quinta-feira, 15 de abril de 2010

BRASIL: O PAPEL QUE AS VARANDAS TIVERAM NO PROCESSO DE LIBERTAÇÃO DAS MULHERES EM RELAÇÃO AOS COSTUMES DO SÉCULO 19

Ainda no século XIX, aqui no Brasil, a mulher branca era orientada a não circular pelas ruas das cidades. Mulher nas ruas, principalmente desacompanhada, ou seria escrava ou prostituta.

As saídas de mulheres brancas se limitavam às idas à igreja.

Foi somente no final do referido século que elas passaram a ganhar certa liberdade. Podiam ir às ruas para fazer as compras, cuja atividade era considerada um lazer pelos homens.

Quando ainda viviam enclausuradas, o principal contato com o mundo exterior era feito por meio de frestas das varandas, que eram, na maioria delas, fechadas. Foi D. João VI quem ordenou a retirada dos muxarabiês (que fechavam as brechas nas varandas), cuja ordem só foi cumprida depois da intervenção da Câmara Municipal do Rio de Janeiro.

As varandas (depois chamadas de sacadas) passaram a ser usadas mais frequentemente pelas mulheres, embora timidamente, somente quando havia eventos públicos. Mulheres que ficavam nas sacadas não eram bem vistas, mesmo depois dessa mudança.

Só aos poucos é que as sacadas se tornaram o meio das mulheres brasileiras se exporem e serem cortejadas pelos homens.

Segundo Gilberto Freire, as varandas "marcaram vitórias da mulher sobre o ciúme sexual do homem".
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