terça-feira, 27 de julho de 2010

OS LIVROS CONVENCIONAIS ESCONDEM, MAS ARISTÓTELES SUICIDOU-SE

Com exceção de poucos adeptos em toda a história da humanidade - como os cátaros -, o suicídio foi e continua sendo visto como um ato de fraqueza. Quem se suicida passa a ideia de que não foi capaz de vencer os problemas que o levaram a este fim.

A biografia que nos é passada sobre Aristóteles nos livros convencionais, em alguns livros sobre a história da filosofia e até mesmo em enciclopédias virtuais - como wikipedia -, não trata da causa da morte do filósofo. Apenas estes livros afirmam que morreu doente.

Mas Aristóteles tirou a própria vida.

O que você lerá adiante é um breve histórico do contexto da época e dos motivos que levaram o filósofo ao suicídio.

Alexandre, O Grande, por ser macedônio, nunca foi benquisto pelos atenienses, amantes da liberdade. Aristóteles havia sido professor de Alexandre, a convite do pai do monarca. Isto já criou certa indisposição dos atenientes com o filósofo.

Embora professor e aluno tivessem tido sérias discussões por causa do assassinato do sobrinho daquele - a mando deste -, Aristóteles sempre defendeu Alexandre e via nele o político apto a unificar a Grécia, um sonho do filósofo, pois acreditava que a cultura e a ciência iriam florescer quando ocorresse esta unificação.

Em meio a toda essa celeuma, os atenienses ficaram desgostosos ainda com os dois depois que Alexandre mandou erguer uma estátua de Aristóteles no coração da hostil Atenas.

Os alunos de Platão (que já era falecido) que frequentavam a famosa Academia, juntamente com os alunos da escola retórica de Isócrates e com a multidão empolgada com os discursos eloquentes de Demóstenes, faziam campanha para que o filósofo fosse exilado ou condenado à morte.

Repentinamente morre Alexandre. Atenas faz festa. Aristóteles viu-se desamparado. O sucessor de Alexandre - que era amigo de Aristóteles -, marcha contra Atenas e faz crescer a fúria ateniense. Um sacerdote apresentou uma queixa formal contra o filósofo, dizendo que ele ensinava que orações e sacrifícios de nada serviam. Acobertado pela lei local, prefere o exílio.

Foge alegando que não iria dar a chance de Atenas pecar pela segunda vez contra a filosofia (falava da condenação de Sócrates).

Adoeceu no exílio.

Diógenes Laércio, um biógrafo dos antigos filósofos gregos que viveu no terceiro século depois de Cristo, registrou que, decepcionadíssimo com os últimos acontecimentos em sua vida, o velho filósofo grego suicidou-se bebendo cicuta.

Esta omissão nos livros de história pode revelar a tendência em manter o engrandecimento do nome de um dos filósofos mais queridos de todos os tempos.

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