sexta-feira, 23 de julho de 2010

PRISÃO E VANDALISMO MARCARAM ATOS DE XENOFOBISMO NO CEARÁ DOS ANOS 40

Tomaremos, aqui, o significado de xenofobismo como sendo a aversão a estrangeiros, não por questões de cor, raça ou credo, mas por questões ideológicas, as quais serão melhor esclarecidas abaixo.

No começo da década de 40 o Ceará registrou prisões, passeatas e atos de vandalismo contra pessoas e empresas eventualmente simpatizantes do nazismo e do facismo. Alguns dos suspeitos eram rotulados, inclusive, de serem agentes secretos dos referidos regimes.

Imigrantes (residentes no Ceará) vindos da Itália, Alemanha, Japão e de seus aliados eram vulgarizados, insultados e, nos casos mais extremos, chegavam a ser presos.

Em 1942 um alemão que vinha de trem do Crato (CE) para Fortaleza foi preso na Estação Ferroviária da cidade de Senador Pompeu (CE) porque carregava uma amplificadora potente. Desconfiava-se que o aparelho seria utilizado para divulgar ideias nazistas.

Pouco tempo depois, na capital cearense, moradores tocaram fogo numa loja das Casas Pernambucanas. Como o proprietário era um sueco - embora a Suécia foi neutra na guerra -, populares julgaram que o dito país europeu fosse favorável ao grupo do Eixo (Itália, Alemanha e Japão).

Em Fortaleza foram realizadas passeatas contra o nazismo e facismo, cujo alcance do movimento atingia ainda as empresas oriundas dos países que abraçaram os dois regimes.

Era comum proprietários de lojas lançarem notas nos jornais cearenses explicando que, embora seus nomes fossem de origem europeia, eles, no entanto, eram nascidos brasileiros, por cujo país nutriam simpatia e lealdade.

As desconfianças partiam, talvez, pelo fato de conhecidas multinacionais carregarem, em seus históricos, papéis ideológicos ligados aos interesses nas duas Grandes Guerras.

Empresas como Siemens, Fiat, Krupp e Mitsubishi de algum modo se relacionaram com fatos que levaram à Segunda Guerra, seja porque forçavam seus respectivos governos a expandirem os mercados comerciais, seja porque tinham interesse no endurecimento do binômio trabalhador x patrão.

Fortes grupos empresariais europeus chegaram a financiar tais regimes absolutistas.

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Um comentário:

  1. Em São Paulo, descendentes de japonês, a exemplo dos flagelados da seca de 32, foram colocados em campos de concentração.

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