terça-feira, 17 de agosto de 2010

BRASIL: A DÉCADA EM QUE O ESTADO MAIS DESEJOU QUE TODOS OS HABITANTES DE PELE NEGRA SE CASASSEM COM BRANCOS

O que você lerá abaixo é um trecho de um discurso de um ex-presidente da República quando ainda era candidato à Presidência do Brasil. Ei-lo:

"Durante muitos anos, encaramos a imigração exclusivamente sob os seus aspectos econômicos imediatos; é oportuno entrar a obedecer ao critério étnico, submetendo a solução do problema do povoamento às conveniências fundamentais da nacionalidade."

Atentemos, leitores, à expressão "conveniências fundamentais da nacionalidade". Durante muito tempo se defendeu, no Brasil, que, dos motivos que impediam o crescimento do país, um deles estava ligado à raça negra. Em outras palavras, o Brasil não crescia porque grande parte da população brasileira era composta por negros. A meta seria, portanto, aumentar o número de brancos no país.

O discurso acima fora proferido por Getúlio Vargas, em 1930. Seu governo foi um marco na tentativa de restringir a imigração de povos considerados inadequados para compor a sociedade brasileira.

Negros, judeus, japoneses, indígenas, orientais, doentes mentais e portadores de doenças físicas não eram bem-vindos ao país. Os judeus, por sua vez, eram considerados "inassimiláveis" pelas autoridades do Brasil. Segundo estes, aqueles eram indesejados pois acreditavam que os mesmos tinham tendência a não se miscigenar com a população negra do país.

Portugueses e suecos eram considerados os mais adequados, pois eram mais dados ao casamento com negros, principalmente os portugueses, estes analisados, ainda, como a matriz das raças que compõem o Brasil.

Outro motivo para o intenso desejo pela vinda dos portugueses diz respeito ao fato de se acreditar que os mesmos eram menos radicais do que outros europeus, como os alemães, franceses e austríacos, que, em pouco tempo no país, já haviam publicado artigos considerados perigosos aos interesses do governo.

Curioso é saber que no final do século anterior (XIX), propagou-se a ideia de que o branco que se casasse com negro não teria netos. A explicação era a seguinte: o mulato (filho de branco com negro) equivale à mula (filho de jumento com égua). Como a mula não gera filhos, da mesma forma o mulato também não geraria filhos.

Daí a associação da palavra mulato à palavra mula. Incrível, mas tudo isto aconteceu em nosso país!

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