domingo, 22 de agosto de 2010

UM DOS PENSAMENTOS CONSAGRADOS DE DESCARTES SURGIU A PARTIR DE UM PEDIDO FEITO POR UMA PRINCESA RECONHECIDAMENTE ERUDITA E BELA

Assim como Voltaire, Tycho Bahe, Spinoza e muitos outros, Descartes despertou o interesse e a curiosidade de reis, rainhas . . . e de princesas.

O filósofo manteve com a princesa da Boêmia intensa e duradoura correspondência, de modo que havia especulação sobre evental romance entre os dois.

Descartes dizia que a princesa Elisabete tinha um saber variado e perfeito. Contemporânea de Spinoza e Leibniz, ela se antecipou a eles e conseguiu compreender com mais afinco os problemas conceituais de René.

Possuidora de grande conhecimento de história e de filosofia, Elisabete debatia com Descartes sobre grandes pensadores. As obras e pensamentos de Sêneca e Maquiavel eram os temas favoritos da princesa. Sobre este último, o casal o estudou a partir da obra original (em italiano), pois os dois dominavam várias línguas.

O filósofo dizia que a princesa era detentora de um conhecimento superior ao de muitos dos velhos homens de letras, cuja erudição era somada à beleza da monarca.

A pedido dela, ele passou a estudar sobre as paixões humanas. Em 13 de setembro de 1645 ela lhe escreveria nestes termos:

"Gostaria que estudasse as paixões para melhor conhecê-las: os que as chamam de perturbações da alma me convenceriam de que a força delas consiste apenas em cegar e submeter a razão, se a experiência não me mostrasse que são elas que nos conduzem a ações razoáveis."

Foi a partir desse estudo que Descartes chegou à afirmação de que a paixão é um fenômeno puramente natural, o que terminou por introduzir, assim, uma concepção laica e naturalista dos fenômenos ligados à psiquê humana.

Quando o filósofo foi morar na Suécia - a convite da rainha -, ele descreveu a dita rainha com muitos elogios. A princesa boêmia, por sua vez, mostrou seu profundo respeito e maturidade, ao se dirigir ao filósofo assim:

"Não penses que essa descrição me dê motivo para ciúme: ao contrário, essa imagem de uma pessoa tão próxima da perfeição, que livra o nosso sexo da imbecilidade e da fraqueza que os pedantes pretendem atribuir-lhe faz com que eu me estime ainda mais."

Em outros termos, a culta princesa Elisabete sentiu-se honrada por saber que outras mulheres ajudavam a silenciar os argumentos machistas de que elas são o sexo frágil.

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