sexta-feira, 13 de agosto de 2010

O PRIMEIRO OBSERVATÓRIO FEITO SOB ENCOMENDA SERVIU DE MORADIA, DE BIBLIOTECA, DE ENCONTROS DE FAMOSOS E ENTRETENIMENTO À BASE DE CERVEJA

No dia 8 de agosto passado fez 434 anos que foi dado início à construção do primeiro observatório feito sob encomenda, a pedido do astrônomo Tycho Brahe (1546 - 1601 d.C.), professor de Kepler (responsável pela descoberta dos movimentos elípticos dos astros).

Tycho foi um astrônomo famoso e respeitado em seu tempo. Fiel à Bíblia (pois ele acreditava na versão do Velho Testamento, o qual afirmava que Deus havia parado o Sol, de cuja narrativa se deduziu que era a referida estrela que girava em torno da Terra), demonstrava-se cético em relação à teoria de Copérnico acerca do heliocentrismo, tendo ele optado pelas teorias de Ptolomeu, diferentemente de Kepler, que aderiu de corpo e alma à versão de Copérnico.

Dono de uma biblioteca particular de mais de três mil volumes, levou todo o material para o observatório, onde passou a residir, já que o edifício havia sido adaptado para esse fim, inclusive apto à acomodação de muitas pessoas. O Estado gastou uma fortuna para atender aos apelos do astrônomo.

Tycho Brahe e seus colegas astrônomos se levantavam às 4 da manhã. O dia era dedicado às pesquisas, à leitura e ao lazer. Um anão humorista fora convidado a residir no observatório a fim de entreter os moradores, de modo que ele passou a ser um atrativo para os visitantes. Cervejas e vinho não faltavam para os moradores e convidados

Frequentemente havia debates naquele ambiente de estudo. O principal deles girava mesmo em torno do heliocentrismo e do geocentrismo. Os observadores e visitantes se inquietavam com as frequentes dúvidas em torno dos enigmas que surgiam a todo instante, sem falar que debatiam sobre temas ligados ao dia a dia, como as disputas entre católicos e protestantes.

O observatório e o astrônomo atraíram a atenção de muitos europeus, tanto que homens considerados ilustres saíam de seus países somente para contemplar de perto o ambiente e alguns dos debates. Dois reis, por sinal, fizeram questão de marcar presença.

Aos poucos Brahe foi perdendo o financiamento do Estado e em 1597 abandonou o observatório, que foi destruído no início do século XVII. Ficava entre a Dinamarca e a Suécia.

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