quinta-feira, 8 de julho de 2010

PRECONCEITO CULTURAL ENTRE INTELECTUAIS DO MUNDO ANTIGO

Já é amplamente divulgado que herdamos de outros povos e de diferentes épocas muitos dos costumes encontrados no nosso dia a dia. Romanos e gregos estão entre eles, talvez os maiores representantes.

Os dois têm sua importância no cenário internacional, cuja tradição e força se mostraram concomitantes. Por muitos séculos romanos e gregos foram politicamente independentes um do outro, até que o segundo foi dominado pelo primeiro. É de onde nasce o Helenismo, famoso tema nas aulas e nos livros de história.

Há alguns detalhes, porém, que sequer - ou pouco - foram percebidos pelos profissionais da área: a forma como o dominado politicamente se comportou 'culturalmente' em relação ao dominador.

Em plena força política, quando Roma tinha poderes sobre os gregos, os intelectuais deste último grupo se negavam a exercer sua sabedoria médica ou filosófica na língua romana, mesmo vivendo em terras romanas.

Isso é incrível, não é mesmo? Vamos aos detalhes.

Médicos e filósofos gregos que viviam em terras e sob o jugo romanos exerciam suas respectivas artes utilizando a escrita e a língua gregas. Ao se autodefinirem autóctones, os gregos diziam que não descendiam de nenhum outro povo, sem falar que estavam certos de que sua cultura era a mais elevada de todas, o que os instigava a não submissão à imposição cultural.

Para preservar tal cultura, defendiam a propagação da língua e da escrita gregas - ou seja, o fortalecimento do aprendizado da própria língua, assim como somos obrigados a estudar o português -, o que os fazia não adotarem o latim, mesmo residindo no exterior.

Foi por isso que soberbamente os gregos não valorizaram Cícero e Virgílio, dois ícones da literatura romana, fato inverso na visão que estes últimos tinham daqueles, uma vez que estudar os clássicos da antiga Grécia era uma obrigação para os jovens de Roma.

E os romanos cederam. Nenhum romano era chamado de culto se não dominasse o grego. A influência foi tamanha, que muitos jovens conversavam em grego, em plena Roma. Jovens marcavam encontros proibidos, falando em grego, na presença dos pais, que ouviam e nada entendiam. Não falar e não escrever em grego era motivo de rejeição grupal. Virou um modismo.

Somente perto do fim da Antiguidade (que oficialmente ocorreu em 476 d.C.) é que os intelectuais gregos que residiam em Roma se renderam parcialmente ao latim, principalmente aqueles que pretendiam seguir a carreira jurídica, onde o latim ainda encontra repouso.

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