quarta-feira, 15 de setembro de 2010

INSCRIÇÃO EM TÚMULO VIROU MODA E PRATICAMENTE UMA OBRIGAÇÃO

Em ligeiro resumo podemos dizer que epitáfio são inscrições sobre os túmulos e lápides, enquanto estas são pedras colocadas sobre os túmulos onde são postas as inscrições.

Enfim, todos sabemos que nos túmulos existem o nome e data de nascimento e falecimento do defunto. Em alguns casos há informações adicionais que falam um pouco sobre a vida do falecido.

Quanto mais retrocedemos no tempo, mais vemos a existência de um maior número de informações inscritas nos túmulos dos falecidos, principalmente entre membros de maior poder aquisitivo, bem como entre aqueles que pretendiam deixar para a posteridade um último ideal de vida.

Entre os antigos gregos, por exemplo, que exaltavam o esporte, não era estranho o emprego de inscrições nesse sentido. Os romanos, por sua vez, preocupados com a reputação pessoal, faziam questão de que constassem em seus túmulos os principais feitos realizados em vida.

Assim, um político fazia questão de deixar registrado em sua lápide que ele fora político porque, para o romano, ser político representava o último degrau na escala da realização pessoal. Depois, talentos pessoais deveriam ocupar a continuidade das letras inscritas. Deste modo, o falecido gloriava-se de ter sido eloquente, poeta, médico, advogado, de sorte que em seu túmulo deveriam constar estas profissões e talentos.

O imperador Marco Aurélio, por exemplo, fez com que todo o império o conhecesse não somente como imperador, mas também como filósofo.

José Bonifácio, que em vida recusou o título de Marquês, pediu que em seu túmulo pusesse uma inscrição retirada da poesia de Antônio Ferreira, que dizia:

"Eu desta glória só fico contente,
Que a minha terra amei e a minha gente."

Hipólito da Costa, o fundador do Correio Brasiliense em 1808, tem em seu túmulo a seguinte inscrição, feita a pedido de sua esposa:

"Aqui jaz Hipólito José da Costa. 1774-1823 - Patriota brasileiro e fundador da Imprensa Brasileira. Atraves do Correio Brasiliense , publicado de 1808 a 1822, teve participação efetiva no processo da Independência do Brasil."

Na lápide, do filósofo Voltaire, no entanto, só constam três palavras:

"Aqui jaz Voltaire."

Já o filósofo Francis Bacon, não se importanto com a inscrição em sua lápide, antes preferiu deixar em seu testamento o seguinte:

"Deixo minha alma para Deus ... Meu corpo, para ser enterrado na obscuridade. Meu nome, para as gerações futuras e para as nações estrangeiras."

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