envolvimento de magistrados em eventos desta natureza.

Curiosamente, foi um ex-juiz de Direito e então advogado (pois abandonara a carreira de magistrado para advogar) que muito desejou denunciar os inconfidentes antes de Silvério dos Reis (aquele que oficialmente foi o delator que resultou na morte de Tiradentes).

Alvarenga Peixoto é o nome dele. Só não denunciou os inconfidentes porque sua esposa, a poetisa Bárbara Heliodora, impediu que o marido assim procedesse. Posteriormente o ex-magistrado lamentou o fato de sua esposa tê-lo convencido a não delatar os ditos inconfidentes.

Cláudio Manuel era advogado, historiador e poeta. Rico, reunia em sua mansão os nomes daqueles que pretendiam a separação do Brasil de Portugal. Foi lá onde se planejou o que seria o modelo da bandeira do Brasil. Era lá, também, onde se discutiam as ideias iluministas, as quais já vinham sendo debatidas no país, trazidas principalmente por ex-alunos de Coimbra, como Cláudio Manuel da Costa.

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